20080225

Carta de Zeferino Lopes, Professor de Filosofia

[Carta de um colega, retirada de saladosprofessores.com]

Colegas, vamos fazer contas. Corremos o risco de cair numa armadilha mortífera. São quatro categorias para avaliar (isto apenas para os professores que não sejam também avaliadores, senão são cinco):

- planificação aulas,
- execução,
- relação pedagógica,
- avaliação dos alunos.

Cada uma das categorias tem 5 (cinco) itens para avaliar. O que quer dizer que são 20 itens.
Em cada item é necessário:

- observar,
- reunir elementos de prova,
- enumerar,
- calcular percentagens,
- ponderar entre 3 e 4, 5 e 6, 7 e 8, p. exemplo, e decidir,
- atribuir um valor na escala de 1 a 10 e registá-lo;
- depois converter esse valor para a escala de 1 a 4 e registá-lo na ficha do Ministério.

Se, para cada item, forem precisos 10 minutos, em média, serão necessários 200 minutos para a avaliação de 1 professor. 200 Minutos significam 3 horas e 20 minutos.
Note-se que cada avaliador tem que repetir o processo por cada aula assistida nalguns aspectos, por cada ano no caso dos contratados, imaginem o tempo que será necessário para avaliar 1 professor ao fim de 2 anos? Não serão 3h e 20 minutos, mas 6horas e 40 minutos. Ou seja, é necessário um dia de trabalho para cada avaliação.
Se somarmos as aulas assistidas: três blocos por ano teremos mais 4 horas e 30m por ano o que é igual, ao fim de 2 anos, a 9 horas o que dá um total de 15,5h para cada avaliação de cada professor.

Se cada avaliador tiver 10 professores a avaliar, 77,5h, por ano, e 155h em 2 anos, fora as reuniões e entrevistas! Não esquecer as obrigações como professor com o seu horário normal.
Se tiver 20 professores, serão 310 horas ao fim de 2 anos e 155h por ano, etc.
Podem dizer que os itens se preenchem durante a aula assistida. É um sofisma. Temos que ter em conta que a grande maioria dos itens não pode ser preenchida durante a aula assistida como observação e avaliação dos planos de aula, número de avaliações, seu rigor, auto-avaliação dos alunos, valorização do progresso dos alunos, etc., etc.

É necessário recolher todos estes meios de prova, arquivá-los e, depois, analisá-los e avaliá-los com as operações acima descritas, o que exige muito tempo. Isto é exigir o impossível e depois, com ou s/ intenção de que por trás disto está uma medonha artimanha de empurrar os professores mais velhos e mais caros, os titulares, para a reforma antecipada e penalizada, não deixa de ser indecente o que nos pretendem fazer e, inutilmente, como é fácil demonstrar! E substitui-los por professores novos muito mais baratos e sem redução horária? Não é intencional! Mas quem ganha? Ganha o Estado (ou aqueles que se apropriaram, legitimamente, do Estado em proveito próprio?!).

Quem perde? O país real e os professores.

Sinto-me indignado porque me valorizei cientificamente (mestrado e doutoramento), às minhas custas e com um esforço inenarrável, sem prejuízo das aulas e dos alunos, bem pelo contrário (o enriquecimento do prof. reverte a favor dos alunos) o que me deixa perplexo quando me dizem que "não quero ser avaliado", para ser chutado desta maneira, para a reforma, com o chicote do trabalho burocrático impossível! Isto é que é uma boa gestão de recursos humanos, pelo nosso ministério?

Zeferino Lopes, Professor de Filosofia, Esc. Sec. Penafiel, 24 de Fevereiro de 2008.

4 comentários:

C Rebordelo disse...

Existem escolas, como a minha, onde a avaliação está a ser encarada sem stress. Todos sabemos que no mínimo temos Bom. Os outros também estão identificados: CE, CP, os dinamizadores de Clubes de Projectos Educativos e da Biblioteca (uma das melhores do país). Todo o processo burocrático vai ser realizado à Lagardère para encher o ME de areia.
Se todas as escolas fizessem isso, talvez a opinião pública não ficasse intoxicada contra os professores de não quererem ser avaliados. Devemos aceitar a avaliação do desempenho e sabotar, pela positiva, as intenções da ministra.
Em outras escolas, todos os professores vão ser avaliados em Excelente e o ME que resolva o disparate.
O problema reside no facto de haver alguns idiotas que querem ser mais papistas que o Papa e colocam as escolas em estado de sítio.

Moriae disse...

Capitão, há um ano atrás, ou por aí, acharia a ideia interessante. Neste momento, acho-a detestável.

Eugénio desgraçado disse...

concordo com o C Rebordelo, tanto mais qto na minha escola (eugénio de castro - coimbra) há um idiota desses. O homem, o ano passado, até queria prejudicar uma colega por causa da licença de casamento!É mais lurdista do que a milú.

Anónimo disse...

Só quero dizer ao Sr.Zeferino Lopes que eu não percebo porque é que ele se preocupa tanto com o tempo ele a mais de 20 anos que não muda a maneira de dar aulas é sempre a mesma coisa eu vou ditar umas perguntas vozes lêem as pag.xx e quando faltar 30 minutos para a aula acabar eu dito as respostas e é assim que se passa uma aula de filosofia. Já agora eu não posso assinar porque uma das coisas que ele gosta de fazer é queimar pessoas quando elas não possuem as mesmas ideias dele.