20080416

A Noiva-Cadáver


(Hoje, excepcionalmente, o texto não será ilustrado com uma imagem do KAOS)
Com a vitória de Berlusconi, a Europa tornou-se num Mosaico do Lixo. Para onde quer que nos voltemos, apenas vemos rostos de paródia, orquestrados pela super-máquina, dos Senhores do Mundo, Bilderberg, por palavras outras. Os seus nomes são Gordon Brown, a Chancelera-fufa, Sócrates, Barrôzô, Sarkozy e Berlusconi, entre outros. Tirando Zapatero, o Continente caminha para uma homogeneização político neo-fascista, de rosto "light". Por cá, nós vamos bem, tirando as oscilações de humor centesimais de Vítor Constâncio e o descalabro que aí se anuncia, com o despejar da crise americana portas dentro: mal o Sistema Financeiro, onde tudo era mentira, caia, cai o lar do consumidor, e veremos tempos parecidos com os de 1929. Muita gente já estará a esfregar as mãos de contente, porque, finalmente, poderemos implementar o Paraíso Chinês: um Partido Único, um Tibete dentro de cada um de nós, e 20 horas diárias de trabalho, à pala de meio yen (que nem sei o que seja nem quanto valha).
Num segundo segmento, quero deixar aqui os parabéns, como já ontem antevira, aos Sindicatos do Sector da Educação: conseguiram ressuscitar uma figura que tinha sido enterrada num dos maiores funerais da História recente de Portugal -- parece que compareceram 100 000 pessoas, uns exagerados... -- e fizeram um contrato matrimonial com ela: ela fica com tudo, e eles com umas migalhas do tudo dela, quando, e, se, ela quiser abrir mão de sacudir a sua toalha, herança dos tempos de bordados forçados da Casa Pia.
Usando uma metáfora pindérica, a televisão não queria mudar de mãos, mas a antena tanto insistiu, que lá se foi instalar no lar da vizinha, com quem já nem falava.
Num tempo, em que tudo se passa na virtualidade dos noticiários e dos disparates dos "opinion makers", regiamente pagos pelo Sistema, o que o papalvo comum doravante verá são diversas coisas: que a Sinistra Ministra, tão intransigente, afinal, até sabia dialogar com os Sindicatos; que os delegados sindicais, depois de décadas de pendura -- e aproveito aqui para responder, à boa maneira de "Arrebenta", a algumas provocações que ficaram pelas caixas de comentários do meu anterior "post": tive, durante dez anos, no meu bolso, as chaves daquela casa, excelente duplex, para onde vocês iam foder com as vossas concubinas de ocasião, para mostrar todo o poder viril do líder sindical, com a pequena diferença que vocês as tinham de pedir emprestadas, e eu as tinha, sempre, em permanência, no chaveiro... Só por lá não passou um, apenas porque era pedófilo, e preferiu refugiar-se em Peniche, depois de estoirar o Casa Pia, e vamos adiante -- depois de décadas de pendura, arriscavam-se a ir dar aulas como a Adozinda, e a Sinistra acenou-vos com um talvez-não-tenha-de-ser-assim, e veio logo tudo ao beija-mão.
A última pessoa a quem beijei a mão foi a mulher de um que também já lá está, o Azeredo Perdigão, e estava a anos-luz da mulher-a-dias da Educação.
Quem casa com um cadáver é um cadáver. Depois deste matrimónio espúrio com a Nova-Cadáver, o que aí vem ainda é mais sinistro do que a prórpia Sinistra. Os senhores, hoje, conseguiram abrir um novo cemitério português, muito especial, com 100 000 campas rasas, que ainda se virão a tornar mais rasas. Cometeram o pior erro táctico que poderia cometer, que foi dar ao Inimigo um compasso de espera, para reganhar forças, e fingir que já não estava politica e historicamente morto. Os próximos amanhãs que cantam serão cantados pela voz de falsete de Valter Lemos, com uma plateia de "flashes" e uma mesa de reumático sorridente, a apertar a mão àquela mesma senhora -- lembram-se?... -- que mandava os doentes terminais trabalhar, "but who cares, now, because the show must go on".
Parabéns.
( Edição bipolar, de um bipolar - e fascista -- em "A Sinistra Ministra" e "As Vicentinas de Braganza" )

1 comentário:

zedeportugal disse...

Já não consigo aceder às Vicentinas. Um aviso diz que "alguns leitores (amigos do sousa, certamente)... acham que o conteúdo... é reprovável" e, nas minhas condições de navegação, não consigo entrar (teria provavelmente que baixar a segurança ou permitir cookies, coisa que não estou disposto a fazer). Tem que mudar de nick, porque como Arrebenta arrebenta-los todos... lol
Só há uma coisa que não percebo: Se estes seus leitores acham que é reprovável porque é que vão lá ler?