20081204

A Luta dos Professores - questões de estratégia

Não venho, de repente, aqui tecer comentários menos elogiosos sobre a justíssima luta dos professores contra a "avaliação do desempenho" e contra o "estatuto da carreira docente", mas pedir algum do vosso tempo para reflectir sobre as estratégias e sua inteligência por parte dos interessados, ou seja, a quem poderá interessar as greves dos professores, seja a aulas seja a avaliação dos alunos? Aos professores, naturalmente, e a uma educação digna, evidentemente, mas já pensaram que a José Sócrates poderá convir este género de luta? Li este post no Ideias Soltas e fiquei a meditar! Reparem, Sócrates poderia muito bem ter evitado esta greve, decidido que está em esvaziar, paulatinamente, o modelo de avaliação de desempenho. Por que não o terá feito?
Parece-me óbvio que depois das exuberantes manifestações de professores em dia de fim-de-semana a opinião pública, que ficou sensibilizada para o apoio aos professores e contra o governo pelo facto de desestabilizar as escolas. Pelo contrário, as greves de professores, a aulas e a avaliações de alunos, provocam alterações profundas ao quotidiano dos pais, que Sócrates não poderá deixar que pretender capitalizar para as eleições que se avizinham. A justeza das causas por que lutamos não inviabiliza inteligência estratégica.
A Sócrates convém que os pais sintam os danos que as greves dos professores não deixarão de lhes infligir, pouco se importando que Maria de Lurdes Rodrigues e sua equipa caiam em inteira desgraça!

Campanha eleitoral, oblige...

5 comentários:

In Memoriam EDOUARD H. GANDON disse...

Ontém, assisti «in loco» à conferência de imprensa dada pela plataforma sindical. O seu porta-voz acentuou o desejo de negociação, apenas e sempre sem condições prévias, de uma parte e de outra.
Quanto à «habilidade» de fazer a guerra dentro das escolas para «ganhar» eleitores, acho que isso seria simplesmente suicidário para o Sócrates e para a re-edição de uma maioria PS . Por mais propaganda que haja, o eleitor não é um ser estúpido e bruto: pode ser enganado pela propaganda, mas a propaganda é contrariada pela propaganda de sentido contrário e, sobretudo, pelos factos. Quando os factos negam a propaganda, as pessoas vão-se apoiar nos factos e repudiar a propaganda!
Quanto a greves com retenções de notas, foi explicitamente recusado esse cenário pelo coordenador da plataforma sindical, tendo mesmo afirmado que isso nem estava nos horizontes dos sindicatos. De qualquer maneira, uma greve num dia de avaliação obrigaria à repetição do conselho de turma para se fazer a avaliação dos alunos: não creio que isso tivesse impacto nos alunos (já em férias), teria apenas nas famílias dos docentes, já suficientemente castigadas, por esta guerra de desgaste que o ME tem-nos movido desde há mais de 3 anos.
Manuel Baptista

In Memoriam EDOUARD H. GANDON disse...

Ontém, assisti «in loco» à conferência de imprensa dada pela plataforma sindical. O seu porta-voz acentuou o desejo de negociação, apenas e sempre sem condições prévias, de uma parte e de outra.
Quanto à «habilidade» de fazer a guerra dentro das escolas para «ganhar» eleitores, acho que isso seria simplesmente suicidário para o Sócrates e para a re-edição de uma maioria PS . Por mais propaganda que haja, o eleitor não é um ser estúpido e bruto: pode ser enganado pela propaganda, mas a propaganda é contrariada pela propaganda de sentido contrário e, sobretudo, pelos factos. Quando os factos negam a propaganda, as pessoas vão-se apoiar nos factos e repudiar a propaganda!
Quanto a greves com retenções de notas, foi explicitamente recusado esse cenário pelo coordenador da plataforma sindical, tendo mesmo afirmado que isso nem estava nos horizontes dos sindicatos. De qualquer maneira, uma greve num dia de avaliação obrigaria à repetição do conselho de turma para se fazer a avaliação dos alunos: não creio que isso tivesse impacto nos alunos (já em férias), teria apenas nas famílias dos docentes, já suficientemente castigadas, por esta guerra de desgaste que o ME tem-nos movido desde há mais de 3 anos.
Manuel Baptista

Anónimo disse...

Manipulação é arte de seduzir um auditório em favor de uma causa que aqui neste caso só interessa ao ministerio da educação.
Olhos abertos. Esta é a nossa luta e pronto. O que poderia ser ou ter sido, fica no universo dos ses.

Anónimo disse...

Também pode provocar um efeito de contágio com os funcionários publicos de outras carreiras seguirem os nosso exemplos. Porque para o ano é que será aplicado o PRACE e o nível de contestação vai aumentar. Sócrates sabe que é na nossa classe que estão muitos dos que decidem eleições (flutuando entre o ps e o psd), que têm família pelo que os efeitos poderão ser superiores se contarmos com as famílias.

Hurtiga disse...

Flutuando por onde?
tch! Venha o diabo e escolha...