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20081024

"Esta crise é uma crise moral"

Dedicado a todos os "presidentes" que presidem aos nossos destinos:

A implosão da mentira

Fragmento 1
Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil as
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Affonso Romano de Sant'Anna
Nisto concordo com Bagão Félix: "A crise financeira mundial é um problema de origem moral, uma vez que se deixou de distinguir o bom do mau negócio".Só que eu vou mais longe! Esta é uma crise não apenas financeira mas sim civilizacional. Só espero que quando as lurdes e os josés e os bildbergs que nos governam caírem das suas cadeirinhas, não seja já tarde demais...

20080622

FP e os "jovens"

Vindo de quem considerou os professores como a causa dos males do ensino, não está mal pensado, não senhora!
Quem sabe não seja um bom exemplo a seguir nas aulas para interagir com os "jovens" e aumentar ainda mais as taxas de sucesso: matemática, história ou qualquer outra "seca" "rappados" e "graffittados"...
Porque isto de se esconder a indigência intelectual com a desculpa de que é para chegar até aos "jovens" já enjoa!!! Arre!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Dias contados Alberto Gonçalvessociólogoalbertog@netcabo.pt

Domingo, 15 de Junho
PESSOAS PEQUENAS
Leio que a Casa Fernando Pessoa comemorou os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, o que sem dúvida parece adequado. Em seguida, o que parece menos adequado, leio que as comemorações envolveram um concerto de hip hop e uma sessão prática de graffiti alusivos. Admito não ter visto os graffiti nem o concerto. Mas estranho um bocadinho que o maior escritor português do século XX seja evocado através de umas garatujas na parede e da adaptação musical (?) de poemas de Álvaro de Campos por artistas do gabarito de (recorro à notícia) Melo D., Maze, Fuse, Raptor ou Rocky Marsiano. Felizmente, a directora da Casa, Inês Pedrosa, esclarece: a intenção é "atingir os mais jovens". Nada tão claro. O gentil pressuposto em causa é o de que quanto mais jovem mais estúpido. Aparentemente, dadas as vicissitudes do tempo, um petiz não alcança nenhuma obra literária excepto se esta for arrancada com violência do seu habitat natural e degradada até ao limite do reconhecível. Adaptar Pessoa ao jovem médio implica que alguém, acompanhado por uma sanfona electrónica, grite as respectivas palavras para o microfone, de preferência com interjeições à mistura. Para o jovem de compreensão particularmente lenta, os rabiscos na parede bastam. Sendo um pressuposto comum e, ao que se vê, eventualmente justo, não há razão para não alargar o método às celebrações de outros escritores. Imagino que a juventude acedesse com facilidade à lírica camoniana desde que interpretada por mimos e marionetas do Chapitô. E que Eça alargaria o seu público se o elenco de Morangos com Açúcar encenasse uma adaptação dramatúrgica de A Relíquia (sob o título Fónix pá tia, man!). E que um álbum conceptual do Avô Cantigas recuperaria para as gerações vindouras os romances de José Cardoso Pires. Pelas crianças, tudo, ou elas não fossem o melhor do mundo, segundo escreveu Pessoa. Ou Bernardo Soares. Ou Ricardo Reis. Bem, o certo é que ouvi a frase a um rapper de Almada e achei-a o máximo.