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20100106

Um traste chamado Isabel Alçada



Imagem KAOS

Havia um traço genético que me fascinava em Lurdes Rodrigues, que era a sua estrutura física e psíquica de mulher a dias. Eu olhava para ela, e sabia que um dia, se, naquelas prateleiras de anúncios do "oferece se" e "procura se", aparecesse "ex casapiana, séria, honesta e limpa, oferece se para limpezas. Tenho referências", eu logo poderia telefonar para aquele número, e dizer lhe, "Dona Lurdes, as teias de aranha de minha casa são todas suas".
Havia ali uma solidez de percurso, desde o balde de água fria, ao despertar matinal, no colchão duro e frio, que só as as ratazanas da Casa Pia aqueciam, que lhe tinha dado aquele espaldar de obedecer, e, quando eu dissesse, "Lurdes, limpa ali", ou "Lurdes, esfrega me aquela janela", ou "Milú, o corredor está todo por encerar...", aqueles neurónios da servidão iluminar se iam, e a janela apareceria esfregada, a mesa limpa e o corredor encerado, como que por milagre.
Era uma analfabeta funcional, estúpida, primária, obediente e resistente, e isso é todo um estilo.
Com Isabel Alçada, como já fora preconizado aqui, temos o oposto do que a Educação necessitava: um perfil forte, apartidário, com carisma suficiente para alterar um paradigma, que viesse trazer dignidade a um campo de batalha, por onde passara um dos mais obscenos caráteres que a Pasta conheceu, e resolver, de facto, o naufrágio educativo em que a Nação -- e sublinho "Nação" -- se encontra. Acontece que, se Lurdes Rodrigues não existia, senão enquanto subproduto de coligações subterrâneas entre mentes medíocres, das quais relembro David Justino (espero que já recomposto da sua Gripe A. Acredita que tive medo de que morresse.?... Felizmente, não), o vereador de Isaltino de Morais e conselheiro do atual Isaltino de Morais de Boliqueime, que habita Belém, e outros tantos nomes sombra, cuja única função foi o desmantelamento de um Sistema de Ensino, como, noutras frentes, outras almas negras se encarregaram de estripar o Sistema de Saúde e a Dignidade do Trabalho, dizia eu, se Lurdes não existia, esta ainda existe menos: é uma fábula de medíocre escritura de epígonos enredos, e veio apenas para contar histórias de passarinhos a homens de bigode.
Sonsa, secundária, solidamente escudada pela Sociedade Secreta a que pertence, casada, por conveniência, com um dos que consta, consta, atenção, consta... estar na célebre lista do "Casa Pia" -- outra miragem dos nosso volátil cenário -- de um infindável pretenciosismo, Isabel Alçada sabe que está ali tão só para pagar um terrível favor, e cumprir uma miserável tarefa, a de entreter uma série de basbaques, cujos horizontes femininos raramente foram além das saias rodadas das padeiras da Festa do "Avante".
Comigo, tem azar, porque tiques de pescoço de avestruz, excesso de base e cultura de perfume com toque de madeiras como eu todos os dias, quer dizer, viro a cara, e sou lhe de tal modo insensível que vou imediatamente à radiografia: se o Carrilho subiu por escada de coisa nenhuma, esta foi alçada por coisas ainda mais frágeis, e faz o papel daquelas que vai fora, mal seja preciso soprar alguém para fora do Governo, se os ventos assim se adensarem. O grave da coisa é que, entretanto, ela irá desempenhar impecavelmente o seu papel, que é o de continuar a entreter os homens de bigode, e fingir que já não se rege pela "meritocracia" interna, que parecia orientar a sua sinistra antecessora. Esta, maligna, miserável e intelectualmente remediada, irá sorrindo, e dizendo que, talvez sim, talvez não, até que, mercê de um Orçamento de Estado draconiano, depois de Janeiro, se virará para os homens de bigode e lhes dirá, "pois acreditem que até desejei que tudo isto se desbloqueasse, mas, com as faltas de verbas, tenho de lhes dizer, com desgosto" -- uma lagriminha fica sempre bem numa pseudo tia -- "que o assunto já não está nas minhas mãos, mas nas do meu colega das Finanças. Não me vão levar a mal, pois não?..."
Não, querida, não te levo a mal: já te radiografei, muito antes de qualquer um, e não te levo a mal, levo te a péssimo, levo te a abaixo de cão, e até te asseguro que não vais terminar bem, mas isso é um exclusivo problema -- problema!?... Aventura, já que és uma personagem de "aventuras"!!!... -- teu.

20081128

A MALDIÇÃO DA MINISTRA...



Estou em crer que a ministra da educação deve ser a pessoa que, neste momento, é a pessoa mais odiada deste país. Mas mais, para além disso, é odiada por uma classe profissional que, por norma, é bastante transigente e moderada mesmo nos seus ódios. A razão é simples, tomou os professores por parvos, abriu-lhes uma perseguição nunca antes vista, tratou de os denegrir o mais que pôde e tratou-os com uma arrogância e autoritarismo impossíveis de aceitar, fosse por quem fosse. O balanço final é simples de fazer: tornou insuportável a vida nas escolas, a professores, funcionários, alunos e pais.
Acordou no dia em que cem mil professores saíram à rua e acordou mal. Nesse dia, se tivesse um pouco de vergonha na cara e honestidade moral e profissional, tinha-se demitido. Mas não tem, nem uma coisa nem outra. Pelo contrário, com uma imbecilidade que ficará para os anais da história, resolveu ameaçar e exercer um poder, que acabara de perder, de uma forma ainda mais despótica e tirânica. Outra imbecilidade descomunal… No dia em que saíram à rua não cem, mas cento e vinte mil professores, começou a tentar mostrar-se mais humana e dialogante… Porém, esqueceu-se que os professores não estão esquecidos do mal que ela fez à escola pública e da forma como os denegriu e humilhou. Sabem que não é nem humana, nem inteligente e isso, para a classe, não tem perdão… Um mulher que obrigou colegas em estado de doença terminal a irem trabalhar, não fosse a sua cegueira e falta de vergonha patológicas, saberia que já nada tem a esperar neste país…
Possivelmente, irá para a Europa, como prémio de ter destruído a escola pública pensando nos tostões imediatos e para não ter que assistir de perto ao trabalho que irá dar tentar reerguer o que ela destruiu. É bom que vá e que se fique por lá, em Portugal está completamente queimada, enquanto não mudar de feições irá ao cinema, espectáculos musicais e a todo o lado a que vá e sentir-se-á mal, nem ela na sua patológica mania conseguirá ser imune ao desagrado que verá no rosto dos outros e aos comentários que ouvirá. Os ovos são muitos e de muitas espécies e não terá segurança para sempre… É a maldição que merece e que terá em Portugal. É bom que ria agora, porque o futuro se encarregará de a fazer engolir o riso…