20071227

E a história repete-se ...


Apontamentos a partir de "Números citados por Sócrates vistos à lupa" (Público, 27-12-2007, págs. 1/6)

Ensino Secundário

“Temos este ano mais alunos no ensino secundário. Temos mais 17% de alunos no ensino superior.

Nenhum dos organismos oficiais ontem contactados pelo PÚBLICO confirmou estes dados. O aumento de número de alunos no secundário já tinha sido anunciado pela ministra, mas sem quantificar. “

Ensino Superior

“Quando ao aumento de alunos no ensino superior, o primeiro-ministro não citou o número correcto. De acordo com o MCES, frequentaram o ensino superior em 2006/2007 366.729 alunos. Se este total tivesse crescido 17 por cento, então teríamos mais 62.344 alunos.

Como no superior público só entraram 47.353, se as entradas no ensino superior privado fossem proporcionais ao seu peso no sistema (menos de um quarto), teriam entrado um pouco mais de 15 mil, o que significa que, para o número de "alunos no ensino superior" ter crescido 17 por cento, seria necessário que ninguém tivesse concluído os estudos.”

Novas Oportunidades

“(…) Já ao nível do ensino secundário, a realidade é oposta: até ao final do ano, serão atribuídos apenas 100 diplomas de equivalência ao ensino secundário, quando a meta inicial era de 50 mil em 2006 e 2007.”

Empregos?

“A nossa economia já está a criar mais empregos do que aqueles que se perdem. (...) Nestes últimos dois anos e meio, a economia criou, em termos líquidos, 106.000 novos empregos.

A esmagadora maioria dos 106 mil novos empregos criados pelo Governo nos últimos dois anos foram possíveis graças ao recurso a contratos a prazo, que se traduzem numa relação de trabalho com maior precariedade.

(….) o número de desempregados aumentou em 32 mil desde a tomada de posse do actual executivo. Segundo o INE, a taxa de desemprego no terceiro trimestre deste ano, 7,9 por cento, era superior em 0,5 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa de desemprego estabilizou nos últimos seis meses.”

Apoio à natalidade

“(…) o Governo anunciou que iria atingir as 90 mil famílias, mas do qual estão a beneficiar apenas 33 mil mulheres.

“(…) o Estado apoia financeiramente as tentativas dos casais inférteis para terem filhos nas clínicas privadas. (…) apenas é garantido o pagamento a 100 por cento do primeiro ciclo dos tratamentos.

Em média, são necessários três. Já a comparticipação do Estado nos medicamentos mantém-se inalterada (37 por cento), quando um casal chega a gastar mil euros em remédios num ciclo de tratamento.”

Em resumo e parafraseando o que é referido no Público: O Primeiro-Ministro apresentou-nos um discurso propagandístico, desligado da realidade e que perspectiva a continuação das mesmas políticas em 2008. Ora bolinhas!!!