Mostrar mensagens com a etiqueta Poema. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poema. Mostrar todas as mensagens

20080706

PARA QUE NUNCA NOS ESQUEÇAMOS

Vem isto a propósito de quê?
Da MEMÓRIA e de outras coisas como LIBERDADE, como BELEZA, como FUTURO DO PASSADO E DO PRESENTE, como LUTA contra O QUE NÃO QUEREMOS NUNCA MAIS!
Memória de Ary para trazer à memória todos os outros que nos fazem acreditar que A PALAVRA MOVE MONTANHAS, não a verborreia...

Imagem daqui


O Objecto

Há que dizer-se das coisas

o somenos que elas são.

Se for um copo é um copo

se for um cão é um cão.

Mas quando o copo se parte

e quando um cão faz ão ão?

Então o copo é um caco

e um cão não passa de um cão.



Quatro cacos são um copo

quatro latidos um cão.

Mas se forem de vidraça

e logo forem janela?

Mas se forem de pirraça

e logo forem cadela?



E se o copo for rachado?

E se o cão não tiver dono?

Não é um copo é um caco

não é um cão é um chato

que nos interrompe o sono.



E se o chato não for chato

e apenas cão sem coleira?

E se o copo for de sopa?

Não é um copo é um prato

não é um cão é literato

que anda sem eira nem beira

e não ganha para a roupa.



E se o prato for de merda

e o literato for da esquerda?

Parte-se o prato que é caco

ata-se o vate que é cão

e escreveremos então

parte prato sape gatovai-te vate foge cão.

Assim se chamam as coisas pelo nome que elas são.


José Carlos Ary dos Santos

20080703

Poema de uma professora correctora!

Desabafos
Ai as provas de Português!
Não
Não quero corrigi-las outra vez!
Que pena
Esta cena
Faltam cenários, sobram cenários
Leio outra vez
Mas que insensatez!
Dou zero ou três?
E os critérios
Tão sérios
Inalteráveis
Adaptam-se, pois claro!
E eu paro.
E penso
É preciso ter bom senso
Aplico ou não o terço?
E fazer outra reunião
E reflexão
E concertação
E supervisão
Mas que sensação!...
Ah, pobre Camões
De pouco valeram as tuas reflexões!
Cada resposta
É uma aposta
De ler sem perceber.
Tanta criatividade vazia
Provoca dislexia.
E nem os Deuses, Semideuses e Homens valorosos
Valeram a alunos preguiçosos.
Os professores classificadores
E supervisores
Nesta ilha de desamores
Só sentem horrores.
Ai que trabalho vão
E de tão pouca cobiça!
Que sumida glória!
A minha alma clama
Mas como alcançar a Fama?!...
Reflicto outra vez
Assim não!
Não se pode ser professor
De Português.
Dulcelina Santos

Professora classificadora e Supervisora de Português,
28 Junho 2008, após a entrega das provas de exame do 12° ano.