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20090504

' ... acreditem, da maneira que vai …vai piorar'

Imagem em : www.f1bolao.com.br/
"Os escritores devem escrever. Qualquer pessoa tem a obrigação de pensar e o direito de expressar-se. Claro que isto não acontece num país de analfabetos, onde não se tem interesse em que o povo pense: um povo informado escolheria outros líderes, não ficaria calado quando pisam a sua honra, expulsaria dos seus cargos os pseudo-líderes e tentaria recompor as instituições aviltadas. Mas nós não fazemos nada disso: parecemos analfabetos e apáticos, uma manada de tolos assistindo às loucuras que se cometem contra nós, contra cada um de nós.

E eu, que desde criança fui ensinada que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, mas para pensar, questionar – e também para ser feliz –, neste momento, não sei o que pensar. Muito menos o que responder quando me perguntam interminavelmente o que é que eu acho, como me sinto.

Estou a ficar pessimista. Não na minha vida pessoal, mas em relação ao país. Ou melhor: aos seus governantes, autoridades, homens públicos, políticos. Mal consigo acreditar no que se passa. A cada dia um espanto, a cada dia uma decepção, a cada dia um desânimo e uma indignação.

Este é o país dos tolos, que pagam impostos altíssimos e quase nada recebem em troca; o país dos tolos, que não distinguem um homem honrado dum patife, uma acção para o bem geral, de uma manobra para encher os bolsos ou galgar mais um degrauzinho no poder a qualquer custo; o país dos mistérios, onde quem é responsável absoluto não sabe de nada, ou finge ver outra realidade, que não a nossa. Hoje, somos o país dos sem-vergonha. A falta de pudor e o cinismo imperam. Entre os políticos, (com cargos ou não) impera um corporativismo repulsivo – ou temos todos rabinhos de palha? Nós, povo que se deixa enganar tão facilmente, que pouco se informa e questiona, vamo-nos tornando da mesma laia? Seremos também, concreta ou moralmente, vendidos? Quando eu era uma menina de escola, às vezes os rapazes insultavam-se a gritar “vendido!”, não me lembro bem por quê. Deviam ser questões desportivas. Um ponto não marcado, um golo roubado. Era um grave insulto. Hoje, parece que ninguém liga aos insultos, leves ou pesados – nada pega, tudo é água em penas de pato, escorre e acabou-se. Um povo “antiaderente”. Vemos líderes que se vendem em troca de comodidades, cargos, poderes, dinheiro, impunidade, preservação de algum sórdido segredo, ou simplesmente a covardia protegida. Quem nos deve representar foi pelo ralo abaixo. Quem nos deve orientar transformou-se em marioneta. Quem nos deve servir de modelo chafurda na lama. E nós, povo, arrastamo-nos na tristeza. Reagimos? Como reagimos? Pintamos a cara e saímos às ruas aos milhares, aos milhões? Paramos o país, pacificamente que seja? Tentamos mudar a máquina apodrecida? Não! Aqui e ali um tímido protesto, nada mais.

Surgem deputados que votam às escondidas porque não têm honra suficiente para enfrentar quem os elegeu; os deputados pouco confiáveis e duvidosos ministros, de onde surgiram? De nós! Nós é que os pusemos lá, nós votámos, nós permitimos que lá estejam e continuem – nós, através das mãos dos ditos representantes, instituímos a vergonha nacional que em muitas décadas será lembrada como um tempo de opróbrio.

Com pressentimentos nada bons, faço (embora sem grande esperança) um pedido: tolerância zero com tudo o que nos desmoraliza e humilha, perseguição implacável ao cinismo, mudança total nas futuras eleições, limpeza na assembleia, e câmaras, renovação positiva do país. Tomada de consciência urgente, pois, acreditem, da maneira que vai …vai piorar." (VM)

20090428

'Ao setôr Socras, à Milú, ao pai Bino e a alguns Encarregados de Educação!'

Imagem: Recado de Enc. de Educação para o professor!




Imagem: O referido trabalho de casa, é este que aqui consta………….


20090418

Somos mais do que professores do ano...

Professor do ano:
  • professor do ano foi aquele que, com depressão profunda, persistiu em ensinar o melhor que sabia e conseguia os seus 80 alunos.
  • professor do ano foi aquela que tinha cancro e deu as suas aulas até morrer.
  • professor do ano foi aquela que leccionou a 600 km de casa e só viu os filhos e o marido de 15 em 15 dias.
  • professor do ano foi aquela que abandonou o marido e foi com a menina de 3 anos para um quarto alugado. como tinha aulas à noite, a menina esperava dormindo nos sofás da sala dos professores.
  • professor do ano foi aquele que comprou o material do seu bolso porque as crianças não podiam e a escola não dava.
  • professor do ano foi aquele que, em cima de todo o seu trabalho, preparou acções de formação e se expôs partilhando o seu saber e os seus materiais.
  • professor do ano foi aquela que teve 5 turmas e 3 níveis diferentes.
  • professor do ano foi aquele que pagou para trabalhar só para que lhe contassem mais uns dias de serviço.
  • professor do ano foi aquele que fez mestrado suportando todos os custos e sacrificando todos os fins-de-semana com a família.
  • professor do ano foi aquele que foi agredido e voltou no dia seguinte com a mesma esperança.
  • professor do ano foi aquele que sacrificou os intervalos e as horas de refeição para tirar mais umas dúvidas.
  • professor do ano foi aquele que organizou uma visita de estudo mesmo sabendo que jorge pedreira considerava que ele estava a faltar.
  • professor do ano foi aquele que encontrou forças para motivar os alunos depois de ser insultado e indignamente tratado pelos seus superiores do ME.
  • professor do ano foi aquela que se manifestou ao sábado sacrificando um direito para preservar os seus alunos.
  • professor do ano foi aquele presidente de executivo que viveu o ano entre o dever absurdo, a pressão e a escola a que quer bem, os colegas que estima.
  • professores do ano, todo o ano, fomos todos nós, professores, que o continuamos a ser mesmo após uma divisão absurda.
  • professor do ano... tanto professor do ano em cada escola, tanto milagre em cada aluno.
...
***** ADENDA ****

jpvideira disse...
olá, boa noite. o texto do post é de minha autoria. chegou aqui já cortado/alterado. o original foi postado por mim nos "dias do fim" (http://diasdofim.blogspot.com/2008/11/professor-do-ano.html) em 24 de novembro de 2008. é bom saber que o texto continua "vivo". só escrevi este comentário porque uma das etiquetas do post é "desconheço o autor". pronto, agora já conhece... um abraço. jpvideira

Obrigada JP! Parabéns pelo texto! Obrigada,
M.

20090327

Hurtiga, desculpa lá sobrepor este post mas ... é algo completamente diferente e ... bonito! Bjos amiga

Amigos,

Amanhã os Pequenos Cantores partem para Paris, para actuar na Eurodisney e na Câmara parisiense, coisa que nos enche de MUITO ORGULHO, até porque no primeiro caso se trata de uma verdadeira vitória: para cantar na Disney o Coro foi alvo de uma avaliação muito exigente e conseguiu a aprovação. É o Coro juvenil mais antigo do país e o segundo a actuar em terras do Mickey e seus compinchas no programa Magic Music Days (que existe desde 1992...).
O espectáculo será na segunda-feira às 14h. A essa hora, pensem no nosso Coro colorido de vozes juvenis a encher de músicas
lindas aquele teatro e fiquem vaidosos a valer.

Venho convidar todos para irem à Esc. Sec. José Falcão desejar boa viagem e dar um forte aplauso aos coralistas, pouco antes das 16h, hora a que sai o autocarro.

Afinal, vão ser as vozes juvenis de Coimbra-Portugal que vão cantar e encantar. E isso diz respeito a todos, mesmo que não conheçam nenhuma das crianças, nenhum dos jovens dos Pequenos Cantores de Coimbra, ou não é?

Esperamos por todos...

Até amanhã!

Abraço da
Teresa Carreiro

20090317

Informação: CONCURSO PARA VAGAS DE ESCOLAS PRIORITÁRIAS

"Exmo(a). Sr.(a) Prof.(a)

CONCURSO PARA VAGAS DE ESCOLAS PRIORITÁRIAS

De acordo com informações obtidas na reunião de 13 de Março com a DGRHE, informa-se que:

-O concurso para vagas de escolas prioritárias é independente do concurso «normal», iniciado hoje;

- Os professores podem concorrer aos dois concursos;

- A colocação em escolas prioritárias será anterior à colocação do concurso «normal»;

- Os professores colocados nas vagas de escolas prioritárias serão retirados do concurso «normal», sendo as vagas por eles deixadas automaticamente recuperadas;

- As vagas, das escolas prioritárias, não preenchidas não são recuperadas para o concurso «normal»; serão ocupadas na 2ª Fase (a ter lugar em Agosto) pelos candidatos a destacamento por ausência de componente lectiva (dacl);

- Não foi comunicada a data de abertura do concurso para escolas prioritárias;

A Direcção do SDP Sul"

20090313

Sensação de que nada acontecerá, por Mário Crespo

"Está instalado no país um dorido sentimento de resignação de que nada vai acontecer nem no Freeport nem no BPN. Haverá cordeiros sacrificiais, mas que (para usar terminologia de offshore) estarão longe de ser os UBOs das fraudes.
Estão longe de ser os Ultimate Benificiary Owners porque o sistema em Portugal nunca chega, nem parece querer chegar, aos verdadeiros beneficiários do que quer que tenha acontecido a muitos milhões, entre bandos de flamingos desalojados para sempre do delta do Tejo, sobreiros seculares cujo abate é autorizado a peso de Euro e dinheiros partidários que têm circulado por blocos centrais de interesses desde o 25 de Abril. Mas como se fala em milhões de Euros sonegados e é cada vez maior a horda ululante de desempregados, precisa-se de bodes expiatórios para dar a imagem virtual de que, em Portugal, com bens públicos não se brinca. No Freeport, Charles Smith cumpre com o perfil para ser o primeiro imolado. Ver Mr. Smith a entrar e a sair do Tribunal de Setúbal entre câmaras de TV sugere que a justiça funciona. Depois, como é estrangeiro e é britânico, e como desde o Ultimato à Maddie em Portugal não gostamos dos Ingleses, Charles Smith é o suspeito perfeito para ser o corruptor num processo em que não há, e provavelmente nunca vai haver, corrompidos. Se os houvesse também pouco interessava. Em Portugal a corrupção detectada e não provada venera-se porque é sinal de esperteza. A bem investigada cai fora de prazo e deita-se fora. A apanhada em flagrante custa cinco mil Euros. No Banco Português de Negócios o bode que expia é Oliveira e Costa. A prisão preventiva dá a ilusão de que a justiça funciona mas o ameaçador mutismo do testa de ferro da bizarra construção de contabilidade prevaricadora grita acusações ao mais alto nível imaginável. A sua serena declaração de auto-incriminação (que é tudo o que realmente se sabe sobre Oliveira e Costa) é a mais ameaçadora postura na história portuguesa do crime sem castigo. Enquanto Oliveira e Costa se mantiver calado está seguro na zona dos privilegiados da prisão dos ricos. Quando falar (e ele acabará por falar), provavelmente, cai o regime. É materialmente impossível ser ele o único responsável pela infinita complexidade das urdiduras financeiras nos Second Lives do BPN e da SLN. Logo, ao assumir toda a culpa, Oliveira e Costa mente e encobre. Pelos montantes envolvidos ele não pode ter sido o único beneficiário dos dinheiros que saltaram continentes, vindos sabe-se lá de onde para a maior operação de Dry Clean na história de Portugal, e foram parar...sabe-se lá onde. O certo é que se traduziram em compras de poder e de influência que conseguem transtornar o normal funcionamento das instituições. O problema não é da justiça. Este Carnaval tivemos dois exemplos da celeridade vertiginosa com que o Ministério Público e a Polícia conseguem actuar quando querem. Num par de horas confiscaram, censuraram, ameaçaram, intimaram e intimidaram por causa de imagens de mulheres nuas apensas a um objecto de propaganda governamental e a um livro. Já no Freeport e no BPN, entre investigações, rogatórias e reguladores apáticos, os anos foram passando no dengoso bailado de impunidades rumo ao limbo de todas as prescrições. Hoje ficamos com aquela terrível sensação tão bem descrita por Torga, de que, apesar de estarmos todos a ver tudo nas angústias paradas da vida que não temos, nada vai acontecer"..
Mário Crespo, JN

20090302

Encontro nacional de professores - Leiria, dia 14

ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES EM LUTA

O MUP, em conjunto com outros movimentos, vai promover um ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES EM LUTA, no dia 14 de Março de 2009, entre as 10:00h e as 17:00h, em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva, local onde decorreu, em Dezembro, o Encontro Nacional de Escolas em Luta.

A participação e as inscrições são gratuitas. No entanto, por questões de gestão do espaço, é necessário proceder a uma inscrição, enviando o nome, escola e um contacto (e-mail e/ou telemóvel) para um dos e-mails: mup@aeiou.pt ou mobilizar.e.unir.professores@gmail.com.

OS MAPAS E AS INDICAÇÕES DE COMO CHEGAR ENCONTRAM-SE NO BLOGUE DO MUP (Movimento para a Mobilização e Unidade dos Professores), em http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/

PASSA TODOS OS TEUS CONTACTOS DE PROFESSORES

20090225

"FW: Os papás é que mandam!"

"Depois a culpa é da escola …
Não falta muito para vir escrito assim:
DE: encarregado de educação
PARA: professora
MENSAGEM: o meu educando não leva livros porque não lhe apetece ter aulas.
ASSINATURA: o papá
Mas, já recebi isto este ano lectivo:

Qualquer dia mando, na caderneta, uma mensagem aos Encarregado de Educação a dizer que não preparei e não dei as aulas que devia, porque estava muito cansada de "recuperar os alunos cansados" para estes acompanharem os outros...

Será que também poderei finalizar com... "grata pela vossa compreensão" ????"

20090209

Palestra: O Sistema Educativo na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa


Objectivos: i) Trocar impressões numa perspectiva multicultural; ii) Partilhar experiências de conhecimentos pedagógicos do sistema educativo de cada país e; iii) Sensibilizar/motivar os alunos para o processo de ensino e aprendizagem.
...
Data: 11 de Fevereiro de 2009
Hora: 14.30min
Local: Salão Azul - Covilhã
Duração prevista: 90 minutos

Parabéns ao Núcleo de Estágio de Matemática 2008/09 pela iniciativa e aos alunos do 9 º Ano e professores do Agrupamento de Escolas “A Lã e a Neve” pelo interesse demonstrado!
...

20090130

'RESISTIR... É PRECISO!' por António José André

...
RESISTIR... É PRECISO!
...
Tomei conhecimento com algum pasmo, que, após 92% do corpo docente do 1º CEB do agrupamento (escolas da Pedrulha, em Coimbra) ter assinado a não entrega dos OI, tinha havido mudança de intenções, uma semana depois.

Ainda incrédulo, imaginei-me nos muitíssimos agrupamentos onde se votou e aprovou maioritariamente a não entrega dos OI. Ali a resistência continua e mantém-se bem viva! Não se quebram vontades, ao sabor dos ventos!

Estive e estou nesta luta, porque acredito numa Escola Pública de qualidade e numa profissão com dignidade. Depois do tanto que fizemos, durante um ano de tanta resistência, considero absurdíssima esta mudança.

Hoje, dia 30 de Janeiro, prazo limite para a entrega dos OI, decidi em consciência pessoal, que não os entregarei, por razões já conhecidas: não concordância com o actual ECD, este modelo de avaliação e as Políticas Educativas deste Governo.

Fazendo isto, acredito que não estarei só. A resistência continua!

António José André

20090127

'Assunto: o falso relatório da ocde sobre educação... escandaloso!!!!!!'

"Isto é absolutamente escandaloso!!!!!

'o vigarista primeiro-ministro voltou, mais uma vez, a tentar enganar os cidadãos...o relatório não é da ocde e foi feito por "peritos" pagos com dinheiro dos contribuintes... para dizerem bem...divulguem...para que as vigarices do sócrates não possam continuar!!!!'

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

O "alegado" estudo da OCDE sobre a Educação

Ontem foi dia de festa.

''José Sócrates agendou a apresentação do "alegado" relatório da OCDE, realizado por peritos independentes que elogiava as políticas do Ministério da Educação e a coragem dos Governantes. Esperava-se pois um relatório exaustivo, reunindo um conjunto de pareceres de parceiros locais/nacionais, com base numa amostra que desse provas de isenção.
Sucede que nem o relatório é da OCDE, como diz Sócrates e a sua caixa de ressonância (
RTP), nem todos os peritos me parecem "independentes" e a base bibliográfica do "alegado estudo da OCDE" resume-se a um conjunto de publicações do próprio Ministério.
Por outro lado, denota-se o especial cuidado tido na selecção de entidades e parceiros com os quais os peritos foram levados a reunir.'' (Carlos Nunes Lopes,
via 31 da armada)

20090118

Açores - Avaliação simplificada: relatório

"A Secretária Regional da Educação e Formação mostrou-se sensível aos argumentos do SPRA publicados no Correio dos Açores e no Diário Insular de 08 de Janeiro no sentido de se proceder a uma avaliação simplificada este ano, que passará pela elaboração de apenas um relatório, a realizar pelos docentes." (Fonte: Catarse )

Mais informação em http://poisaleva.blogspot.com/

Obrigada Eco!

Assunto: Professora de uma só cara

"Onde estais vós, gente de pouca fé?! Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim. Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas. O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos. Onde pára essa gente de fortes convicções? Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação, tanta falta de informação !!! Onde estão os 120 mil ? Fizeram como a avestruz?
Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.
Tenho vergonha dos nossos representantes políticos. Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.
Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.
Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.
Hoje dei mais um passo em frente... não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana. Não aceito que um ano de luta acabe por "parir" um rato.Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar. Não, não tenho. Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa. Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada. Ah! e já não tenho marido.
Quando ouço alguns colegas que desabafam "Ai, eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado"... Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.
Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles. Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.


Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!

(Escola Secundária de Barcelos)"

20090114

Lista de professores deputados eleitos pelas listas do PS

... que votaram CONTRA a suspensão da avaliação!

Moção aprovada pelos professores da ES de Maximinos, Braga

"ESCOLA SECUNDÁRIA DE MAXIMINOS - BRAGA
...
MOÇÃO APROVADA EM REUNIÃO DE PROFESSORES REALIZADA NO DIA 13 DE JANEIRO
...
"Os professores da Escola Secundária de Maximinos, Braga, em conformidade com posições anteriormente assumidas - suspender a participação neste processo de Avaliação de Desempenho – em reunião realizada no dia 11 de Novembro de 2008, reiteraram a sua decisão em não participar num processo que continuam a considerar inexequível, discriminatório e improdutivo.
...
Ampla e publicamente contestado por uma inegável maioria de professores, o referido modelo foi objecto de sucessivas remodelações regulamentadas pelo Governo, em diversa e recente legislação, que mais não visam que provar a sua aparente aplicabilidade.

Contudo, tais alterações, em nada alterando a substância do modelo, antes tornam mais clara a sua ineficácia enquanto promotor da melhoria dos desempenhos profissionais, minimizando a importância da componente científica e pedagógica na aferição do mérito docente e escamoteando o cariz formativo inerente a qualquer modelo de avaliação de professores.

Assim, os professores presentes reafirmaram a sua vontade e direito de serem avaliados por um modelo justo, exequível e consensual.
...
Consequentemente, deliberaram manter a suspensão do processo de avaliação tal como agora lhes é apresentado pela tutela, não participando nos actos com ela relacionados, incluindo a entrega dos objectivos individuais."

20090106

"Escola: mais do mesmo" por Daniel Sampaio

Público, 04.01.2009, Daniel Sampaio

"No início de 2009, nada de novo ou estimulante existe na escola portuguesa.Terminou o ano com mais do mesmo: falta de entendimento entre professores e Ministério da Educação (ME), alunos sem participação activa no quotidiano escolar, pais desinteressados da escola e só raramente integrados em associações de encarregados de educação. Uma iniciativa correcta do ME - a atribuição do Prémio ao melhor Professor do ano - não suscitou qualquer interesse na opinião publicada ou pública, arriscando tornar-se em mais uma operação rotineira sem qualquer impacte na vida da escola.Os acontecimentos de uma escola do Porto, em que um aluno apontou um revólver de plástico a uma professora, foram de imediato desvalorizados por dirigentes do ME e classificados de "brincadeira de mau gosto". Parece que o facto de ser uma arma a brincar tranquilizou a tutela, na linha de outras declarações oficiais em que a indisciplina é sempre vista separada da violência e como tal considerada de menor importância. O risco é evidente: se não valorizarmos o pequeno incidente de indisciplina, se não respondermos de imediato com medidas correctivas de responsabilização, a desordem cresce dia após dia. Sabe-se hoje que a degradação do clima na escola progride por estádios, desde a recusa de regras na turma e pouco trabalho, até actos graves de delinquência (agressão a professores, destruição de material escolar), com etapas intermédias de pequenos delitos, comportamentos provocatórios e desafios à autoridade que denunciam uma violência latente. Ora a pistola de plástico insere-se num estádio intermédio de provocação que prenuncia momentos em que as regras podem passar a ser a dos grupos violentos e intimidatórios, em vez de serem construídas na sala de aula, a partir de um regulamento da escola organizado com a participação de todos.O ME deveria criar as condições mínimas de funcionamento das salas de aula, dando aos professores força para combater a indisciplina, através da co-responsabilização de docentes, alunos e pais. Para isso o professor, amparado nas estruturas da escola (com particular realce para o Conselho de Turma), deveria ter poder para, de imediato, conseguir actuar no controlo disciplinar. Se o comportamento causador de perturbação for cedo diagnosticado, a medida correctora impõe-se com coerência e será apoiada pela maioria dos alunos e seus pais.Concretizando: se a escola trabalhar o mais possível com a família, se os professores formarem um grupo coeso - a partir de acções de formação dirigidas à prática pedagógica com turmas heterogéneas e na consequência do trabalho no Conselho de Turma - se os alunos forem ouvidos com respeito sobre o funcionamento desejável na sala de aula, se o comportamento mínimo de indisciplina for logo detectado e respondido com medidas definidas previamente para aquele comportamento, o clima escolar poderá melhorar. Se, pelo contrário, tudo for remetido para o burocrático e aborrecido "Estatuto do Aluno" ou para o Ministério Público (não se vislumbra, até agora, qualquer sucesso na prometida e muito propagandeada acção desta estrutura), nada poderá melhorar.Noutra perspectiva, interessa sempre a história relacional do incidente. Não é por acaso que aquela turma e aquele aluno escolheram o momento: todo o comportamento indisciplinado tem atrás de si a construção/destruição de uma relação pedagógica, só possível de compreender através de uma análise detalhada do que se passou com os diversos intervenientes. Por que razão as coisas correm mais ou menos bem com uns docentes e decorrem em catástrofe com outros? Por que motivo alguns professores sinalizam certos alunos como problemáticos em termos disciplinares e outros não concordam? Pela razão de que os mestres com sucesso ganharam tempo, no início do ano, a construir uma relação de respeito recíproco com os seus alunos.Em derradeira análise, o episódio da pistola de plástico é mais um exemplo de como este ME se concentrou no acessório: enquanto se discutem grelhas de avaliação tornadas cada vez menos exigentes pela pressão dos protestos, os professores são deixados sozinhos e sem meios perante a indisciplina crescente. Ficará para a história da educação em Portugal esta oportunidade desperdiçada e este arrastar da degradação até... às próximas eleições.
"