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20091013

"The Gay After"




Imagem do Kaos, que ainda não percebeu que isto está mesmo bué da mau...

Há um fragmento da biografia de Fouché, por Stephan Zweig, que eu vou citar de cabeça, porque não encontro o livro, em que ele diz, que "passada a Revolução e o Terror, o dinheiro, que tinha estado escondido, começou a aparecer por toda a parte". Vem isto a propósito de um fenómeno, de que já terão dado conta, que foi a reentrada, de há quinze dias para cá, dos carros de grande cilindrada, no cenário rodoviário português. A tipologia é sempre a mesma: um gajo, ou de má catadura, ou platinado do Estoril, ou, ainda, uma galinha, de telemóvel colado às quinquilharias, e a provocar eminências de desastre, em cada esquina.
Na essência, só falta neste palco Vítor Constâncio, vir falar de algumas milésimas de recuperação, para o novo governo ter 100 horas de estado de graça, antes de caírmos na Real, que é muiiiiiiiiito má.
Ontem, estava com demasiado champanhe e alguns drunfos, de maneira que não dava para escrever uma linha direita e hoje acho que ainda menos, de maneira que vamos às tortas, já que se adequam mais ao estado de miséria da Nação.
Comecemos pelos vencidos, o Bloco de Esquerda (de Oportunistas) de quem as pessoas já se começaram a descolar, e ainda vão descolar mais, quando assistirem ao que vai acontecer nas próximas Cortes; o segundo é o "Partido das Paredes de Vidro" que bateu com a cabeça nas suas próprias paredes de vidro, e, doravante, ou entra no ciclo da História ou se arrisca a transformar num mero bando de Zés "Magalhães" e de Zitas Seabras, com todo o respeito que tenho pelo PCP, que ocupa, no meu imaginário, o mesmo lugar do António Calvário e dos belos dias de virgindade de Maria Elisa.
Os vencedores, pelo seu lado, são muitos, e todos dependem da perspetiva que nos dê mais tusa. Pessoalmente preferi o champanhe, já que aquilo me tirou a tusa toda, mas parece que não foi consensual: o Norte, com Porto e Gaia casados numa maré laranja -- quando eu vi o Valente de Oliveira, a "Lola", aquele que se demitiu de ministro, quando rebentou o "Casa Pia", a clamar vitória, percebi tudo... Mas isso é secundário: lá em cima, ameaçam, agora, com o espetro do atraso que têm no País -- ir lá, à Cidade Negra, é como ir, cá, à Rua dos Fanqueiros... -- ameaçam, dizia eu, fazer pressão no Governo "dialogante" do "Engenheiro", que é tão engenheiro quanto dialogante, por mais maquilhagem que ele tente agora pôr nas fauces. Aconselho-lhe Lurdes Rodrigues, como nova Ministra dos Assuntos Parlamentares, para dialogar com a Oposição. Vamos todos adorar.
Quanto ao Caciquismo, o mote foi logo dado matinalmente, quando um labrego, que pensava estar ainda no tempo de Camilo Castelo Branco, entrou por uma urna adentro e disparou um balázio num gajo casado com uma adversária, enquanto ela gritava "não me mates, que sou tua mãe!!!..." Acho que isso se passou em Ermedelo (?), que não faz parte das novas estações da Linha Vermelha de Metro, de maneira que desconheço, e continuarei a desconhecer, através das eras, onde fique, ou seja. O País, sim, reconheci-o imediatamente, e era o país dos gajos que lá estavam eleitos há 30 anos, e conseguiam vantagens de 30, 40 e 50% sobre os adversários, onde se mostra que o caciquismo de proximidade continua intacto desde os tempos de Eça de Queiroz: primeiro estranha-se, depois, entranha-se, e é como aquelas agências locais da Caixa Geral de Depósitos, onde todos têm os mesmo apelidos, e depois estendem os vícios às Juntas de Freguesia, às Assembleias e às Presidências do que quer que seja. Fialho de Almeida teria adorado, tal como eu gostei. É gente para ficar lá para sempre, e moldar o seu buraco geográfico à sua imagem e forma, como Deus. Em resumo, muito pançudo, muito pai incestuoso, muito padre pedófilo, muita dona da rua e muita mulher de bigode, como nos tempos d'El Rei. Com o tempo, são como "elas", e tornam-se... sérias.
Temos depois os casos deploráveis, como gente honesta, Fátima Felgueiras e Ferreira Torres, que não conseguiram voltar ao seu pequeno poiso. Como já muitas vezes manifestei o meu apoio, acho que com a Madame Felgueiras se foi particularmente injusto, porque o branqueamento de dinheiros que ela praticava era típico de todas as Câmaras PS, só que esta teve, coitada... "azar". Basta ter "ouvisto" 30 segundos o fradeca jesuíta, a falar "axim" e a dar graças a deus, que a vai substituir, para perceber imediatamente o pequeno Manoel de Oliveira que os espera. Graças a deus, agora digo eu, que o cu é só, e só, deles...
Depois dos casos deploráveis vêm os infinitamente deploráveis, e aqui entramos nos vencedores da noite, o meu favorito, Valentim Loureiro, que, até fisionomicamente, se parece comigo, e que tem enormes afinidades com o meu eu profundo: lemos Proust aos 15 anos, adoramos as peças de piano tardias, de Brahms, dedicamo-nos à cultura de bonsais, e sabemos, de cor, toda a genealogia de infortúnios da Casa Imperial dos últimos Paleólogos, de Constantinopla, da Acaia e Trebizonda. É, em resumo, um ídolo meu, íntimo, e só tive pena que a filha, caneca, não viesse agarrar-se a ele, como quando foi preso, aos gritos e beijos de "ai mê rico pai, mê rico pai!!!..." Fica para a próxima.
Isaltino, um caso de estudo, e que devia ser geminado com Obama, fez questão de dizer que tinha sido eleito, depois de condenado, pelo Concelho, em todo o País, que primeiro erradicou as barracas, com maior grau de literacia, menos desemprego, mais escolas, mais jardins, mais segurança, mais empresas de tecnologia de ponta, melhor nível de vida e conforto... e aqui já estava toda a gente babada, e lá se irá coligar, como previsto, com a "Pegajosa", para não variar. É um exemplo de um caso de sucesso, do "crime de proximidade", uma das invenções do Socratismo. De qualquer maneira, começo os meus parabéns pelo Isaltino, cuja vitória é uma afronta pessoal a um Sistema Jurídico que umas vezes diz que "sim" e outras diz que "não". Como a Felgueiras, o Isaltino é daqueles que também teve... azar.
Depois dos casos infinitamente deploráveis, vêm os inexplicáveis à luz da Razão, que é perguntar como é que, em Almada, houve 25% de pessoas a votar em Paulo Pedroso, mas eles lá saberão: devem fazer parte daqueles que a 13 de Outubro vão ajoelhados a Fátima, e depois aproveitam para fazer um broche nos sanitários, com as câmaras a filmar tudo.
Os vencedores de mérito próprio são Macário Correia, a quem o Portas uma vez insultou, dizendo que era filho de uma vendedeira da praça, se não me engano, e que conseguiu uma Maioria Absoluta com 20 votos, ou lá o que é que foi, Ferreira Leite, que mostrou que nos nomentos mais difíceis ainda é possível fazer um discurso de Estado, por contraposição com os gagejos e banalidades do boçal de Vilar de Maçada (ia sem powerpoint e sem teletexto, coitado...), e onde se prova que, quer se queira, quer não, o Berço ainda conta; o Marcelo, que parecia uma gata aluada, já a pensar em quem iria trair em seguida, e que se portou, como sempre, muito bem, no seu papel de Lucrécia Bórgia, e... bem... bem... por fim, Santana Lopes, que reentrou, por mérito próprio e para raiva de toda a gente, pela porta grande do Centro da Política.
Pela minha parte, também entrei num novo ciclo da minha vida eleitoral: depois de uma brevíssima fase em que votei por paixão, e da fase seguinte, em que votei sempre contra qualquer coisa, e da breve primavera em que julguei votar "útil", cheguei agora à derradeira fase do cinismo, que é votar "porco" e votar "sujo", ou seja, escolher aquele quadradinho que eu sei que vai provocar mais estragos e deixar mais gente furiosa. Assim fiz nas Legislativas e assim fiz em Lisboa, círculo por onde voto, e peço imensa desculpa a António Costa, pessoa a quem, contrariamente ao que muita vez parece transparecer no que escrevo, tenho em boa conta, tirando o pormenor de ele acreditar que não há pedófilos em Portugal, olhe que há, senhor doutor, olhe que há..., e trocava 100 maus caráteres, tipo Sócrates, por um gajo bonacheirão e verdadeiramente inteligente, como o Costa: temos, em comum, virmos de uma família de escritores, e gostei de trabalhar com o pai dele, Orlando Costa, um gajo bem digno, risonho e elegante.
De aqui, pois, os meus parabéns ao filho.
Atirado por Sócrates, para não lhe fazer sombra no Largo do Rato, conseguiu, pelos seus próprios meios, passar de Presidente da Câmara do Martim Moniz (60 000 votos que o elegeram...), para Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É uma vitória e uma ameaça para o lugar de Primeiro Ministro, que o indigno Sócrates se arrisca a não preencher muito tempo. Ao contrário de Sócrates, poderíamos ter, com António Costa, um regresso ao bom nível humano e à boa educação do Guterrismo.
Há neste louvor, todavia, um terrível senão, e é evangélico: Cristo, quando se sentou à mesa da Última Ceia, tinha um Judas, preparado, lá na ponta. A Primeira Ceia de António Costa, como bem compreenderão, está já pejada, ao início, de muitos mais judas do que convivas...
Boa Sorte.

(Eu sei que muito ansiosamente esperado, no "Aventar", no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra Isabel Alçada", no "Democracia em Portugal", no "Klandestino" e no sempre livre e rebelde "The Braganza Mothers")

20080521

O Professor Único

By KAOS
Dedicado à Kaotika, à Moriae, à C. Rolo e a todos os totós que ainda não perceberam que a verdadeira Educação é a liberdade de poder andar na rua, a dizer palavrões, de telemóvel, naifa, e a assaltar bolsas de cotas, em dia de receber a pensão ("Sou titular de roubar velhas, ó chavalo!...)
Estava eu a pensar, andamos nós aqui a perder tempo, há uns dias, em redor de coisas que não valem um corno, o fim do mundo já aí vem, com os Judeus a especularem nas Bolsas o preço do petróleo e do arroz, e as crises nervosas da badalhoca, o que nos anda a fazer falta é um daqueles textos de caixão-à-cova, que são citados nos blogues todos, e no "Público", e no "Sol", e no "Expresso", e na "Sic", e etc e tal, e que aparecem nas anedotas todas da esquina do dia seguinte, e a modos que,
derivado a isso,
penso de que
estava na altura de o escrever, mãos à obra,
"portantos",
hoje, a Comissão Nacional de Educação, ou lá como se chama essa porcaria, através de um gajo que parece um daqueles que estão pintados, em cor de múmia escura, desde o séc. XIX, nos Passos Perdidos da Assembleia da República, e que não deve ter evoluído muito desde então, excepto através de umas reformas que fracassaram em França, há vinte anos, e, portanto, estão maduras para aplicar já por cá, veio dizer que deviam fundir o 1º Ciclo, com o 2º Ciclo, isto, para os mais antigos, quer dizer que a velha Quarta Classe ia cavalgar o velho Ciclo Preparatório, com uma pequena diferença, que é a de aquela professora única, que dava reguadas, e punha orelhas de burro, e obrigava as criancinhas a calcular decâmetros cúbicos em hectómetros quadrados, e a saber, de cor, as linhas todas que ligavam as cubatas do Distrito do Bié, ia agora também dar aulas aos mais velhinhos, na terminologia moderna, aos 5º e 6º anos, ensinando-lhes tudo ao mesmo tempo, Português, Matemática, Francês, Geografia, Ciências da Natureza, História, e o resto mais, justamente quando eles já começam a dar ares da sua graça, e a atrair os olhares daqueles cavalheiros do "Casa Pia", cujos nomes vieram a público, mas foram apressadamente arrumados na gaveta, valha-me deus, gente séria e honesta não tem vícios desses, isso é só para o Bibi, a modos que, devido a essa iluminação do Conselho Nacional de Educação, as criancinhas iam ficar muito traumatizadas, com passarem de um professor para vários, em vez de estarem fechadas sempre na mesma sala, a apanhar reguadas, e com chuva em cima, e a criar bolor, defronte de mapas fedorentos com as culturas do cacau de São Tomé e Príncipe, e as mamas das pretas de Mozambique, e mais a fotografia do Maior Português de Sempre, e esse cavalheiro do séc. XIX devia era sair do seu cantinho bafiento e ir vê-los, sexta e sábado à noite, ali, para Santos, os pívias todos, à porta das discotecas, muitos deles ainda sem buço, para perceber que o grande traumatismo é não haver papel para uma b'jecas, e o porteiro dizer "hoje não entras aqui, ponto final!...".
Claro que eu estou a misturar tudo, mas isso é indiferente: eu sou um criador de textos das Novas Oportunidades, de maneira que vale tudo, até o ombro esclerosado do Paulo Pedroso, e comecei a pensar bem, a pensar bem, a pensar bem, e descobri que a figura queirosiana até tinha razão, isso do professor único era uma ideia bués bem esgalhada, porque ia pôr na rua não sei mais quantos professores, portanto, ECONOMIZAR,... calma, economizar, mas coma desculpa dos... "traumatismos", mas, eu, que sou pessoa de visões largas, pensei, não, a coisa não pode ficar por aí, deve ter um alcance ainda mais vasto, então, as criancinhas, que já nem uma conta sabem fazer, ou soletrar, por debaixo do retrato do Maior Português de Sempre, o nome que lá está escrito "S-Ó-C-R-A-... Sócra o quê, senhora professora, não percebo!...",
e foi então que se me fez a verdadeira luz: isso do Professor Único era uma Epifania do que o berço-dá-o-caixão-o-leva, e o Professor Único era uma coisa, eventualmente, para começar na cama da mãe, mal casada, ir por ali fora, 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, 6º... e... e... a novidade vem aqui..., o jovem ia crescendo e o professor com ele, sempre por ali, fora..., por ali fora... por ali fora..., até chumbar nos Exames do 9º Ano, e... e... e... ainda mais além, a levá-lo ao colo até ao 12º, e a sentá-lo, depois, nos bancos do Primeiro Ciclo de Bolonha, e... e... e... acompanhá-lo até ao fim, ao "Mestrado" (cof. cof. cof...), já meio cheché, daqueles que usam uma meia de cada cor, tipo Professor Tornesol, com um teclado todo deitado para fora das beiças, como o do Mariano Gago, que parece um Piano Steinway, depois de ter galgado três lanços de escada abaixo, num prédio velho da Mouraria, e o curso terminava numa apoteose, que essa é que acho que vocês, que, se já estavam de boca aberta até aqui, ainda vão ficar mais, porque este percurso do Professor Único NUNCA poderia culminar num Diploma, não... mas, sim, acabar num cartãozinho de visita do já-fiz-a-cadeira-pois-obrigado... e essa, sim, será a generosa revelação: que cada Português possa ter a alegria de ter sido um pequeno sócrates, com um professor único no início dos estudos, e um professor único, no final da Academia, como Sua Excelência, o Primeiro-Ministro da República das Bananas, que teve uma alma boa, que lhe deu tudo, na recta final, as Estruturas Especiais e Não-especiais, e um Projecto de Cúpula, baptizado de Benza-te-Deus, e com o motorista do Estado, à espera, à porta... e, olhe... até poderia ser a fumar!...
De aí, o Inglês, logo no berço, mas não seria qualquer Inglês, teria de ser Inglês Técnico, porque ter Inglês Técnico, na Primária, dá de comer a um milhão de Portugueses..., ah, sim... e mais a Música, sim, porque a Música é que nos andam a dar, até ao dia em que nos fartarmos e fizermos saltar um destes gajos com uma valente marretada nos cornos...
Ah, já me esquecia: professores únicos é uma espécie rara. Raríssima. Sugiro o próprio Preceptor de José Sócrates, António Morais, ou alguns, poucos, outros, que têm a escola toda. Ensino Público para quê, se nos podemos sentar ao lado de Isaltino Morais, Pinto da Costa e do "Major", e... aprender?...
"Professor Vítor Constâncio, por favor, ensine-me então lá como é que é..."
Puta que os pariu!...