20081220

O que se quer é que a avaliação do ME prossiga

A avaliação dos professores não passa de uma agenda a cumprir. Ao Ministério da Educação não importa muito de que forma ela é feita, desde que seja feita. Daí as cedências, a versão “simplex”. Uma avaliação de professores simplex soa mesmo a coisa rasca, mal enjorcada… O que interessa é mostrar serviço, obedecer. E provavelmente nem sequer é às ordens da União Europeia que se obedece, pois se não há avaliação deste tipo em nenhuma parte da UE! Dizem que no Chile há uma de que esta é cópia fiel. Que cérebro bilderberguiano se terá lembrado de tal crueldade reservada aos professores portugueses? De facto não só uma luta de classes mas agora também uma luta no interior das próprias classes, o que querem promover. E não é só no Ensino, todos os sectores se estão a partir por dentro, todos se convertem numa competição por baixo, pelo mais lucrativo, ou seja pelo que sai mais barato. Como se aqueles que determinam os rumos do mundo naquilo que lhes é possível tivessem decretado que a competição é mais lucrativa que a cooperação. Além disso as classes partidas são mais enfraquecidas que as classes unidas. Logo a vantagem de haver quem tudo faça para progredir na carreira e os que ficam a saber logo à partida que nunca irão passar da cepa torta. Que verdadeira igualdade de oportunidades, nasce logo desde o início viciada? Desconfio muito que um sistema permita que alguém com mais experiência e anos de ensino venha a ser avaliado por alguém que acumulou pontos desempenhando cargos que aqueles que realmente gostam de ensinar mais do que gerir ou administrar deixaram para ser feito pelos outros, as mais das vezes a bem dos alunos. Há tanto professor errado na profissão... Se todos fossem realmente Professores esta avaliação e estas políticas educativas absurdas nunca teriam sequer feito sentido pôr em prática, considerar nem que fosse a hipótese, quanto mais desatar afincadamente a fazer fichas. Uma vez perdi umas horas da minha vida numa reunião de Conselho Pedagógico, como mera observadora, vendo powerpointar modelos de fichas que uma professora tinha feito o enorme esforço de lhes procurar algum sentido, enquanto uma outra mais sabuja fazia reparos e sugeria alterações nas fichas da colega com propostas tiradas das suas maravilhosas fichas, como quem diz diante de todos: a minha é melhor que a tua. Horas de reunião, horas de tempo gasto do tempo que os professores deveriam estar reunindo para considerar os problemas de uma turma, debater os casos dos seus alunos, encontrar em conjunto respostas para o insucesso e para os casos de indisciplina, definindo estratégias, discutindo materiais. Mas os professores agora é suposto que passem o tempo em reuniões para se avaliarem uns aos outros para ver que terço deles progride e que dois terços não. Parecido com o espírito do anúncio do banco que sempre me repugnava: uns têm, outros não. Na escola as equipas deviam trabalhar para um mesmo fim: melhorar o ensino. Os professores estão a ser convidados ao individualismo (objectivos individuais), auto-avaliação, ou mesmo a relação entre avaliador-avaliado. Uma escola sujeita a esta avaliação pode vir a funcionar como uma seita, uns com poderes sobre os outros, com obediências e vassalagens, com encobrimentos e denúncias. Sinistro modelo, como são sinistros quem de entre os portugueses o desejam aplicar na escola pública portuguesa.

3 comentários:

Pedro Castro disse...

Excelente comentário, Kaotica!

Teodoro disse...

Nem apetece levar a sério né? Tudo uma espécie de faz de conta e exemplos tristes.

Anónimo disse...

Os sindicatos deviam processar todos os PCE que têm forçado os seus professores a entregar, a assinar, a colaborar.

São os PCE que deve ser processados e se eles foram obrigados a tomar tais atitudes que o denunciem em tribunal, que para não andarem a fazer o jogo da ministra, no engodo de um aumento de vencimento.