«“Estes ganham, não são como os que vão à Eurovisão”
A apresentação do Festival decorreu no Casino Figueira, com a presença de representantes de diversas entidades locais, regionais e nacionais. Em foco, porém, esteve a equipa da ARCIL, liderada por Ana Araújo, coordenadora do festival, que sublinhou que o objectivo deste evento é “realçar as capacidades das pessoas com deficiência mental”, em vez de estar sempre focado nas suas limitações. E citou o lema da EAPH: “Not about us, without us”, ou seja, ‘não fazer nada sobre nós (pessoas portadoras de deficiência), sem a nossa participação’.
[Seria mais interessante e inclusivo um espectáculo musical suponho eu ... com eles, cidadãos com deficiência mental e outros cidadãos. Assim, dá ideia de um freak show.]
(...) Mais cáustico nas observações foi João Fernando Ramos, o pivot da RTP que, com a colega Fernanda Freitas vai apresentar o festival. Oriundo de uma família ligada há vários anos à Arcil – o seu irmão, Rui Ramos, é o director musical do evento – o apresentador teceu duras críticas à pouca divulgação de que os feitos dos cidadãos com deficiência são alvo. “Todos falam do Festival da Eurovisão, onde nós, portugueses, sistematicamente vamos e perdemos, e destes, que ganham, não falamos”, lamentou, sublinhando que “não ganhamos porque os nossos deficientes sejam melhores ou mais inteligentes do que os deficientes dos outros países, ganhamos porque estes jovens trabalham a sério, e, entre iguais, vencem”.
(...) Rosto conhecido da RTP, João Fernando Ramos não hesita em dar a cara por um projecto que, acredita, é mais um passo no longo caminho que Portugal tem que percorrer para a integração de todos os cidadãos.»