20080929

A COISA

Imagem importada daqui
Estão todos loucos

“Cantando e rindo, com um ‘Magalhães’ debaixo do braço, as crianças irão felizes para a escola de sonho, sem exames e sem chumbos”.

A universidade do sítio, provavelmente sem mais nada de interessante para fazer, decidiu elaborar um estudo sobre o custo das explicações para as famílias que não só desconfiam da excelência do ensino público como têm a sorte de poder gastar algum dinheiro do seu orçamento para ajudar os filhos a falarem melhor a língua do sítio e não serem analfabetos em Matemática. Caiu o Carmo e a Trindade.

Os autores deram o tom e alguma Comunicação Social amplificou a indignação que varreu este sítio manhoso, hipócrita, cada vez mais pobre e cada vez mais mal frequentado. O problema com as malditas explicações é que a sua existência é um caso flagrante de desigualdade social. Porque, a exemplo do Sol, as explicações só são aceitáveis se forem para todos, sem excepção. Ricos, pobres e remediados. Caso contrário, devem ser pura e simplesmente proibidas ou, em alternativa, acabe-se com os motivos que levam as famílias a procurar explicadores para os filhos. Isto é, enterre-se de vez os malditos exames, que não só provocam um insuportável stress às criancinhas como criam essa execranda figura que é o chumbo, na versão antiga e autoritária, ou retenção, na versão socialista e moderna, que não magoa tanto os sensíveis ouvidos de pais, professores e alunos.

A sugestão do fim dos exames não partiu de qualquer grupo de cábulas, putativos delinquentes, nem de um bando de bêbedos apanhados à saída de uma taberna por uma qualquer televisão sequiosa da opinião popular ao vivo e em cima da hora. Não. A proposta veio das confederações de pais, essas misteriosas organizações que ganharam estatuto de parceiro social sabe-se lá como e porquê. Uma sugestão que caiu bem na 5 de Outubro, com uma ministra a bramar contra essa gritante desigualdade social e a prometer uma vigilância apertada aos energúmenos que dão aulas na escola pública e que não têm qualquer pudor em receber uns cobres extras com explicações a meninos ricos e betinhos que assim conseguem melhores notas nos malditos exames. Uma ministra que, diga-se em abono da verdade, tem um sonho que mostra definitivamente como o sítio não só é pobre, manhoso e cada vez mais mal frequentado mas como está a resvalar perigosamente para a loucura.

O sonho da ministra da Educação é acabar com os chumbos, perdão, as retenções. E assim, cantando e rindo, com um ‘Magalhães’ debaixo do braço, as crianças irão felizes para a escola de sonho, sem exames e sem chumbos.


António Ribeiro Ferreira, Jornalista no Correio da Manhã

5 comentários:

Moriae disse...

Epa ... a malta reparou toda nesse cromo ops leia-se nesse artigo ...


Para recordar:
- Resposta de Graça Pimentel ao jornalista que escreveu a aberração “A senhora ministra” (http://sinistraministra.blogspot.com/2008/03/resposta-de-graa-pimentel-ao-jornalista.html)

E vale a pena ler a) o apanhado do Paulo Guinote; b) o título que o Ramiro deu ao assunto :) e c) os comentários em ambos :)

My God!!!!

Moriae disse...

Esqueci-me de dizer que a imagem foi extremamente bem importada!!!! Obrigada pela gargalhada que me proporcionaste!

A coisa .... ehehhe

Abraço Hurtiga!

Manuel Baptista disse...

Prova que certos jornalistas - da nossa praça- mais parecem «rameiras da informação» que outra coisa.
Quando o dito jornalista (???) escreve:
«Uma ministra que, diga-se em abono da verdade, tem um sonho que mostra definitivamente como o sítio não só é pobre, manhoso e cada vez mais mal frequentado mas como está a resvalar perigosamente para a loucura.»
Além de escrever uma frase sem nexo, dá a entender que o sítio (a escola portuguesa? a escola pública portuguesa? Portugal?) é «pobre, manhoso e cada vez mais mal frequentado... está a resvalar perigosamente para a loucura.»
Se o facto de ser pobre não envergonha uma instituição ou país, visto que foi assim castigado por séculos de governantes imbecis e corruptos, já os adjectivos «manhoso, mal frequentado, a resvalar para a loucura» são adjectivações completamente insultuosas, dos que lá trabalham e que a frequentam!!!
Realmente, ele que vá dizer isso da própria redacção de jornal e que se auto-designe como exemplo do que acusa nos outros!!!
Manuel Baptista

touaki disse...

Este jornalista é altamente suspeito. Em tempos (o dos 100 000) achincalhou os professores e teceu loas à ministra...
É, definitivamente, um tipo estranho!
PS: Não foi este que entrevistou a Ministra e as "bolachinhas"?

Moriae disse...

Touaki, ele mesmo ... :/