20090716

O estranho caso do Sr. Aníbal e da coação subliminar de Liberdade de Expressão


Imagem do KAOS

Sou apaixonado pela Arqueologia e pelo "ir às fontes". Não era este o texto que quereria ter escrito hoje, mas nem sempre fazemos o que queremos: até o Livre Arbítrio entrou na cíclica da erosão da Crise... Acontece que, ao escavar na dita cuja, vemos desfilar nomes atrás de nomes, até àquele momento dramático em que, depois do 25 de Abril, a adesão ao Espaço Europeu se revelou uma rotura de paradigma.

Pelo lado idealista, enfim, digamos faz de conta que sim, tivémos Mário Soares, que nele apostou; pelo lado retrógado e renitente, a coisa fez-se pela mão de Cavaco Silva, uma das mais desastrosas opções da nossa contemporaneidade. Cavaco Silva, para qualquer arqueólogo de Crises, é o Pai de Todas as Crises, o homem que, pela prática e usucapião, ensinou ao comum dos Portugueses que os Fundos Estruturais não eram para reestruturar o País, mas sim para iniciar mais um daqueles ciclos que, idiosincraticamente, entendemos como do "dolce fare niente": assim foi com o Açúcar, com as Especiarias, com o Ouro e as Pedras Preciosas do Brasil, o Preto, e, depois..., depois... houve um mal entendido, que fez crer que os Fundos Comunitários eram apenas mais um pretexto para estarmos a viver, como sempre, pendurados em qualquer coisa.

Cada Português, por mais estúpido e disforme que seja, tem sempre dentro de si um pequeno cristiano ronaldo, que apenas aguarda plateia e estrelato. Somos os melhores do Mundo, e, como no tempo de Salazar, mesmo quando perdemos, incarnamos sempre um triunfo moral. Não prestamos, e somos um sintoma da vaidade serôdia da Cauda da Europa, com uns quantos velhos do restelo a permanentemente alertar para o mal estar da coisa. Não interessa, porque estamos sempre no faz de conta, o nosso pequeno "Neverland", onde o "never end" jamais chegará. Para alguns, não passamos do território do Rais' te Partam; para outros, somos a zona endógena da rã que queria ser boi. Em 2009, já nem conseguimos ser rã, nem boi, pelo que entramos na lógica autista do normativismo e da correção pública da miséria interior. Cavaco Silva, um homem que está neste estado, mas que continuamos a fingir que não está, é um saloio que atingiu o Topo da Base, chegar a Presidente da República, o suprasumo das suas aspirações. Custou-lhe muito, uma espera prolongada, humilhações públicas, desmaios, e aquelas mãos permanentemente transpiradas, do único político que tinha tanto medo do Povo que se fazia deslocar numa viatura blindada. Nem o Maior Português de Sempre incorreu nesse ridículo, e não esqueço aquela mãozinha assustada, que entreabriu a "marquise", na nefasta noite da eleição: nessa noite, sem nos darmos conta, recuámos 50 anos no tempo, uma espécie de Polanski, do "Por favor não me mordam o pescoço". Os Portugueses, atulhados de cristianos ronaldos, de Ligas, de santas com cara de saloia e ininterruptos disparates televisivos, não perceberam a coisa: ao chegar ao topo da sua base, o Homem de Poço de Boliqueime tinha-nos colocado os olhos à altura da Dª. Maria, do Salazar, quando lhe engraxava as botas com as próprias "culottes" passajadas. Não é por acaso que temos outra Maria em Belém, tão de vistas largas como a anterior. Somos um país de saloios, e nada nos espanta ter um saloio como Presidente, com uma bandeira de "crochet" pendurada no jardim. Dizem as boas almas que era uma obra de arte da Joana Vasconcelos, pois, talvez, mas, para mim, até a terem tirado, era uma bandeira de croché, que incarnava, desde a epígrafe ao posfácio, uma maneira aldeã e pétrea de encarar o Mundo.

Os saloios são sempre os piores: quando vêm para a cidade, não vêm para metamorfosear a sua saloice na dinâmica do urbano: fazem sempre uma pausa, e tentam travar o ritmo citadino, de modo a que se assemelhe, o mais possível, à sua aldeia. Para mim, urbano de várias gerações, sempre que apanho um destes, saco do revólver, e disparo até ele desistir, ou cair. As minhas armas são a Escrita.

Ao promulgar -- e chama-nos para isso a atenção "O Cacimbo" -- o novo Estatuto da Carreira Militar, o Homem da Bomba, que só sonha, maneirinha e mesquinhamente com a sua reeleição, reintroduziu coisas do tempo da Outra Senhora. O militar, mesmo na reserva, fica sob impossibilidade de emitir opiniões. O Sr. Aníbal, que vive fora da Blogosfera, e numa Atmosfera plena de Bolor, não percebe que isto está ao nível dos saiotes de Teherão, das burkas de Kandahar e dos olhinhos rasgados do Exemplo Chinês. O respeitinho é muito bom, e os Portugueses profundos, nos quais se insere o casal de Boliqueime, têm plena consciência de que os momentos corruptos dos Regimes já têm caído na rua, pela mão dos militares. Como diz a Bíblia, assim sempre foi e assim sempre será. Calem-lhes, pois, as bocas...



(Hexagrama do escândalo, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

20090715

Lisboa, Rosa, Roseta e Cardo...

ME COMPLETAMENTE DESESPERADO ANDA A «JOGAR ÁS ESCONDIDAS» COM O MOVIMENTO DOS PROFESSORES!!

A mudança sucessiva de local, desde a inicialmente prevista reunião na sede do ME na 5 de Outubro, para depois mudar para a sede da CNE (rua Florbela Espanca) e agora para o edifício de Alcântara (av. 24 de Julho), mostra como estão desesperados e isolados da população em geral e dos profs. (em particular dos mais jovens), os quais se preparavam para acorrer em massa aos referidos locais. Estaas mudanças de local só se explicam com o medo da expressão de um descontentamento muito forte . Com efeito, houve realmente intenção de prejudicar 38 mil colegas cuja integração nos quadros ou já existia (caso de 12 mil QZPs que ficaram de repente fora do quadro!) ou que eram e são totalmente indispensáveis ao regular funcionamento da escola, mas são mantidos na precariedade anos e anos a fio para o ME «poupar» dinheiro, pois integrados na carreira teriam possibilidade de nela progredir!!!



É preciso fazer corpo comum com os docentes, a defesa da escola pública não é assunto de profs. apenas; é de todo o povo, assim como a defesa do serviço nacional de saúde, não é assunto de médicos e de outros técnicos de saúde apenas!

VAMOS TODOS/AS MOSTRAR AO ME COMO ESTAMOS FURIOSOS/AS PELOS 38 MIL LUGARES DO QUADRO SONEGADOS NESTE CONCURSO!

20090708

Sanfona de Boas Novas, seguida de Melhores Ainda

Imagem do KAOS
O futuro imediato é de Ferreira Leite, e o Médio Prazo de Vítor Constâncio. Isto são as conclusões de uma cavaqueira não parlamentar com a Leontina, a minha empregada.
Teixeira dos Santos -- que não é, aparentemente, do "Aventalinho", até que sejam publicadas, como em Itália, as listas dos Membros da Seita, vamos ficar nessa angústia -- Se não é, embarcou na sanfona, e fez o serviço à causa.
É evidente que não é a Oposição que quer Vítor Constâncio na rua: é o país inteiro, exceto as Lojas do Aventalinho, e vamos ver quem ganha: há poucos anos, ainda éramos todos ingénuos, vimos a Maçonaria dar o Golpe de Estado de Jorge Sampaio, e pôr a salvo as cabeças poluídas: Carrilho, Ferro Rodrigues, e o candidato póstumo à Câmara de Almada. Para este último, sempre uma palavrinha de carinho, porque tinham-lhe prometido ser Primeiro Ministro de Portugal, numa daquelas reuniões secretas, e agora já só lhe oferecem os 3% de votos da Câmara de Almada... São ainda vitórias, mas, passo a passo, a emergente Opinião Pública vai desentocá-los todos, e, aí, o país vai tornar-se numa visão... desagradável, não para mim, que já estou couraçado.
Hoje foi um dia rico: a Mulher a Dias da Educação disse que os maus resultados de Matemática tinham sido fruto da Comunicação Social. É verdade: deviam ter posto a Central de Controlo de Informações do "Prime" a filtrar também isso, mas esqueceram-se: azar. Continuamos um país atécnico, Cauda da Europa em tudo o que é Ciência, a começar pelos Ministros das respetivas tutelas. Maria de Lurdes Rodrigues é um caso patológico que será matéria de estudo e de inúmeras teses de mestrado, mal se fine politicamente, coisa que já aconteceu há muito, só que se esqueceram de lhe enviar um postalinho a avisar. Fica para depois do Verão.
Politicamente, nas minhas conversas da Esfregona, cheguei à brilhante conclusão -- um Ovo de Colombo -- de que Manuela Ferreira Leite, um dos rostos da Depressão, deve, por direito, assumir o cargo de Primeiro Ministro, e por várias razões: a primeira, sentimental, por que é mulher, e continuamos com atraso nisso; a segunda, porque muito do estado a que as coisas chegaram se deve às suas Profecias de Cassandra, e talvez não fossem profecias, mas um autêntico medo e visão da Realidade; a terceira, para que a III República acabe aqui. Já fiz várias apostas se se afundava com Sócrates, se com Ferreira Leite, parece que Deus Pai escolheu que fosse com ela, e eu aceito. Sou um resignado, e gosto destes infinitos crepúsculos políticos.
As boas novas vêm agora: depois de vários anos na Blogosfera, uma importante editora contactou-me para uma edição de luxo, da antologia dos meus melhores textos, com ilustrações do KAOS. A carta chegou-me hoje, e pediu-me para levar o contrato para assinar ao meu confrade, já que a minha morada é pública e a dele deixava dúvidas.
Não vou falar de números, porque a coisa ainda está meio secreta, mas vai fazer roer de inveja Sousa Tavares e as suas poias. Posso dizer que arrancaremos com uma edição de 150 000 exemplares, o que, para Portugal, é mais do que bom, é excelente, e os direitos de autor são de 15%, o dobro da Agustina, pura e simplesmente. A iniciativa reuniu o "Expresso", no qual virão os pormenores na próxima edição de sábado, e o "Sol", que quer lançar-nos também em Angola.
Eu sei que a boa nova vem tarde, mas era tempo de se fazer alguma justiça. Pela minha parte, prometo manter a linha de isenção e liberdade cultivada até agora, e isso ficará bem claro no contrato editorial. A gente às vezes diz mal dos grandes grupos editoriais, e depois... Enfim, malhas que o Império tece.
Eu sei que desse lado dos monitores há uma enorme sensação de júbilo: é o nosso Santiago Barnabéu, e não chegava. Estão já todos convidados para o lançamento, no Pavilhão Atlântico, em Outubro.
Um pequeno senão, mas quem quer mel tem de aprender a suportar as abelhas, como diz Lao-Tsé: o prefácio será da autoria de José Pacheco Pereira, e isso foi-me dito ser inegociável...
Paciência, lá terá de ser.
Obrigado pela salva de palmas.

(Pentagrama da "Silly Season", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")

20090707

O barato sai caro... Sim, mas para quem?

[Na educação, como em tudo...] O barato sai caro para o povo, mas não é assim para os senhores.
Vejamos:
- não é verdade que o privilégio assenta hoje em dia no conhecimento, e sobretudo no saber-fazer?
-não é verdade que uma escola massificada vai aumentar a competição pelos lugares nas universidades que venham a conferir a tal garantia de emprego bem remunerado, estável, de prestígio, retirando hipóteses aos filhos da classe previlegiada?
- não é verdade que este governo dito «socialista» tem feito tudo o que os arautos do neoliberalismo desejavam fazer, mas não conseguiram? que eles foram mais longe, em todos os domínios, que qualquer governo de direita pós-25 de Abril?
- não é verdade que, se o governo anunciasse o desmantelamento puro e simples da escola pública, iria causar uma revolta muito grande, não apenas nos professores, como de toda a população trabalhadora?

JÁ SE PERCEBE O QUE ESTE GOVERNO ANDOU A FAZER: A CRIAR AS CONDIÇÕES DE PRIVATIZAÇÃO DA ESCOLA PÚBLICA, A TODOS OS NÍVEIS, SIMULTANEAMENTE ESPATIFANDO AS COISAS BOAS QUE ELA TINHA E QUE PODERIA DAR VONTADE A ALGUMA CLASSE MÉDIA (AINDA) COM CAPACIDADE ECONÓMICA DE AÍ COLOCAR OS SEUS FILHOS!!!!!!!!

Esta ministra da educação e seu AMIGO E ORIENTADOR DE TESE DE DOUTORAMENTO (Prof. João Freire) são da escola dos libertarianos (de direita), uma escola que preconiza a quase extinção do estado; a sub-contratação aos privados de actividades tradicionalmente desempenhadas pelo estado.

O prof. João Freire é também o autor de um estudo (encomendado pelo presente governo) que serviu de base para a «reforma» da administração pública, incluindo as formas de avaliação...

Penso que já sabiam isto, não?

20090703

As notas, sempre as notas, na mesma escola ( capitalista) de sempre, que teima em quantificar custe o que custar…


As notas, sempre as notas, na mesmíssima escola, gerada em função das necessidades concorrenciais do capitalismo, que prefere arregimentar, classificar e quantificar as «ovelhas» do rebanho, e não tanto estimular o conhecimento, a autonomia, a independência, e o espírito crítico dos seus protagonistas ( estudantes, professores e funcionários das escolas), variáveis que não são redutíveis a simples operações de quantificação notarial, quer nos tempos da escola meritocrática ( em 1969), quer na actual escola-armazém-tutoria de cinzentismo ( conformismo) social...

20090629

A verdadeira história da avaliação dos professores

[recebido por email]



A história que vos conto na primeira pessoa passou-se numa escola qualquer.



No inicio de mais uma aula houve um grupo de 3 ou 4 alunos que se dirigiram a mim.

Perguntaram-me porque é que andava tão triste e aborrecido.

Não lhes pude mentir.

Respondi que era por causa da avaliação dos professores, mas que não tinham com que se preocupar, que isso era problema de adultos.

Eles retorquiram que eles também eram avaliados e que não viam qual era o problema em o professor ser avaliado. Percebi que podia ali, naquele momento, fazer com eles uma pequena brincadeira de criança.

Mandei sentar e pedi silêncio à turma toda, para fazermos um pequeno jogo que não levaria mais de cinco minutos da minha aula.

Disse à turma que na próxima avaliação da Páscoa em vez de os avaliar pelo trabalho e aprendizagens desenvolvidas resolvi mudar para um novo modelo de avaliação.

Eles perguntaram logo: então como vai ser?

Peguei num pau de giz e escrevi no quadro:

Cinco-

Quatro-

Quatro-

Quatro-

Quatro-

Quatro-

Para que é isso? Perguntaram eles. Então só há um cinco? E esses quatros são para quem?

Prestem atenção, disse eu. Abri o livro de ponto na página das fotos dos 20 alunos da turma e fechando os olhos apontei com o dedo ao acaso. Abri os olhos e disse: João.

Diga, disse ele surpreendido.

Vem ao quadro e coloca o nome dos teus colegas que merecem estas notas na Páscoa.

Não, não vou, disse ele, o professor é que sabe, para isso estudou e tem experiência.

Tens que vir senão marco-te falta, obviamente a brincar.

Mas tem mesmo que ser? Voltou ele.

Sim.

Levantou-se e aos poucos preencheu a lista com os nomes daqueles que ele entendeu.

Perguntei eu de seguida à turma: estarão bem atribuídas as notas?

A turma disse em coro um afinado Não.

Perguntei de novo à turma: quem depois das escolhas do João continuava a ser amigo dele como era antes?

Ninguém se manifestou, um silêncio de morte invadiu a sala.

Para terminar perguntei ao João: como te sentias contigo e com os teus colegas se este jogo fosse verdade? E eles contigo?

Respondeu: tristes e aborrecidos.

Estava dada a primeira lição de vida da aula.



Espero que o João ou outro aluno nunca venham a experimentar este jogo na realidade. Para bem do bom relacionamento interpessoal nas suas futuras profissões, numa sociedade em que as relações humanas são desvalorizadas em detrimento das tecnologias obsoletas que nos metem à frente.

Para os adultos deixo as 3 principais razões pelas quais me sinto triste e aborrecido com este modelo de avaliação:

1º *(e desculpem os meus futuros avaliadores)* Porque não reconheço legitimidade nem competência em nenhum colega meu para qualificar ou quantificar o meu desempenho enquanto professor;

2º *(e para desagrado de alguns) *Porque não me sinto nem superior, nem inferior em nada comparativamente aos meus colegas de profissão, independentemente da sua experiência ou situação profissional.

3º *(em sinal de desagrado com o acomodar de outros) *Porque no lugar de avaliador, seria incapaz de distinguir os meus semelhantes sabendo que avaliaria uns em prejuízo de outros, pois quer queiram quer não, é do que se trata quando lidamos com um modelo por quotas. Aqui assumia as consequências pessoais da não avaliação ou classificaria a todos com nota máxima, porque só assim poderia voltar a deitar a cabeça na almofada à noite com a consciência tranquila.



Note-se: As minhas aulas estarão abertas a observação, não 2, nem 3 vezes por ano, mas sim tantas, quantas vezes nelas eu estiver> presente.



Assinado: O professor que entregou os objectivos individuais chantageado pela impossibilidade de acesso à carreira.

O professor que tem dezenas de dias de faltas por doença, umas por esse motivo, outras porque para além de professor é um ser humano com vida para além da escola, sim porque há vida para além da escola, alguns é que a não têm.



[repassa!!!]

Reflexão política*

[*Escrito em Março deste ano, considero que conserva toda a frescura... ]

A política portuguesa parece-se cada vez mais com um bordel em que a patroa (o grande capital, principalmente estrangeiro) põe e dispõe, jogando com as misérias e ódios vesgos de cada uma das meretrizes em relação às suas colegas.

Vem isto a propósito da aproximação de mais um ciclo de eleições, num país «agitado» por declarações de pacotilha dos políticos de todas as cores, destinadas e atrair os que conservam uma falsa esperança, dos que gostam de ser enganados. Refiro-me àqueles que depositam esperança nas urnas, como se o desenlace desta continuada e vil tristeza estivesse nuns mágicos quadradinhos de papel, com as não menos mágicas cruzinhas.

Para que se perceba a inanidade deste «raciocínio», basta atentar no seguinte:O PS de Pinto de Sousa vai arrecadar um número significativo de votos, o suficiente para ser o partido mais votado. O partido que – dentro deste sistema – é convidado a formar governo. Seja qual for a modalidade, teremos uma continuidade de políticas de submissão aos ditames dos grandes grupos.

Mais, esta continuidade será assegurada pelo PS. Teremos de certeza um governo PS: quer sozinho, com renovada maioria absoluta, quer em coligação com outra ou outras forças políticas, muito provavelmente forças à sua «direita», mas que também podem ser à sua «esquerda», o que não muda nada de substancial.

Aqueles que têm a ilusão duma política «anti-capitalista» que não seja simultaneamente e francamente anti-autoritária, que percam as suas ilusões, pois o PCP ou o BE sempre se posicionaram ao longo dos 4 anos de governação PS como rivais entre si, pela hegemonia dos trabalhadores e como «líderes» da oposição parlamentar de esquerda, nunca como uma opção alternativa de governo.

Para que isso tivesse a mínima credibilidade, eles teriam de se aproximar e fazer as pazes entre as várias facções do «comunismo» autoritário (as inúmeras facções do marxismo leninismo, desde os nostálgicos do estalinismo puro e duro, do maoismo, do guevarismo/castrismo, do trotsquismo de diversas obediências, até aos diversos marxismos ditos revisionistas). O que se viu pelas bandas quer do PCP, quer do BE, foi o oposto, um acirrar de rivalidades, numa estratégia pseudo-popular, mas na realidade, sectária no mais puro estilo «PREC» de há 30 ou mais anos atrás.

Tudo somado, eles contentam-se em ser forças «de oposição» institucional, manobrando sindicatos, com um ou outro lugar no aparelho de estado central, nas autarquias, etc., mas sem a responsabilidade total do poder político.Eles sabem perfeitamente que não seriam autorizados a exercer uma parte do poder, sem terem de ceder em muitos aspectos da sua ideologia caduca. Teriam de se converter completamente em «esquerda neo-liberal», como voz «crítica» dum PS que detém a medalha da submissão ao grande capital, já sem laivos sequer de socialismo ou de social-democracia.

A pequenez da política lusa acima resumida demonstra cabalmente a minha tese de que existe um país neo-colonial, com uma ou várias potências europeias (antes o Império Britânico, hoje o neo-império da UE, sob tutela dos USA).

Perante isto, que é uma evidência, que têm a dizer os senhores e senhoras que se arvoram em «analistas» e «fazedores de opinião»? Nada; continuam a assobiar para o lado, pois eles sabem que há verdades inconvenientes; nem que seja para «negar» os meus argumentos, preferem estar calados, pois seria muito complicado sair fora das «regras» do jogo.

Regras não ditas, mas por todos/as bem compreendidas. Regra nº1: Vale falar do acessório, nunca do essencial. Pois o essencial implica a denúncia dos seus verdadeiros patrões e eles/elas não querem desagradar aos mesmos, têm destes o sustento, o tacho e a promessa de participar no rega-bofe… à custa dos mesmos de sempre, dos excluídos, dos espoliados, do «bom povo» que serve para ir, «cheio de fé», votar nas próximas eleições.

É assim que se mantém a choldra, a chusma, bem-educada, polida, sem nada que a distinga da intelectualidade de Paris, Roma, Londres ou Nova Iorque… mais outro aspecto típico das burguesias dos países neo-coloniais.

Mas, infelizmente, quem não tem nada a ganhar com este jogo ainda continua a deixar-se embalar pela ilusão de que algo de novo possa surgir em resultado do circo eleitoral.

Não há salvação dentro do regime, nem sequer remendo, porque o regime está podre. Não tem salvação ou remendo, porque o próprio regime impede a transformação necessária. Não há transformação possível sem uma mudança de mentalidades e esse primeiro passo deveria partir das «elites».Mas o que são as elites neste país? Serão verdadeiras elites ou apenas uma casta parasitária que pavoneia as suas vacuidades como se fosse pensamento?

Num país sugado até ao tutano por mais de dois séculos de domínio neo-colonial, não existe burguesia empreendedora, apenas estado-dependente, apenas parasitária!

Neste país neo-colonizado não existe tão pouco classe trabalhadora autónoma, independente, produzindo o seu discurso, com os seus contra-poderes próprios; temos antes uma classe trabalhadora escravizada por obra e graça do reformismo, quer ele se exprima em partidos ditos «operários» ou em centrais sindicais completamente vendidas, porém arvorando os símbolos e aparências da luta de classe, para melhor entregar os trabalhadores, de pés e mãos atados, aos patrões e ao governo.

Não podemos esquecer que os sindicatos em Portugal se comportam como uma espécie de guarda avançada dos partidos que os manobram.
Um país neo-colonial que se afoga no marasmo porque não quer reconhecer os seus enganos profundos, porque prefere continuar a viver na «doce ilusão», em vez de construir a sua própria sociedade civil independente, autónoma dos partidos e do estado.

Não existe cultura nem vida democrática; tudo é absorvido pelo espectáculo do «desporto rei».
O futebol é o local geométrico onde se cruzam todos os discursos, todas as intrigas de poder, o imaginário colectivo de um povo suspenso na bota do jogador super-heroí que vem «resgatar» a «honra» de um povo… O super-homem que o vai fazer vibrar, vivendo, nas glórias e desventuras do seu herói futebolístico do momento, a pseudo-afirmação de uma identidade «nacional», há muito alienada, de qualquer maneira.

Basta ver a subserviência caricata dos portugueses a tudo o que seja estrangeiro, para se compreender que eles estão totalmente descrentes da sua identidade ou só a afirmam como servos dos «poderosos», muito orgulhosos de serem considerados um «povo gentil, afável, hospitaleiro». Basta-lhes viver na apagada e vil mediocridade. Portugal, como local de férias barato, para a classe trabalhadora dos países mais ricos do continente europeu. Tudo isto configura o complexo neo-colonial deste povo.

Apenas a sua tomada de consciência poderia ser ponto de partida para sacudir o jugo bissecular da opressão, mas isso não pode ser realizado desde o cimo por uma «elite» ilustrada, que não existe.Há apenas uma «burguesia compradora», ou seja, que aproveita as migalhas da exploração deste povo, exploração essa que continua a beneficiar os de sempre: grandes consórcios capitalistas internacionais, grandes potências que se servem de Portugal como de um súbdito (veja-se o caso dos Açores e de todas as bases e interesses da NATO).

Portugal efectivamente pertence aos se aproveitam das pescas, da agricultura, dos minerais e de todas as actividades produtivas para fazerem chorudos negócios.

Quando já nada restar das riquezas naturais deste país, ainda haverá para explorar um povo semi-analfabeto, o eterno emigrante, capaz de trabalhar sem pedir muito, para voltar um dia à sua aldeia ou vila, para aí viver a sua reforma como um fidalgo, não lhe interessando o que aprendeu na estranja…

Não existe, decerto, qualquer solução colectiva dentro deste regime. Apenas com a destruição completa, total e irreversível do sistema de exploração capitalista, poderemos viver como um povo, entre os restantes povos, fraterno e capaz de viver por si, amando sua história e seu território, mas de um amor não possessivo, não egoísta. Como o amor de uma mãe orgulhosa por ver seus filhos e filhas capazes de perpetuar a sua memória, capazes de continuar e enriquecer uma cultura milenar em todos os domínios, das artes às ciências, da produção material à produção espiritual.

Temos portanto de ter um enorme desejo de realização dessa pátria utópica mas alcançável, de uma pátria realmente de todos. Isso só pode ser possível na ausência de capitalismo, experimentando formas colectivas de gestão (autogestão) generalizadas a todas as áreas da produção e da sociedade.Sem esta perspectiva, não existe política de libertação, de emancipação, de autonomia e de poder democrático da classe trabalhadora.

Espero que critiquem muito este escrito, pois a discussão é necessária e eu não estou fechado a ouvir e ler vossos contra-argumentos. Estou profundamente convencido da veracidade do quadro que pintei acima e também tenho real esperança nos caminhos que aponto. Mas sei que as soluções aos graves problemas referidos são necessariamente colectivas e, por isso mesmo, anseio ler as vossas opiniões.

Solidariedade,
Manuel Baptista

20090626

Precarização dos professores em Portugal é a maior de todos os países da OCDE


Uma das edições passadas do Diário Económico divulgava as conclusões dum estudo da OCDE sobre as condições de trabalho dos professores. O "TALIS" é o primeiro grande inquérito internacional sobre o tema e concluiu que, entre os 30 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, Portugal é o que apresenta as piores condições de trabalho para os professores.

Portugal apresenta, a larga distância de qualquer um dos outros países da OCDE, os mais baixos valores no que diz respeito à contratação permanente: apenas 67,6% dos professores têm contratos sem termo, o que significa que 32,4% leccionam com vínculos precários.

É uma triste realidade. Mas, infelizmente, tudo nos leva a crer que estes números estão ainda abaixo da realidade. Em Portugal há um enorme contigente de professores desesperados, que, ficando sucessivamente à margem dos concursos, são atirados para as Actividades de Enriquecimento Curricular ou para outras formas de sub-emprego.

Não sendo nenhuma novidade, acima de tudo, estes números confirmam que em Portugal a precariedade está a ser imposta a partir do próprio Estado: é também aqui, a partir da precarização de mais de uma centena de milhar de trabalhadores e trabalhadoras, quase sempre ilegal, que se autoriza a generalização da precariedade, que hoje já atinge muito mais que dois milhões de pessoas em Portugal.


Fonte: http://www.precariosinflexiveis.org/

20090624

O Quê???

Em Quê???

Querida Neda, não tenhas medo...
Nós não cometeremos essa injustiça...

Ainda o Fripó

(imagem em http://imgs.sapo.pt/gfx/465041.gif)


Caso Freeport
Adjunto de Sócrates interrogado
Rui Gonçalves, ex-secretário do Estado do Ambiente, foi ouvido como testemunha na passada sexta-feira, devido ao papel que teve na aprovação do Freeport em Alcochete, mas não é de excluir que venha a ser constituído arguido, escreve o Correio da Manhã.


Rui Gonçalves, ex-secretário de Estado do Ambiente, desempenhou um papel fundamental no processo de aprovação do Freeport em Alcochete. Por isso foi ouvido, na sexta-feira passada, como testemunha, e não é de excluir que, tal como aconteceu com Carlos guerra, antigo presidente do Instituto de conservação da Natureza, venha a ser constituído arguido.
Segundo o Correio da Manhã, essa hipótese está em cima da mesa, tanto em relação a Rui Gonçalves como a outras pessoas que já foram ouvidas como testemunhas.
O ex-secretário de Estado começou por chumbar o projecto. A 6 de Dezembro de 2001 justificou o chumbo com o facto de o projecto apresentar «elevadas cargas de visitantes e de ocupação que não coadunam com os objectivos da política de ambiente e conservação da Natureza que levaram à criação desta ZPE – Zona de protecção Especial».
Só que a 18 de Janeiro de 2002, dia seguinte ao da reunião de José Sócrates com responsáveis do Freeport e com o presidente da Câmara de Alcochete no Ministério do Ambiente, e data da dissolução da Assembleia da República, dava entrada um novo projecto do outlet na Direcção Regional do Ambiente e do Ordenamento do Território de Lisboa e Vale do Tejo.
A 14 de Março, três dias antes das eleições legislativas, Rui Gonçalves emitia um «parecer favorável» ao Freeport.
Ontem, uma nota da PGR, dizia que a investigação ia acelerar, e que o caso vai entrar numa fase decisiva com novos arguidos, isto por o processo já ter sido considerado urgente, em Outubro de 2008, por despacho dos procuradores que o investigam.
SOL

OHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!


Ministério Público manda arquivar queixa de Sócrates contra João Miguel Tavares
Hoje às 12:43

O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, contra João Miguel Tavares, por considerar que o jornalista não ultrapassou os limites na critica que fez a Sócrates, enquanto figura pública.
O Ministério Público mandou arquivar a queixa do primeiro ministro contra o jornalista João Miguel Tavares que num texto publicado no Diário de Notícias comparou o apelo à moral na política feito por José Sócrates à «defesa da monogamia por parte de Cicciolina».
«As expressões utilizadas pelo arguido João Miguel Tavares dirigidas ao primeiro-ministro, figura pública, ainda que acintosas e indelicadas, devem ser apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas, e inserem-se no direito à critica, insusceptíveis de causar ofensa jurídica penalmente relevante», afirmou o Ministério Público.
Desta forma, o Ministério Público considerou que o jornalista do Diário de Notícias no seu artigo «José Sócrates, o Cristo da Política Portuguesa» não ultrapassou os limites na crítica que fez ao chefe do Governo e líder do PS, enquanto figura pública.

CONTRA OS EXAMES!

Os exames, reflexo fiel do país: neocolonial, atávico, mesquinho, autoritário


Os exames, o seu conteúdo, a sua forma, as opções ideológicas implícitas, são um espelho desta sociedade doente de autoritarismo, que muitos docentes aceitam sem questionar.

Mas não seria lógico que pusessem em causa esta mecânica absurda, que ano após ano, vai condicionando de forma autoritária a sua leccionação, a sua pedagogia?
Os exames nacionais são um constrangimento pedagógico por tudo aquilo que implicam. Os correctores são destituídos de qualquer capacidade de influir na estrutura e conteúdo dos mesmos. Têm de aplicar mecanicamente grelhas de correcção seguindo critérios traçados por outros.

A liberdade de ensinar, que deveria estar no cerne do acto pedagógico, é completamente anulada.
«O que sai no exame» é aquilo que importa ensinar, os que redigem os exames, mais ainda do que os que fabricam os próprios programas é que decidem afinal de contas, o que interessa ensinar e como. Isto é pedagogia? Isto é um sistema adaptado ao século XXI?

De tão habituados que estão à referida rotina dos exames, os professores vão-se conformando aos sucessivos absurdos, fingindo que acreditam que são um mecanismo válido, quando não o supra-sumo, na avaliação dos conhecimentos dos seus alunos.

No próprio detalhe, os exames são um reflexo da mediocridade que se apropriou deste país. Todos os anos, recorrentemente, há denúncias de erros, gralhas, nas provas. Porquê?
A razão fundamental pela qual os exames são medíocres e não são sequer revistos com um mínimo de seriedade é que existe uma tradição de secretismo absurda e atávica, como muito do que existe na administração central do monstro chamado ME.
Temos de desmascarar a tradição de secretismo absurda, porque... parte do princípio indefensável de que os membros redactores das provas são corruptíveis, influenciáveis, etc... e que a maneira de evitar isso seria manter o seu anonimato. É absurdo porque então porque razão o mesmo critério (de anonimato) não se aplica a juízes e outros magistrados? O critério do secretismo permite o tráfico de influências dentro do ministério, permite que certas pessoas tenham um cargo de fazedores de provas que lhes dá um estatuto como que de «peritos» intocáveis e inamovíveis. Ou seja, dá-lhes privilégios e exime-os de dar a cara E DE RESPONDER por provas mal concebidas, mal estruturadas, com erros científicos clamorosos (muito pior que simples gralhas!)
Manuel Baptista

20090623

Neda, assassinada numa manif. em Teerão é símbolo da resistência anti-ayatollahs


Uma jovem mulher foi assassinada a tiro, em Teerão, no sábado passado. O vídeo reproduzido na internet deu a volta ao mundo.

As manifestações de 19, 20 e 21 foram reprimidas de modo cada vez mais violento.

A internet registou as imagens provenientes do Irão. Um dos vídeos, o de Neda Soltani, causou o horror dos internautas.

Quem é Neda Soltani? Neda Soltani é uma jovem mulher que recebeu um tiro mortal, disparado por um membro dos Basji (uma milícia armada pró-governamental). Morreu diante da câmara de um manifestante no sábado 20 de Junho. O mundo inteiro fez de Neda Soltani o símbolo da violência que é exercida sobre os manifestantes iranianos.


[o vídeo tem imagens muito chocantes]


20090621

NA EDUCAÇÃO COM EM TUDO O MAIS... SOMOS NEOCOLONIAIS!!!


Por Manuel Baptista
(manuelbap@yahoo.com)
No âmbito do país neo-colonial que é o nosso, pode o próximo ministro da educação ser bom, médio ou medíocre, que tanto se dá aos que verdadeiramente mandam nisto. Tanto se lhes dá que continue o modelo actual de escola pública ou que seja desmantelado para se fragmentar em milhares de escolas «privadas» subsidiadas 100% pelo estado (no fundo o projecto de municipalização é isto), etc.

Pois eu falo com os meus colegas professores, eles sabem tudo o que se passa no domínio da educação, fingem que não vêem o que está para vir, só sabem queixar-se pelos cantos, fazerem lutas perfeitamente recuadas como cortejos festivos pela Avenida, abaixo-assinados e petições, etc. mas não usam o único instrumento que poderia ser EFICAZ na luta.

Usarem o seu enorme poder (que têm, por isso é que são tão atacados) para desmascarar a delapidação do dinheiro do povo, a desqualificação da escola pública, desde a vertente humana à material, mas dizê-lo com todas as letras e com exemplos concretos, mostrando que os ministros e governo apenas avançam com propaganda oca, não com «obra».

Basta perceber um pouco de teoria política para compreender que esta «esquerda» (que seria a «portadora» dos valores de uma escola pública democrática) é completamente incapaz de dar combate eficaz ao neo-liberalismo, estando focalizada em lutas corporativas em vez de as alargar, unificar com outros sectores da função pública e da população trabalhadora em geral.

O meu prognóstico é que, seja qual for o futuro ministro da educação, mesmo que não seja dum governo do PS, o futuro governo irá fazer da privatização-municipalização da educação a sua política; mesmo que essa tal orientação esteja ausente do programa eleitoral, um partido no poder pode sempre dizer (e nem é falso) que os «peritos» da OCDE, ou outros (dos tais que é preciso ler de modo respeitoso, reverencial...) aconselharam esta «reforma» como única panaceia para a nossa educação.

Nada que não se costume fazer neste país neocolonizado, perante um povo largamente despolitizado, à mercê dos políticos de campanário (aqueles que estão a entrar pelo domínio da escola, pois assim têm um mais amplo campo para tráfico de influências).

Quem fala de corrupção, incompetência etc. como causa dos problemas, não percebe nada... isso são sintomas; o mal é que este país é um país subjugado e explorado pelos senhores do capital.

Na divisão internacional do trabalho, está reservado a Portugal o lugar de um país que é preciso dominar, para garantir o controlo do Atlântico, um país que é preciso subjugar, para que «não levante cabeça», podendo ter alguma indústria (mas do tipo «maquiladora»), alguma agricultura (mas apenas para dar cor à paisagem rural, não para a autosuficiência alimentar de um povo, apesar do clima ser dos melhores do mundo para a agricultura), enfim algumas divisas obtidas com as remessas dos emigrantes e com o turismo (destinado aliás às classes médias baixas dos países ricos europeus).

O sector financeiro, hipertrofiado, é como uma carraça que extrai os parcos recursos que o povo consegue fazer, o povo que se deixa enredar pelo mito «da casinha & do pópó» (é prá menina e pró menino...).

Solidariedade,
Manuel Baptista