20080307

Mais outro texto solidário!

[07-03-2008]
Como nos escreveu Maria Amélia Campos, a escola pública não é hoje uma escola de elites, mas de massas, que se pretende integradora e inclusiva. Muitas vezes, acabam por ser os professores a procurar corrigir desvios sociais que não lhes competem, como pagar, do seu bolso, alimentação a alunos com fome.
Os professores não são operários numa linha de montagem, nem a escola é uma fábrica a trabalhar de empreitada numa concorrência desenfreada, para atingir "melhores resultados", nem tão pouco os alunos são roscas e parafusos, para atarraxar como calha.
Há um enorme aventureirismo nas medidas que o governo quer impor à força. Não se podem decalcar reformas educativas de outros sistemas para o nosso, sem primeiro as estudar e fasear.
Mas eles não entendem, nem querem entender. Estão convencidos que são o Estado, que são a Lei, que são a Escola. Ainda não perceberam que não têm nenhum "mandato divino" para exercer o Poder em nome do Povo.
Os protestos sucedem-se. Nunca nenhum governo democrático conseguiu provocar tamanha unidade dos docentes contra as suas políticas educativas. Os ataques sistemáticos à dignidade profissional da classe docente, culminando no modelo iníquo de avaliação de desempenho e no novo modelo de gestão, levaram à unidade progressiva dos professores e à tomada de consciência que está em marcha uma "reforma" subordinada a uma agenda política oculta. O principal alvo é a escola pública e a qualidade do ensino, para abrir caminho aos negócios privados, tal como tem vindo a acontecer no sector da saúde. »
Continuação

2 comentários:

Tiago Carneiro disse...

Fraudes Políticas (na Educação)

Desculpem-me incomodar-vos mais uma vez mas sinto-me obrigado a esclarecer (e desabafar) algumas coisas que o Sócrates e a lurdes andam a esconder:

Permitam-me então que apresente as tais fraudes políticas:

1- O inglês no ensino básico bem como a expressão musical ou dramática de que este governo tanto se gaba
Sabem quanto ganham esses professores? 7 às vezes 6euros à hora a recibos verdes (sei que existiu pelo menos uma câmara municipal a fazer uma espécie de leilão para ver quem aceitava o valor mais baixo!!!????) e ainda têm de se deslocar de escola em escola sem qualquer apoio na
doença e claro sem subsídio de férias e natal. Sem um contrato onde o estado ou as câmaras assumam as suas responsabilidades.
O tal investimento provocou um desemprego massivo em ATLs que já existiam e empregou pessoal qualificado de uma forma vergonhosamente precária.

2- Os cursos profissionais.
Para estes governantes basta imprimir e enviar uns programas para as escolas para criar cursos profissionais.
Investir em material e formação aos professores não interessa (os professores já são obrigados a fazer formação para progredir mas têem de a pagar do seu bolso!!???)
Dou um exemplo na minha área, as TIC apareceu um curso onde devo leccionar entre outras coisas 3D Studio Max, um programa caríssimo e cuja formação de centenas de horas custa à volta de 500€uros. Mas acham que se preocuparam em pagar formação aos professores? Não, enviam o programa a gente que se desenrrasce e depois avaliam-nos. (Isto é que é pensamento estratégico)

3- A prova de acesso à docência
Pois eu sou engenheiro informático e já dou aulas à 4 anos mas para ter as habilitações completas para leccionar inscrevi-me na universidade pública (FCUP) para obter uma licenciatura de informática reconhecida como habilitadora para a docência. 1000 €uros de propinas/ano mais gasolina e portagens e tempo gasto (investido? ) para ser um professor qualificado. Agora mudou, o curso só ainda não chega. Apresentam-nos umas novas provas de acessos
à docência (3 no meu caso) nas quais a nota mínima é 14 (aqui realmente não há facilitismo). Se tirar 20 em duas provas e 13 numa já não posso dar aulas!! Quer então isto dizer que o curso da
FCUP não vale nada??
Que uma universidade pública e os seus cursos de docente são uma fraude???
Mas eu dou aulas há 4 anos!!! Será que sou um terrorista??
Mas eles têem-me explorado bem no ano passado dei aulas a 5 disciplinas diferentes e este ano tenho 15 turmas!
Se eu tirar 13 nas tais provas e não servir para ser professor então todos os alunos que eu passei até agora foram a avaliados por uma pessoa não qualificada!!?!??

No decreto lei sobre as tais provas, reparem na segunda página no ponto 3 do artigo 5º:

3) A componente comum da prova pode, ainda, avaliar conhecimentos e a capacidade de reflexão sobre a organização e o funcionamento da sala de aula, da escola e do sistema educativo.

Vou ter de me pronunciar sobre o que acho desta fantochada !? e vou ser avaliado pela minha opinião!!??? Tou lixado

4- A avaliação dos professores
Para ser professor é preciso passar por muitas provas específicas mas depois qualquer colega de qualquer disciplina me poderá avaliar.
Eu sou, além de professor contratado numa escola, estagiário noutra e no meu estágio tenho uma orientadora formada em TIC e com experiência que assiste a,pelo menos, 15 aulas que lecciono para me avaliar.
Sei que é impossível um professor de Matemática opinar objectivamente sobre as metodologias de um professor de TIC e vice versa.
Mas meus senhores, com este processo, teremos por exemplo professores de Educação Física a avaliar professores de Música. (Já não percebo nada, é preciso cursos e provas mas depois qualquer um pode opinar sobre o meu trabalho???)
Isto esquecendo que são colegas e que há grandes amizades ou conflitos.
Isto para não falar de que se um professor apanha uma turma com as notas inflacionadas no ano anterior, se as corrigir prejudica a sua avaliação.

5 - Gestão escolar
As escolas têem-se gerido muito bem na sua maioria, todos os estudos o confirmam e ninguém os desmente.
Este executivo esquece-se das pessoas e agarra-se a uns números que dizem muito pouco.
"Diminuímos o abandono" "Aumentamos o sucesso" heheheh claro então se o professor é prejudicado se o aluno abandonar ou chumbar se o aluno pode faltar à vontade (onde é que está a valorização do mérito?)

Então já perceberam não é?
É necessário um gestor numa escola com mais poderes que o conselho pedagógico cujos membros até agora são eleitos, para continuar estas políticas de números, sem sentido e que vão
condenar o país a muito curto prazo.
A escola é onde se constrói o futuro. Acabando com a democracia nas escolas, premiando o facilitismo em vez do mérito, controlando os professores com burocracia em vez de lhes dar autonomia e formação teremos concerteza um futuro pouco risonho.

6- A "integração" de alunos com deficiência no ensino normal.
Vou falar do meu caso pessoal. Não tenho nem me foi dada na universidade capacidade e conhecimentos para trabalhar com alunos que têem necessidades educativas especiais. Claro que me podem dar formação e me poderei adaptar.
Mas o que aconteceu foi que tenho vários alunos com atrasos bastante acentuados e que necessitam de um apoio especializado ou pelo menos individualizados. Ora eu tenho-os "integrados" numa turma com mais dezanove alunos!
Eu tento, mas não consigo dar-lhe nem a atenção nem o estímulo que eles mereciam. E quando o faço, porque tenho de o fazer não só porque me mandam mas porque sou humano, estou a descurar oresto da turma e vice-versa. (Isto não é investimento na educação. O TGV é que é absolutamente decisivo para o país? mas reduzir o número de alunos por turma nem por isso.)

7- Uma questão de princípio
Ouvi há uns dias um representante das escolas privadas falar que a avaliação já existe em muitas delas mas de uma forma completamente diferente.
Eles partem de um princípio: Vamos melhorar a escola.
E todo o processo não é condenatório para ninguém mas sim para descobrir falhas e oportunidades de melhoria.
Claro que assim todos contribuem e assumem as suas imperfeições. E os resultados apareceram e as melhorias foram notórias.

No caso deste governo começamos por um fim: Vamos poupar dinheiro.
Vamos falar de "premiar o mérito" vamos dizer que os professores ganham muito e como anda toda a gente mal vão logo concordar em bater nestes gajos.
A verdade é que
Um professor nunca ganhará tanto como um mau deputado que ainda nem se licenciou e só lá está por ser do partido, um professor nunca ganhará tanto como um péssimo secretário de estado ou como uma péssima ministra que em vez de falar com as pessoas para construir algo melhor num estilo de liderança moderno entra a atacar os os seus recurso humanos como se estes fosses uma cambada de "malandros" cheios de previlégios que na verdade deviam ser os direitos de qualquer trabalhador qualificado e previlégios esses que não chegam aos pés dos adquiridos por centenas de boys em cargos de nomeação directa.

Dividir para reinar assim vai o estado da nação
Acomodar o povo a lógicas irreais sem contestar e com muito medo
O motor da economia são 400 mil desempregados
Se queres, queres, senão... há mais miseráveis que esperam para ser explorados.
Se é para dizer bem ok, agora se for para discordar já consideramos uma manifestação e tens de preencher muita papelada
SAÚDE, EDUCAÇÃO, JUSTIÇA E SEGURANÇA?? para isso não há dinheiro
TGV, ALCOCHETE, FUTEBOIS E CONSTRUÇÕES isso é que é porreiro

Para mim isto é simplex

ASSIM COMO ESTÁ
NÃO É PORREIRO PÁ
http://democraciaemportugal.blogspot.com

Moriae disse...

Tiago, vê o mail por favor