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20081205

«Um passo atrás no futuro»


Maria de Lurdes Rodrigues, hoje no parlamento mostrou-se disponível para discutir tudo. E continuou a insistir que este ano é preciso é levar a avaliação para a frente e, para o ano que vem logo se há-de negociar, o que importa é que se vá fazendo. Foi a intervenção do EU EU EU, como disse o outro maranteu - ou seria da UE, UE, UE? Talvez das duas porque a teimosia de uma é o cumprimento das directivas para a educação e suas sinistras políticas da outra, numa perfeita simbiose. As palavras da ministra soam a falso, soam ao falsete de um tom magoado, rancoroso, de não a deixarem levar a sua avante. Queria tanto ser ela a desempenhar aquelas ordens e a desmanchar por suas mãos a classe dos professores… Talvez seja a sua alma anarquista bastando-se a si própria, colando estampilhas na Batalha, sem revolta, completamente serena, tranquila, como quem está certo de estar a cumprir uma missão. E que missão: esta gente é ditadora e quer-se fazer passar por anarquista, por socialista, por ex-maoista, quando afinal não passam de paus mandados, cumpridores e obedientes do plano arquitectado pelas instituições da UE, Bilderbergs e o diabo que os leve. O plano do esvaziamento e da destruição da função pública e dos serviços públicos. O aval da pilhagem dos fundos dos bancos e a transferência de capitais através de nacionalizações temporárias, enquanto existem prejuízos monumentais que o Estado financia, para depois, já recompostos e lucrativos, regressarem ao seu estado “natural” de entidades bancárias privadas. Todos esses escândalos que se têm passado com este governo mas que também se teriam passado com outro da mesma laia. Esta UE não tem nem dá futuro. Este governo, esta maioria de passagem está condenada. É preciso ter um povo muito estúpido se depois disto tudo voltam a votar neste PS ou no outro partido do vergonhoso e calamitoso alterne. Tiranos são os que se mantêm no poder quando já não são queridos. Julgam-se cheios de razão, desprezam a vontade do povo, prosseguem obstinados impondo leis absurdas.
Esta tirana desta ministra está um caco. Presa por que sinistros arames?

20080316

Experiências de Unidade em Defesa da Escola Pública

Marcha da Indignação, Lisboa 8/Março
(100 000 cidadãos unidos)


«Quando podemos encontrar-nos com os pais e explicar-lhes como funcionam as coisas, as relações são em geral boas e sentimo-los prontos a agir de acordo connosco», diz Odile Dauphin, professor de história e geografia. Há dois anos, estava eu no Henri-IV, aquando da reforma Allègre do ensino secundário. Com o SNES (Sindicato Nacional do Ensino Secundário) e o SNFOCL (Sindicato Nacional Força Operária das Escolas Básicas e Secundárias), conseguimos juntar mais de duzentos pais para os informar do que estava a ameaçar os seus filhos e o ensino em geral. «A reunião, realizada num sábado de manhã, correu bem, foi aprovado um apelo comum, e aquando da nossa greve, que durou três semanas, contámos com o apoio, e por vezes mesmo com a participação, de pais em muitas manifestações, apesar de tudo isto ter levado à desorganização do ensino. Aliás muitos pais fizeram a ligação com o que se passava ao nível do seu trabalho (hospital, correios...) e se não pudemos propriamente criar um "soviete Henri-IV", soprou nesse ano um vento de revolta no cruzamento da Rua Clovis com a Rua Clotilde, muito solidário com o que então se passava nas famosas escolas secundárias dos subúrbios.»

(in Maurice T. Maschino, Pais Contra Professores, França, 2002, Ed. Campo das Letras)