20080919

Da Instabilidade Crescente das Caixas de Comentários à Coacção Assumida da Liberdade de Expressão

Imagem do KAOS
Antes de mais, uma saudação ao "Democracia em Portugal", que voltou a reabrir as portas, justamente num momento crítico, em que somos poucos para uma terrível maré que por aí vem.
As coisas correm com uma velocidade que ultrapassa, em muito, as ordens "superiores" de disciplinar a Visão da Realidade que dominam os tradicionais Meios de Comunicação Social, nalgumas esferas já tratados como "Meios de Intoxicação Social".
Explicitando, e exemplificando, aquilo que, ontem, se assemelhava a uma incontrolável desordem do Sistema Financeiro, já começa hoje a deixar cair a máscara e a surgir como um cenário "catastrofista" onde o cidadão comum ajoelhará, perderá um pouco mais, e achará natural, enquanto os Grandes são devorados pelos Super-Grandes, e uma espécie de Cartel da Especulação toma forma, num Mundo devastado pelo Desemprego, pela Escravidão, pelos papéis em forma de "Diploma", e de endividados até à Quinta Geração.
O Ministro das Finanças, ou da Economia, não vi, contaram-me, do Reino Unido, já soltou a sinistra frase que rege Bilderberg: "Tudo, mas TUDO faremos, para garantir a estabilidade do Sistema Financeiro..." Ora, para mim, que sou tendencialmente Sindromático de Dawn, imediatamente saquei de um guardanapo, enquanto jantava em Cascais, e escrevi "Tudo mas TUDO=GUERRA".
Sim, eu sei que isso é de La Palisse, mas tudo, hoje em dia é de La Palisse, excepto o descaramento com que nos servem a "pizza", embora, revendo esta fantástica súmula do Tratado de Bilderberg, está lá claramente dito que, em que caso de Crise, a precedência, vai, de facto, para a Estabilidade dos Mercados. Ora, a Europa Utopista, filha do Iluminismo Tardio, e que era ensinada nas escolas, quando ainda havia escolas, e não mercados de peixe podre, onde a Dona Lurdes, Porteira, agora vende o declínio da Cultura Portuguesa e o apogeu das técnicas de enfardamento chinês, desapareceu.
Tinha sido fundada com um fundamento, que era terminar com todas as Guerras.
A Nova Europa, dogmática, parda, esclavagista, inculta, drogada, egoísta, devastada e totalitária, apenas sonha com a establidade dos "Mercados", não dos Mercados onde você ia comprar carne, legumes e fruta, mas com o Mercado onde o Capital desenfreado vai lavar os lucros duvidosos, disfarçar falências, e criar Mega-Instituições, que amanhã lhe venderão livros escolares, bifes, e meia-assoalhada a crédito de 80 meses e 80 anos, com juros infinitamente maiores do que os empréstimos.
Na Idade Média, os escravos eram marcados com um ferro em brasa: hoje em dia, chapam-lhes com um "chip" de Lista Negra de Insolvência das necessidades do Quotidiano.
Ora, tudo o que eu acabei de escrever é perigoso, perigosíssimo, porque se trata de uma autópsia antecipada de um Frankenstein que eles ainda estão a montar, mas nós já começámos a esquartejar.
É o papel histórico do Livre Pensamento, e a Coroa de Glória do seu mais recente meio de expressão, a Blogosfera, pelo que a Blogosfera, mais do que qualquer frente de batalha, é hoje um alvo que será submetido a terríveis provações e exercícios de diversão nunca dantes navegados, tão-só porque, ao contrário das pressões sobre jornalistas, não é controlável.
A técnica está em muitos manuais da retórica bélica, e basta folheá-los, um a um: ponham-lhes, pelo meio, uns Processadores da Intel, uns monitores TFT, uns ratos ópticos, e teremos Maquiavel, em todo o seu esplendor.
Há uns pessimistas que dizem que "Mein Kampf" anda agora a ser relido por quem não devia, e os Manuais de Beria, e da Besta Estaline tornaram-se, de novo, actualíssimos. Os meios, de facto, assemelham-se, e parece que regressámos aos tempos do Livrinho Vermelho do Camarada Mao, e às eras em que os infiltrados da PIDE se enfiavam pelos cafés e começavam a falar, muito alto, contra a "Situação", para ver quem eram os parolos que, pela oralidade ou pela expressão facial, caíam na armadilha. Durão Barroso, uma das coisas mais sinistras que a Matriz Lusitana produziu, era nisso exímio, e a tal se deve o reles cargo que ousou assumir: dizem as más-línguas que chegou a estar simultaneamente inscrito em Direito e em Letras, para melhor poder sabotar as reuniões de efervescência académica.
Agora, eu vou passar do implícito ao explícito: gozando de uma invulgar liberdade e popularidade, espaços como as caixas de comentários do "Do Portugal Profundo" tornaram-se em campos de torneio de tal ordem que acabaram nas barras dos Tribunais do Santo Ofício, vulgo, "Justiça Portuguesa". É-me cada vez mais penoso ir lá, e escrever o que quer que seja, porque o amontoado de lixo é tal que qualquer intervenção que queira ser pertinente é imediatamente afundada pela maré negra que lá reina.
O processo também é clássico: os "agitadores" têm, como função, desviar a atenção do essencial para uns certos arredores. "A la limite", conseguem desorientar o próprio dono do espaço, e quando se entra no nível da interpelação pessoal, da ameaça física, do "bullying" e do "cyberbullying", a vontade é de, como no "Democracia em Portugal", de deixar de escrever. Esse é, obviamente, o objectivo do desestabilizador ou desestabilizadores, e eles não perdoam.
Este é um tema que tenho tentado abordar, mas esperei que amadurecesse, e está, como previsto, a amadurecer: no "We Have Kaos in the Garden", outro dos lugares altamente polémicos, pelo imediatismo e qualidade das intervenções imagéticas e de texto, o clima de desordem das caixas de comentários tem vindo a tornar-se efervescente. Contas feitas, e tudo espremido, para lá dos genuínos gestos de apreço e dos aplausos, ao que se assiste agora é a uma série de "sombras", que procuram desviar a atenção da temática abordada, para as suas pequenas quezílias, conseguindo, a médio prazo, paralisar qualquer tipo de diálogo, e evitar que temas candentes ali sofram desenvolvimento, ou que o autor perca tempo a responder a disparates, em vez de CRIAR, a arma mais nociva que ele tem contra essa escumalha escrevinhadora.
É clássico, e premeditado, maligno e coercivo.
Se estivéssemos na Atmosfera, corresponderia a tentativas de boicotar uma reunião, e tenderia para uma limitação da Liberdade de Expressão.
Em termos de níveis sonoros, o processo corresponde à diferença entre SOM e RUÍDO.
Caros colegas, que participais em espaços polémicos, como os já citados, e lhes acrescento agora "A Sinistra Ministra" e "The Braganza Mothers": como já tive oportunidade de escrever AQUI, há uma tipologia dos comentários, facilmente classificável, numa Axiomática de Lineu, e já descontando as patologias próprias de cada um dos nossos espaços de intervenção específicos, com aquelas pequenas sombras, que insistem em perpetuar as suas pequenas frustrações e vinganças de cozinha, e essa proliferação dos comentários erráticos, em crescente tom de violência e ameaça, nada mais ouvimos do que RUÍDO, mas um ruído, em nada, inocente: é uma tremenda e imparável tentativa de importar, do Mundo Quotidiano, para a Noosfera, lúgubres técnicas de Coacção da Liberdade de Expressão.
Aqui fica lançado o aviso, porque em plena guerra já estamos: somos perigosos para assegurar "a Estabilidade dos Mercados", sobretudo do Mercado das Ideias Feitas e do Politicamente Correcto, o pior lesa-majestade em que poderíamos incorrer.
Força e coragem, porque nós não estamos sós.

(Pentágono esotérico, no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e no "The Braganza Mothers")

4 comentários:

profavaliação disse...

Excelente texto! Eu que o diga! Temos de ser mais cuidadosos com a caixa de comentários. Infelizmente, seremos obrigados a moderar os comentários para evitar que os provocadores ao serviço do poder nos entalem e desmobilizem.

Hurtiga disse...

Nunca comentei nenhum post do Arrebenta. Hoje vou começar a fazê-lo: obrigada pela explosão dos seus textos! Obrigada pelo sarcasmo! Obrigada por nos abrir os olhos!
ABRAÇO

Pata Negra disse...

Pois! Não se hei-de comentar! Secalhar vou mudar a minha forma de comentar! Deixem que o lado pior se revele em todo o seu ex-plendor! Viva o Anónimo! Viva o Anónimo que é um tipo que eu não conheço mas que deve ter muito tempo livre proque vejo comentários dele por todo o lado!
E depois é preciso não esquecer a velha história de que os cães passam e a caravana ladra! Ou é o contrário?!

Moriae disse...

Os meus amigos andam por aqui :)
Abraço a todos eles!