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20090317

Nem com a paciência de um santo!

Razões Divinas para uma Reforma Antecipada

Pintura: Caravaggio - A Dúvida de S. Tomé


Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os dizendo:
“Em verdade vos digo, bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles…”
Pedro interrompeu:
- Temos que aprender isso de cor?
André disse:
- Temos que copiá-lo para o caderno?
Tiago perguntou:
- Vamos ter teste sobre isso?
Filipe lamentou-se:
- Não trouxe o papiro-diário.
Bartolomeu quis saber:
- Temos de tirar apontamentos?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas exclamou:
- Para que é que serve isto tudo?
Tomé inquietou-se:
- Há fórmulas? vamos resolver problemas?
Tadeu reclamou:
- Mas porque é que não nos dás a sebenta e… pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não entendi nada… ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:
“Onde está a tua planificação?
Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada?
E a avaliação diagnóstica?
E a avaliação institucional?
Quais são as tuas expectativas de sucesso?
Tens para a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão?
Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios?
Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem?
Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo?
E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais?
Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes?
Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?”
Caifás, o pior de todos, disse a Jesus:
“- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva.”
… E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos…

(autor desconhecido)


in blogue Pérola de Cultura


20081119

“It’s the Internet, stupid!”

Imagem: PrtSc do cabeçalho do blogue Jornalismo e Comunicação

"(...) Em jeito de ironia, quase apetece dizer a José Sócrates que os professores deste país também estão a aproveitar intensamente as “novas oportunidades” advindas do universo digital, da Internet, da Web, da Sociedade da Informação, utilizando-as para difundir as suas razões de queixa, para criar e alimentar redes de contacto e de debate, para mobilizar os pares, para trocar argumentos, para manter acesa a chama da contestação. Como comentaria o outro: “It’s the Internet, stupid!”." (Novas oportunidades… , Joaquim Fidalgo no blogue Jornalismo e Comunicação ,Novembro 18, 2008)

20080706

Pequeno contributo para uma grelha hermenêutica, de pendor estruturalista, para uma melhor compreensão dos comentários dos blogues

Imagem do KAOS
É sabido que gosto de pairar nas Estratosferas: é a minha casa, o meu meio e o meu modo de ser. Não trocava nenhum telejornal, a não ser aquele, célebre, e esperado, do Dia do Juízo Final, pelos poucos minutos do "Clair de Lune", da "Suite Bergamasque", de Debussy.
Infelizmente, o quotidiano não é construído sobre essa infinita poética plural da flexão do tempo psicológico, como tão bem o definiram Bergson, e Proust ergueu à categoria de arte infinita, em "À la Recherche". Poderíamos prosseguir pelas citações, e referir aquele lugar comum, que, tantas vezes associamos ao mundo arcaico de Bruckner, esse pietista medieval, que conviveu com comboios, exposições universais, e invenções de Thomas Edison: no diálogo com Deus, o Tempo não existe. Poderíamos ir por onde quisessem, até se nos defrontar a Realidade.
Para nós, Noonautas, Blogonautas, ou Navegadores do Feérico, o cair na Realidade pode ser uma coisa tão elementar como uma mera linha, inserida numa caixa de comentários, depois de um belíssimo texto, de um poema apaixonado, ou de uma dolorosa confissão, em que alguém, a sombra, o objecto errático, o pequeno carrasco do teclado, destroem, com um pontapé despropositado, todo o enlevo da nossa acção.
Como num final de século, todos nós, nos nossos diversos meios, nos tornámos nefelibatas, e esperávamos que este Admirável Mundo Novo, que é o das Virtualidades trouxesse, à flor das águas, o melhor da Natureza Humana, o mito de Rousseau, e não a sátira de Voltaire, por mais que me agrade a segunda, e detrimento do primeiro, do qual a Vida me tornou essencialmente céptico. Mas, como Pangloss, e essa intocável língua viperina do Século das Luzes, que tentou trucidar um dos textos mais belos -- desculpem-me a confissão -- o "Discurso de Metafísica" de Leibniz, em paráfrase, direi que vivemos, com toda a ironia que isso possa conter, na melhor das Virtualidades possíveis, e aqui, eu, voltairiano na escrita, tenho de prestar homenagem ao grande Leibniz.
Nós, refugiados do mundos dos bits, somos, à maneira de Píndaro, a sombra de uma sombra, ou, já que vamos pela Cultura adentro, não passamos da nova memória da Caverna perdida, da alegoria de Platão, com a Caverna a ser aquele Real que tanto nos desiludiu.
Construímos formas, evocamos memórias, tecemos conjecturas e sofremos o refluxo das marés, na forma de comentários, que, num universo idealizado, deveriam ser a correcção, ou a resposta a um repto, em forma de monólogo, que lançámos, na forma erudita do texto. Algures, a meio de uma conversa, desconstruí um dos piores tiques da nossa convivialidade discursiva, que invadiu, em tempos, a atmosfera de todas as nossas conversas. No vazio do Discurso, como no vazio dos comentários, houve um tempo em que era moda inaugurar uma intervenção com um "É assim", como se uma conclusiva pudesse ser socialmente viável, no tempo exacto em que se entabulou um diálogo....
"É assim" é uma das mais pobres expressões emocionais que poderá invadir qualquer debate de ideias, mas é, como muitas vezes pude presenciar, a Lei do Mais Forte, aplicada, através da Violência da Emotividade, à frágil teia da Argumentação.
"É assim" está, para o Espírito, como um bíceps tatuado para uma aparição de Daphné, no momento exacto da Aurora, e as nossas caixas de comentários, repercutindo todos os vícios da Atmosfera, estão cheias de insuportáveis "é assins", onde qualquer argumentação posterior se torna irremediavelmente impossível.
Um guião para uma consulta das caixas de comentários poderia ser uma importante sugestão para quem reflecte, há muito, e a sério, sobre todos os fenómenos da virtualidade. Por ser tão contestado, poderia aqui invocar Paulo Querido, e acho que seria uma boa pessoa para desafiar. Tudo o resto, no meu texto, não é mais do que um breve guião, na forma estruturalista, para ajudar à complexa estrutura dos comentários. Para os especialistas em Teoria da Literatura -- não é o meu caso -- que tenho uma formação científica dura, todos os argumentos, por exemplo, se resumem a um número finito de formas, assim como, numa topologia ensaiada, todos os comentários se reduziriam a um número finito de estruturas. Deformando Anah Arendt, ao substituir o papel tradicional da Realidade, a Noosfera está para a Atmosfera como a Escola para a Família, ou seja, falhadas a Família e a Realidade, a Escola e a Virtualidade são chamadas a assumir papéis que deveriam já estar ajustados a montante.
Posso cair no vício do descrecionismo, embora tentando adoptar uma postura estrutural: se começássemos pelo Behavieurismo, tínhamos o clássico "Comentário-Skinner", aquele que empurra, pelo estímulo positivo, e pune, pelo estímulo negativo. Isto pressuporia uma pedagogia e o esboço de uma didáctica: infelizmente, não traduz, na maioria das vezes, mais do uma das facetas da Maldade Humana, ou fisicamente falando, uma tentativa de introduzir Entropia em Sistemas geralmente próximos do Equilíbrio. Um dos piores desses exemplos é o caixote de lixo em que se converteram as interpelações dos textos de António Balbino Caldeira.
Nisso, Prigogine acaba por ser sarcástico, e, citando, à sua maneira, Poincaré, diz que, colocadas lado a lado, uma caixa cheia de gás, e uma outra vazia, e estabelecida a comunicação entre as duas, pela óbvia Dinâmica dos Fluídos, o gás da primeira tenderia para se escoar para a segunda, mas, sendo esta transferência regida pelos Movimentos Brownianos, uma vez estabelecido o equilíbrio, nada impediria que os gases acumulados na segunda caixa, por uma aleatoriedade do movimento, voltassem, num dado momento, a reunir-se todos na primeira caixa. Friamente questionado sobre o tempo necessário para esse fluxo, Prigogine associa-lhe "mais do que todo o tempo do Tempo(!)"...
Ora, nós, blogonautas da virtualidade fria, dispomos de tudo, menos da totalidade do Tempo. Vivemos mergulhados no Efémero, e não podemos permitir que as brechas abertas numa excelente estrutura por comentários erráticos possam levar todo o tempo do mundo a restabelecer um equilíbrio e harmonia necessários, e evidentes. Torna-se, pois, útil tentar categorizá-los, já que o identificá-los é, também, uma forma de os exocirzarmos.
Já identifiquei, pelo seu carácter óbvio, o estímulo positivo e o negativo. Eles dividem-se, depois, em diversos sub-tipos. Há o comentário exaltado, que leva a que suponhamos que o nosso texto desencadeou revoluções; temos o comentário erudito, que nos leva a crer que nos movemos numa irremediável menoridade literária e intelectual; reconhecemos o grito da maçada, do não-estou-nem-aí, que pressupõe um penar, desse leitor/a até a um tempo ainda mais longo do que o de Prigogine, para que pudéssemos ser... alguém; temos o comentário didáctico, que se solta de um teclado com pretensões e se esgota na mossa emocional que provoca; lemos o comentário da ameaça, que deixa pressupor, quando vamos para a cama, uma multidão de "jack-the-rippers", a perseguir-nos, mal a próxima manhã se levante; há a ofensa cobarde, que tende para semear a desmoralização; há a máxima vexatória, que incide sobre supostas deformidades físicas, intelectuais ou sociais; há o dedo acusatório do sei-tudo-sobre-ti, que mais não pretende do que semear o desânimo e a dúvida; há o comentário obsceno, que nos atirou para uma escatologia enformadora de um civismo da Cauda da Europa; há o intelectual, que nos faz perder, nas suas teias, as hipóteses sensatas, levantadas por um texto simples; há a meia linha erudita, que nos recorda nada termos lido, e a meia linha néscia, que nos faz pensar que lhe faria bem ter lido mais um pouco...; há a conciliadora, que parece vir em auxílio de um cenário de desordem, que a mesma mão pode ter criado, através da adopção de diferentes máscaras; há a agressão pura, nihilista, que deixa antever que não é só texto que deve ser destruído, mas o próprio espaço onde foi publicado, e, mais grave ainda, a própria mão que o escreveu.
Este não é mais do que um esboço de tipologias. Outros o melhorarão, Foi ditado ao sabor da pena e da emoção, na madrugada de 6 de Julho de 2008, com o país em plena agonia cultural e económica do triângulo Sócrates-Cavaco-Ferreira Leite. Nos últimos dias, cultivámos o humor, através dos disparates que nos foram aparecendo nas nossas próprias caixas de comentários. Muitas vezes, a aparente polifonia, não é mais do que a desagregação mental de uma única personagem. Como na Atmosfera, há os que passam dias inteiros a construir, e aqueles que, com uma só linha, um só gesto, ou um só pensamento, tendem para tentar destruir árduas horas de reflexão e trabalho. Devemos ter paciência e não excluir a Piedade. Por vezes, a maldade aparente esconde uma patologia; por vezes, o excesso de barulho, como escreveu um dos muitos fantasmas que, infaustamente, já povoou esta Net sem limites, "Nem tudo o que ostenta, faz alarido, parece, é. Às vezes, o ruído, o "bater de pratos", a indignação, correspondem ao desejo de esconder, de abafar - com muito, muito barulho - algo de absolutamente inaceitável."
É possível que sim, mas isso não nos diz qualquer respeito.
Este texto foi escrito ao sabor da pena, e gostaria de ter sido mais rigoroso na caracterização das tipologias que se comprometeu descrever. Falhou no que propunha. Todavia, como todos os esboços, é um desafio para que todos vocês, leitores, comentadores, e futuros teorizadores das coisas virtuais, o venham a poder melhorar.
Obrigado pela vossa atenção, nesta magnífica -- é, não é?... -- noite de Verão

20071102

A situação está a ficar complicada ...

"A desconectada

A actual ministra da Educação, cujo currículo relevante passa pelo ISCTE, um curioso viveiro de governantes, deu ontem entrevista à RTP.
Naquela pose de altivez ministerial, coada pela linguagem sociologicamente encriptada, de matriz iscteriana, a ministra falou por duas ou três vezes, de desconexão. "Estar desconectada" ou "conectada", foram tempos verbais, passivos, usados em modo esquisito pela ministra, referindo-se a realidades que a mesma aparentemente domina, através de relatórios estatísticos." (Grande loja do queijo limiano)

O "EDUQUÊS" ENVERGONHADO (*)
"(...) No Ensino Básico, em particular, as «competências» foram de tal forma glorificadas que os documentos oficiais passaram a desprezar o valor do conhecimento em si. Como resultado, as exigências claras e precisas respeitantes aos conteúdos começaram a ser substituídas por referências palavrosas e vagas às competências genéricas. Começou a falar-se do «conhecimento contextualizado» como receita geral, esquecendo a necessidade da abstracção. (...)" (Por Nuno Crato, «Expresso», «Actual» - 27 de Outubro de 2007)
"(...) A ministra abzentista Então, a Prof. Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação do governo socialista, toda cheia de eduquês-sociológico cerrado para tentar demonstrar erudição, não sabe gramática básica?!... A ministra da Educação, que ocupa temporariamente, como todos, por mais que o esqueçam, um cargo de grande responsabilidade, já exercido por notáveis cultores da língua, passou a "Grande Entrevista" da RTP, a Judite de Sousa, ontem, 1-11-2007, a falar de "comportamento... abzentista" - com o som [z]. Ficam os links para que o leitor oiça, veja e confirme. (...)" (Do Portugal Profundo)

Last but not least (para se ver como discursa a senhora nas áreas onde é prof.)

"Professora Maria de Lurdes Rodrigues – Presidente do Observatório das Ciências e das Tecnologias

Não vou tomar muito mais tempo, só dar algumas justificações e esclarecer um bocadinho a forma como foram organizadas estas sessões de debate público, o Livro Branco, a questão do Forum de Política Científica e Tecnológica que acontece na Net, como teve início e qual tem sido o seu desenvolvimento. Portanto, o Forum de Política Científica e Tecnológica que está a acontecer nas páginas do Ministério na Internet foi aberto pelo Senhor Ministro da Ciência e Tecnologia em Julho de 1998. Nessa mesma altura abriu o Livro Branco e lançou à comunidade científica o convite à sua participação, à elaboração de contributos que, no seu conteúdo, identificassem as necessidades e as oportunidades de desenvolvimento científico para os próximos anos. Este convite foi público, foi anunciado, foram enviados anúncios desta iniciativa a todos os doutorados do sistema em Portugal, a todas as instituições científicas, a todas as instituições de ensino superior, aos reitores, aos presidentes dos Laboratórios de Estado, portanto, fez-se a difusão que na altura pareceu aceitável para a divulgação da iniciativa. Ao longo destes meses, o Forum de Política Científica tem estado bastante animado, recebemos inúmeros contributos, tanto de instituições, como de investigadores na sua qualidade de cidadãos ou de investigadores individuais e desses contributos, foram feitas algumas sugestões no sentido da organização de debates públicos sectoriais, ou por temas, ou por problemas específicos. E em resultado dessas sugestões, alguns destes debates públicos foram organizados tematicamente por sugestões vindas dos contributos ao Livro Branco e no Forum da Política Científica.

O contributo principal da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e do Observatório foi a elaboração dos perfis, em torno dos quais se fizeram apresentações públicas e a propósito da apresentação pública, debates sobre as questões de política científica. Estes perfis foram um bocadinho um pretexto, porque o Observatório recolhe, trata e divulga informação, tem muitas limitações, não é possível ao Observatório produzir análises qualitativas sobre o desenvolvimento, as oportunidades ou as necessidades de desenvolvimento científico da área. Isso é um papel que cabe aos próprios peritos, aos especialistas, por força do seu protagonismo, da sua experiência, é que podem de facto fazer reflexões mais qualitativas, ajudar o Observatório nisso. Nesse sentido, o Observatório dispunha de um imenso material que tinha resultado dos relatórios de avaliação do Plurianual e portanto, todos os peritos que coordenaram painéis de avaliação nos diferentes domínios científicos – aí de facto a avaliação foi organizada por domínios disciplinares. Era de facto a matemática, a física, a química, as ciências da saúde, portanto, era um quadro de relatórios por domínios disciplinares – todos esses peritos, que coordenaram painéis, foram convidados a colaborar com o Observatório no sentido de observar os nossos dados, de os analisar e de produzir a colecção de perfis que está lá fora e que, mais ou menos, hoje toda a comunidade científica conhece. Bom, foi o nosso contributo do lado da Fundação e do Observatório, foi, em estreita colaboração com os peritos, produzir os primeiros documentos de análises disciplinares sobre o estado de desenvolvimento das áreas.

Ao mesmo tempo, o Ministério fez ainda um outro esforço para contribuir para o Livro Branco que foi encomendar alguns trabalhos ou a equipas ou a peritos individuais, que produzissem ou documentos de base para reflexão, ou mesmo propostas de programa integrado, ou mesmo sub-livros brancos dentro deste livro branco. É o caso das ciências e tecnologias do mar, foi o caso do processamento computacional da língua portuguesa, foi também o caso das ciências e tecnologias aeroespaciais. Portanto, a propósito destas áreas problemáticas, o Ministério entendeu dever convidar ou equipas ou peritos ou conjuntos de protagonistas nos diferentes sectores a elaborar diferentes documentos, de diferente natureza, eles são muito diferentes entre si, só para dar o exemplo destas três áreas, e que vão ser também objecto de apresentação pública e de discussão, tal como foi o processamento da língua portuguesa.

De algumas destas sessões de apresentação pública e de debate, surgiram ainda sugestões de aprofundamento de algumas questões. Estou-me a lembrar, por exemplo, do caso da física, em que, no contexto do debate foi sugerido que se organizasse um debate sub-sectorial só para o caso da física nuclear, das altas energias e da astrofísica e portanto, saíu como sugestão do próprio debate que se organizasse um novo debate já mais particular, para analisar questões específicas de sub-domínios da física. E a estas sugestões, o Observatório e a Fundação respondem organizando esses debates. O mesmo aconteceu, por exemplo, no debate das Ciências da Educação e da Psicologia, que surgiu a necessidade de organizar uma nova sessão já só para a Psicologia e a isso, o Observatório e a Fundação responderam também organizando. Portanto, isto só para dizer que há um processo de interacção entre a Fundação e o Observatório e a comunidade científica, que vamos respondendo, é um processo muito dinâmico, nós tomámos algumas iniciativas, apresentámos alguns documentos, isto não é um processo que esteja fechado, continua este processo de interacção e estamos certamente abertos, como há bocado à hora de almoço, aproveitando para falar com a Professora Isabel Hub Faria, chegámos à conclusão que é necessário fazer uma coisa só para a linguística. Pois certamente que responderemos e faremos o melhor possível para organizar a informação, para suscitar a apresentação de documentos que possam servir de base a uma reflexão e a um debate, neste caso, mais centrado nos problemas e nas questões relativas à linguística, que me parece de facto muito importante que aconteça também.

Portanto, era só para dizer, os convites feitos normalmente para estes debates, tivemos em atenção especificidades das áreas, evidentemente, procurou-se normalmente convidar todas as instituições científicas. De uma forma geral, todas as instituições científicas de todas as áreas foram informadas de todos os debates e portanto, os responsáveis dos conselhos científicos de todas as Faculdades, os reitores, os presidentes dos Laboratórios de Estado, os dirigentes das unidades de investigação foram sendo informados (...)* dada a intensidade e o ritmo a que no mês de Março, por exemplo, se realizaram os debates, mas procurámos sempre informar, duma forma geral, as instituições do que estava a acontecer. Depois mais especificamente, informávamos os doutorados das áreas em causa, ou de áreas afins, que normalmente era discutido com os peritos quais eram as áreas afins, como por exemplo, no caso da engenharia de materiais, convidaram-se também os físicos, no caso dos físicos, convidaram-se outras áreas, portanto eram negociações com os peritos no sentido de identificar quem era a população alvo mais interessante para os debates. Como aconteceu no caso do processamento computacional da língua portuguesa, evidentemente que foram convidadas as instituições da linguística, os doutorados na área, etc, no sentido de tornar o debate mais rico, de procurar que acontecesse de facto a interdisciplinaridade que normalmente com estas áreas temáticas se exige. Nestes processos evidentemente que há falhas, pode acontecer que uma ou outra instituição tenha falhado na nossa base e que não tenha sido possível ser dirigido o convite. Eu... falhas dessas, só posso agradecer que as sugestões de correcção cheguem ao Observatório para, evidentemente, podermos melhorar o nosso trabalho. E é tudo. Muitíssimo obrigada.


Fonte:
"Só uma ministra como a senhora poderia proferir um discurso como este:

http://www.linguateca.pt/transcr.../ Rodrigues.html

Alguém é capaz de traduzir?
Não percebi patavina!!...

PORRA!!
Onde é que fez a escola primária, o liceu e que faculdade frequentou?!!!