20080328

Um imbróglio chamado Maria de Lurdes Rodrigues!

Imagem do amigo Kaos
A Senhora Ministra obrigou, por Despacho de 18/07/2007, os Conselhos Executivos a atribuir a leccionação de disciplinas a todos os professores, desde que estes tenham “ habilitação adequada”! E habilitação adequada é tudo e nada! É ter umas luzes de qualquer coisa que permita ao Estado poupar na contratação de um professor! Não está definido em lei o que é “ habilitação adequada”! Tem sido, ao longo destes três anos, aquilo a que, vulgarmente, se chama “ ter jeito” para a coisa! E depois queixam-se?!

Depois, os professores dão aulas de substituição de qualquer disciplina, independentemente da sua área científica! E de graça! O professor sabe sempre fazer qualquer coisa e dizer qualquer coisa, claro, mas nunca substituir um Professor de uma área científica completamente diferente da sua! Isso não será aula de SUBSTITUIÇÃO já que não substitui coisa nenhuma! Ocupa os alunos! Daí que o Ministério tenha, ele próprio, assumido a sua intenção e alterou a terminologia dessas aulas para TOA, TEMPO DE OCUPAÇÃO DE ALUNOS. Poupa-se na contratação de funcionários e colocam-se os professores a fazer de amas e a tomar conta dos alunos, andando à toa, mas evitando que rachem as respectivas cabeças! Em vez de estarem a preparar as suas actividades ou a resolver problemas maiores, estão a fazer o trabalho que qualquer funcionário de acção educativa poderia e deveria fazer! Ou seja, até ver, os Professores fazem o trabalho deles e o dos Funcionários. Não se sabe quando é que a Senhora Ministra resolve que, na mesma óptica, os Funcionários que revelem “ habilitação adequada” possam também começar a leccionar!

Os professores dão também, gratuitamente, aulas de Reforço Curricular! As aulas de apoio a alunos com dificuldades são, desde há três anos, consideradas NÃO LECTIVAS! E, portanto, não são pagas! Se não são “ lectivas”, se não são pagas, deverão os professores preparar actividades e dar a aula como se o fossem?! Uns o farão, mas outros não! Nenhum professor pedirá a exoneração, se a Senhora Ministra o obrigar a leccionar aquilo que não sabe! Se o obrigar a trabalhar horas de graça! Mas, daqui a uns tempos, os resultados de toda a balbúrdia estarão ainda mais à vista de todos. Depois, quando já não houver remédio, chamem a Senhora Ministra e peçam-lhe responsabilidades pelo caos entranhado na escola Portuguesa! Há problemas graves na Educação, em Portugal! E, o primeiro deles, chama-se Maria de Lurdes Rodrigues! E, enquanto a Senhora Ministra for a Ministra da Educação, os problemas acumular-se-ão como papéis sobre a mesa!

A Senhora Ministra dividiu a carreira em duas categorias. Os professores, até aí ordenados em função do seu tempo de serviço, viram-se, num estalo, ultrapassados por tudo e por todos! As regras foram alteradas e surgiu uma espécie de “ novos-ricos”, dentro do sistema a quem ninguém reconhece legitimidade ou valor! Embora haja muitos Titulares que o são por direito e competência reconhecida, a grande maioria está longe de o ser! Os “ seniores” como a Senhora Ministra já lhes chamou são, em muitos casos, os juniores das listas de antiguidade existentes nas escolas! Os mais novos ultrapassaram os mais velhos e, portanto, supostamente, os mais experientes e mais competentes! É assim que encontramos professores na mesma escola a serem avaliados por outros colegas que foram, simplesmente, seus alunos! É assim que encontramos uma carreira, talvez a única no país, onde os Bacharéis podem avaliar Licenciados (já acontece, actualmente, nas escolas onde os Coordenadores de Departamento são Bacharéis), onde um Licenciado pode avaliar um Doutorado! Ou um colega com o Mestrado a avaliar um outro com o Doutoramento! E, como no próximo Concurso a Titular também poderão concorrer todos os Bacharéis, a situação agrava-se! Alguém aceita, de ânimo leve, um Bacharel a avaliar um Doutorado? E que dizer daqueles que, numa espécie de Novas Oportunidades da altura, se Licenciaram em meia dúzia de meses e que têm, na verdade, o antigo 5º Ano dos liceus? Qual é o Professor que se vai deixar avaliar, sem recorrer às instâncias que a lei lhe permite, por um colega que tem, declaradamente, menos habilitação, menos anos de serviço e, tantas vezes, muito menos obra?! E não vou falar, desta vez, das habilitações de alguns elementos de Conselhos Executivos, mas seria bom que eles ajudassem a suspender este modelo de avaliação!

A Senhora Ministra criou um grande imbróglio no Sistema Educativo Português e, ou ela sai rapidamente, ou não haverá Tribunais que cheguem para resolver os casos que se adivinham! Pela minha parte, só admitirei que alguém com menos habilitação e menos experiência do que eu me avalie, quando, em 90 minutos, conseguir resolver um dos testes de 12º Ano, que dou aos meus alunos! Por isso, preparem-se!
Marta Lourenço

1 comentário:

Maria Afonso disse...

Excelente artigo, Marta Lourenço.