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20081031

"15 de Novembro! Unidos, pela classe, pelo ensino, pela liberdade!"

Imagem do Kaos em reposição aqui e lá! (A Maça envenenada em reposição)

"Acudam! Acudam, «acorram aos mestres, que os Sindicatos os abafam»! Longe vão os tempos em que, de sapatilhas e calças de ganga, descia eu a Sá da Bandeira, em Coimbra, dando gritos à Liberdade. Longe vai o tempo, em que eu sonhava que um grupo de pessoas da minha profissão, defenderia os meus direitos, junto do poder. Inter Sindical, Nacional Socialista, pela Democracia, pela Paz, pela Liberdade. Meu Deus, que saudades!

Alguém, por aí, ainda sabe o que é um sindicato?
Mas um Sindicato a sério. Não estas amostras de gente que diz uma coisa e nos recônditos cantos do poder assina outra, traindo aqueles que, com sacrifício, pagam as quotas e os mantêm no seu fraco poder. Há gente que vive do medo. Gostam do seu pequeno mundinho, e têm medo de pensar, porque «pensar incomoda como andar à chuva». O povo é uma força viva. O povo unido jamais será vencido, não se esqueçam. E só a palavra pode derrotar o poder das armas sindicais, tal como a cantiga «a Palavra é uma arma». E nós temos a palavra!

Bolas, colegas! Somos uma das classes mais numerosas do país! Para quê confiar nos Sindicatos que nos traem em cada reunião com a Tutela e depois nos vêm contar as coisas à sua maneira, tentando conservar o seu protagonismo? Chega de comerem todos do mesmo bolo! Queremos lutar? Façamos nós a luta! Queremos defender os nossos direitos, pois sejamos nós a defendê-los. Nunca ouviram que se queres uma coisa bem feita, faz tu? É isso mesmo. Para quê pagar as quotas a quem pretende apenas um lugar junto do poder político? Nada atemoriza mais um governo que a incapacidade de controlar as massas. Os sindicatos, são, hoje, uma forma que os governos encontraram para dar uma imagem de concertação social, controlando as bases. O pior é se as bases viram o cesto. Como é? Perde-se o controle.

Todos juntos somos uma força!
É altura de pensarmos na união, ou então, verguem-se e aceitem todas as humilhações que vos infligirem! Certos de que cada um tem o que merece! Somos os mestres, somos professores, somos a classe mais importante numa sociedade, sem nós, todos seriam iletrados. Por muito sábio e culto que sejam os pais, os filhos nascem sempre analfabetos! É altura de lutarmos e defendermos a nossa vida, a nossa profissão, os nossos direitos. Chega de tanto pisarem! É tempo de fazer ouvir a voz do bom senso, de acabar com a falácia do Sistema.

Desmascarem-se os traidores das cúpulas sindicais que nada fazem contra os verdadeiros atentados que têm sido cometidos contra a classe! Quem se importa quando um professor é ultrajado, desrespeitado, destratado? Quem se importa se somos humilhados, se nos afogam em papéis, se nos obrigam a deixar de ter vida? Nós. Apenas. E somos muitos mil. Invada-se Belém e Lisboa tremerá; invada-se a Assembleia e a Lei não passará; desfilem aos milhares e a ministra cairá. Mas façamos nós! Não deleguem! Façamos nós que trabalhamos duro, na Escola, mais de dez horas por dia!

Professores, façam ouvir as vossas palavras de ordem! Chega de brincar com a nossa dignidade! Unidos, pela classe, pelo ensino, pela liberdade! Todos em Lisboa, no dia 15!"
Umbelina Ramalho (pseudónimo)