Mostrar mensagens com a etiqueta portáteis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta portáteis. Mostrar todas as mensagens

20070916

O Milagre da multiplicação dos portáteis

Imagem do Antero
Não comentarei a campanha de propaganda que o governo lançou a propósito da distribuição de portáteis. Limitar-me-ei a fazer contas, desperto por uma postagem do Fliscorno a este propósito e, porque à falta de melhor entendimento, sigo a sabedoria de que “quando a esmola é grande o pobre desconfia”.

A origem da campanha está relacionada com contrapartidas assumidas no licenciamento das comunicações móveis de terceira geração por parte da Portugal Telecom, Vodafone e Sonaecom. Deste contrato, é muito pouco claro, “quem dá o quê” pelo que, o mais certo é que ninguém dê nada. O governo vende o engodo e as operadoras angariam clientes. A questão está em saber o que os clientes têm a ganhar.

Façamos contas. Corrijam-me naquilo que estiver errado.

Tomemos o exemplo dum aluno inscrito no 10º ano de escolaridade inserido na opção banda light TMN (22,5€ de mensalidade – 5€ oferta do governo = 17,5€ mensais)

Computador 150€ + 36 meses X 17,5€ mensais = 780€, ao fim dos três anos de obrigatoriedade de manutenção do contrato.

Velocidade de 384 Kb/s e 1GB de tráfego.
Tráfego adicional 0,025€/MB = 25,6€/GB

Note-se que esta velocidade é de caracol e que 1GB de tráfego (nacional e internacional) não dá para ninguém navegar descansado e ainda mais se se for jovem. Sendo assim, não será de espantar que a generalidade dos utilizadores tenha de pagar em média 1GB de tráfego adicional mensal ou seja, no conjunto, 36 meses x 25,6€=921,6€.
Teremos, neste caso, um preço total de 921,6+780=1701,6€

Façamos agora contas sem a caridade do governo e da TMN.
A FNAC tem à venda um dos computadores da campanha (Portátil Fujitsu Siemens AMILO Pro V3515 Edition) por 499€ (o tal valorizado em 800€) que também pode ser pago em suaves prestações mensais.

Tomemos os preços da SAPO ADSL (sem ter em atenção os preços em campanha até Dezembro).
Na modalidade mais simples, 18,49€ de mensalidade:
Velocidade 256Kb/s (inferior à da campanha), tráfego nacional 5GB e internacional 1GB (bastante superior ao da campanha).
Tráfego adicional nacional 0,10€/100MB e internacional 1,5€/100MB (preços substancialmente inferiores aos da campanha)

Neste caso o custo total será: 499€ + 36 meses X 18,49€ = 1164,64€.
Mais caro portanto 384,64€ mas apenas o equivalente a 15 GB de tráfego adicional em preços TMN.

Se fizermos as contas para o SAPO, 2Mb/s de velocidade, tráfego nacional ilimitado, internacional 10GB, 18,49€ mensais teremos a diferença compensada com uns meros 24GB de tráfego adicional a preços TMN.


Para os menos informados, note-se que a modalidade mais popular da SAPO é a de 8MB/35,58€ com tráfego nacional ilimitado e 50GB de internacional para quem adere à factura electrónica e ao débito directo.

Em resumo, existem grandes probabilidades do barato sair caro se os aderentes não tiverem uma vigilância permanente sobre a quantidade de tráfego efectuada. 1GB não é nada! Vão existir surpresas de facturação, talvez não as tenham os que façam um uso tão limitado como o dos senhores que negociaram o acordo. Sabe lá o Sócrates o que é 1GB!

NOTA: o serviço SAPO-ADSL é dos mais caros, é desavergonhadamente caro. Outras operadoras oferecem soluções bem mais baratas que incluem o telefone e outros serviços.