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20080915

Boletim da Comissão de Defesa da Escola Pública (link para o PDF)


A todos que se interessem pelos problemas do Ensino e da Escola Pública recomendo a leitura do Boletim de Julho da Comissão de Defesa da Escola Pública, resultante do Encontro de 19/Abril.

LER AQUI

20080718

QUEREMOS UMA REDE QUALIFICADA DE ENSINO , AQUI EM PORTUGAL

A constituição de uma rede qualificada de Ensino do Português no Estrangeiro (EPE) será uma das prioridades do Governo português, nomeadamente no apoio ao sistema de ensino dos países lusófonos e à promoção do estatuto da Língua Portuguesa junto dos organismos internacionais.
Notícia SOL
Não poderíamos deixar de estar de acordo com esta medida.
Lamentamos é que para Portugal o governo tenha e vá continuar a ter uma política de destruição da escola pública.
Estamos a "bater outra vez no ceguinho"?... Temos pena!
Imagem daqui

20080330

E depois do 8 de Março?


No 8 de Março todos saímos à rua para demonstrar a nossa indignação. E depois do 8 de Março? Continuamos indignados? Como o manter? Como o expressar? Os movimentos de professores continuam a mobilizar-se, já só querem um novo 8 de Março, em pleno 25 de Abril. Mas teremos entretanto ganho uma maior consciência de que só em plena unidade poderemos ter a força necessária para recusar estas políticas devastadoras da escola pública que têm saído do Ministério da Educação?

Fala-se novamente em ir no Dia da Liberdade para a Assembleia da República. Gesto simbólico, mas também gesto consciente de que esse é o lugar da Democracia. Os deputados cumprem um mandato que o povo lhes deu, donde o povo tem o direito de apelar a esses deputados para que chamem a si essas leis e abram o debate sério de que a Ensino carece.


Entretanto vários debates têm ocorrido, quer nos blogues, quer nas escolas, quer em Assembleias, reuniões ou Encontros. Todos os meios são válidos para debater o ensino, o importante é continuar o debate e não vergar às imposições rígidas de alguns Conselhos Executivos
cumpridores incondicionais dos mais absurdos decretos do ME, alguns ainda mais papistas que o Papa, como deles se tem dito.

Os caminhos têm sido vários, a diversidade de opiniões é apanágio dos sistemas democráticos, mas a união é mais do que nunca essencial para a reconstrução da escola pública. Divergências à parte, todos devem estar unidos e conscientes que o importante é defender a escola pública, reconstruir uma escola democrática, equitativa e criar as condições dentro das escolas com vista a assegurar um ensino qualificado, formador de cidadãos livres, conscientes e preparados.

Leia aqui a proposta da Comissão de Defesa da Escola Pública

20080216

Des(informação) em Directo: Uma bota e três capachos


Todas as semanas, a SIC Notícias mostra o que vai ser a edição semanal do Expresso. A excelência do jornalismo, em antecipação, com Ricardo Costa, Nicolau Santos e alguns convidados semanais.

Expresso da Meia-noite, SIC NOTÍCIAS

Imagem (genericamente modificada) retirada do Kaos (ler texto)

Lamentavelmente esta semana só lá estava o Nicolau no país das maravilhas; tivemos pena, fez-nos falta o mano Costa pois apreciamos sempre confirmar as nossa suspeitas de que a informação anda manipulada e gera-se no seio da mais completa fraternidade com os governantes.

Que melhor exemplo de fraternidade deste conluio a que hoje assistimos? Falou a senhora ministra e logo uma chusma de oportunistas se lança no atropelo da apropriação mais vil da representatividade que se podia imaginar num debate que, por ser sobre o Ensino, devia dar bons exemplos: vem o presidente do Conselho das Escolas, Álvaro Almeida dos Santos, e diz: “nós, escolas”. Claro que este chamado “Conselho das Escolas" foi escolhido a dedo e formado às pressa pelo Ministério da Educação para ter um conselho-fantoche a falar pelas escolas do país; e o Nicolau continua a dar as deixas: “deixe-nos ouvir a voz dos pais”:

Entra o Albino, the Voice, na discussão (que discussão? ali não há discussão, estão todos formatados para dizer a mesma coisa e defender as mesmas políticas do ensino) e nós pais coramos de vergonha por estarem a usar a nossa qualidade de sermos pais para dizer tanta enormidade, para descer tão baixo e se pôr perfeitamente de cócoras diante da ministra. Tanto yes, minister sem o toque british, embora evoque o modelo inglês (sim, já sabemos que estas leis fazem parte de um plano maior, que imitam o modelo inglês que por sua vez imita o americano, já sabemos que o ataque é global e vem em pílulas da união europeia para destruir o próprio conceito de escola pública em nome das leis do mercado e que o objectivo último é a privatização do ensino. Quem sabe nessa altura alguns pais não poderão comprar escolas e ser donos do ensino. Talvez até possam depois dispensar os professores e tomar o seu lugar na atribuição das notas). Apenas lhe reconhecemos a esperteza saloia naquelas falas, num atropelo de palavras decoradas dos programas do ministério da educação. Um crápula que usa o bom nome de uma estrutura associativa, a CONFAP, tomada de assalto por estes pulhas, que usurpam os apoios financeiros não os distribuindo por toda a organização que encabeçam, como é sua obrigação, deixando sucumbir a estrutura que suporta a CONFAP (sem essa estrutura a CONFAP simplesmente não existe, é a voz de falsete do senhor Albino). Corta-se assim as ligações ao verdadeiro movimento associativo que ainda existe, ignorando-o e ousando falar em nome dessa estrutura de pais organizados e conscientes que só podem repudiar esta falsa representação: diz sem vergonha que tem sob a sua alçada "1800 federações" mas não as consulta, antes recruta entre os seus contactos pais da sua laia, oportunistas, que não se encontram organizados, acenando-lhes falsas promessas de cargos: “muitos pais estão já a ser contactados para vir a ser os futuros presidentes dos Conselhos Gerais”. Uma vergonha!

Além disso o Albino veio reafirmar que o que os pais querem é ver resultados: os alunos mesmo maus devem ter a oportunidade do sucesso. Diz o próprio Albino que os professores estão afogados em trabalho e por isso podem muito bem deixar para os pais essa tarefa de avaliar os alunos. É que, segundo o Albino há esta incompatibilidade de os professores verem alunos onde os pais vêm filhos. Por isso é tão importante serem estes a garantirem-lhes o sucesso, participando activamente na avaliação, ou seja, dê lá por onde der os filhos têm é que passar de ano, sejam bons ou maus alunos, para tal bastará que os pais tomem os órgãos de decisão da escola de assalto.

O jornalismo hoje é tão reles, que não nos admirámos nem um pouco da vileza dos convidados para o debate, nem que a FENPROF não estivesse presente. Que os media andam manipulados não é novidade, mas realmente é escandaloso. A FENPROF tem questionado activamente todas a contra-reforma do Ministério da Educação usando os meios legais ao seu alcance para deter o processo de destruição a que está a ser submetida a escola pública (4 providências cautelares), o que no mínimo é um assunto quente. Mas afinal quem aparece é a FNE, a chamada UGT dos sindicatos dos professores, que não deseja senão fazer pequenos ajustes no processo em curso. Não diz que o ataque não pode ser feito mas que o ataque deve ser bem feito, devendo-se “reforçar a autonomia”. Para este senhor a autonomia deve efectivar-se e não ficar pela retórica dos políticos. Vem vender o seu peixe miúdo: “para haver autonomia tem que haver condições: tem que haver meios humanos” (mão de obra) “e financeiros” (ó Abreu, dá cá o meu!) e toca para a frente que a educação é o que aqui menos importa. Chama-se a isto negociação sindical e, claro, teve que fazer o seu papel para enganar a classe que se deixa enganar por estes discursos, dizendo que os professores são centrais nas escolas e que a gestão colegial que lá está instalada já tem as suas lideranças fortes, para quê vir outra gente tomar o poder? Afinal o que todos mais precisam as escolas é de lideranças fortes, aqui não se trata de educação, trata-se de gestão. Aqui também estão todos estão de acordo, até o Secretário-Geral da FNE, João Dias da Silva, professor (em que escola?) em representação dos professores (lembro que quem não se sentir retratado pode sempre mudar de sindicato, nem que seja para outro que esteja a fingir melhor defender direitos dos professores em vez apenas dos seus interesses de negociata!), leu a mesma cartilha. Para ele desde que se façam uns pequenos ajustes, uns joguinhos de tira daqui para dar acolá, tudo faz sentido. Deve ser um dos que vieram agora defender que os alunos 11 horas na escola é uma coisa boa, desde que dê emprego a mais professores...

Para a sinistra Ministra, com a presença radiosa a que sempre nos habituou, tudo isto é muito simplex de resolver, os professores é que complicam, são um entrave, quem lhe dera poder fazer uma escola sem professores. Mas não faz mal, reúne uns tantos presidentes de conselhos executivos, dá uma geral, dita as suas normas, rígidas, claro, “o exercício é difícil, é exigente, é preciso simplificar” e toca a despachar paletes de normativos, tudo para simplificar, “com sistemas e processos iguais em todas as escolas”, para reforçar a autonomia (!) e é vê-las melhorar, sem stresses, os professores complicam muito, “é necessário descomplicar, vamos trabalhar no sentido de simplificar”, faz parte da rotina, os professores têm que “desdramatizar, não trabalhar sob o medo e as angústias” (aqui só gostava que a televisão fosse mesmo interactiva e que fosse passando em rodapé todos os nomes feios chamados em simultâneo a tamanha aberração). A ministra ocultou o pormenor que vai ter o queijo e a faca na mão: se os directores não dançarem conforme o Ministério toca ele reserva-se o direito de os exonerar. Só disse que eles vão ser avaliados e que podem estar tranquilos que o Ministério vai “distinguir e premiar as boas práticas”. Claro que para a ministra “a excelência não se distribui” (aliás estava de férias quando os pais fizeram a criatura) , pelo que “não podemos admitir que haja 70% de pessoas excelentes e 30% não excelentes, o contrário é que é o normal”. Ou seja, a excelência vai ser como as quotas: se numa escola mais de 30% dos professores forem excelentes, isso não é normal, logo se impõe arranjar alguns bodes expiatórios e mandar que se lhes baixe a excelência. Para isso será útil contar com os professores avaliadores, que por sua vez também serão avaliados pelo(a) senhor(a) Director(a) que se limitará a fazer aplicar as normas ministeriais. Será por estar a formar toda uma equipa de paus mandados que qualificou publicamente os professores de “professorzecos”? Realmente correm o risco de se tornar desprezíveis os seres que aceitam não serem excelentes em troca de serem meros cumpridores de ordens e de normas. Como pode esta bruxa continuar à frente da Educação depois disto? Que tacto tem ela para lidar com a classe dos docentes? Esta bota só se pode debater mesmo é com capachos destes a fazer-lhe frente. Mas qual fazer-lhe frente? Neste debate ninguém fez frente a ninguém, todos trocaram os seus sorrisos cúmplices. Como tantos outros a que temos assistido, este debate não foi feito para discutir os problemas do ensino, este debate foi só para num momento de grande contestação um simulacro das várias partes implicadas no processo educativo virem dizer em uníssono “yes, minister”! E que coincidência jornalística tudo isto se passar nas vésperas do senhor engenheiro ir encontrar-se com os senhores do seu partido para os convencer que o Ensino está no bom caminho!


20070923

Novidades no Blog Escola Pública


Cartaz do Maio de 68


Realizada a reunião de 20/09 (ver a ACTA) da Comissão de Defesa da Escola Pública, existem algumas novidades no Blog da Escola Pública:


- Um novo encontro da CDEP com o deputado Luís Fagundes Duarte e outros deputados da bancada parlamentar do PS foi agendado para dia 26/09;

- Torna-se cada vez mais urgente reunir materiais para organizarmos em conjunto um dossier que oriente a nossa intervenção na sessão aberta na Assembleia da República. Os contributos de todos os implicados no processo educativo são imprescindíveis para a construção de uma escola pública democrática e para o ensino de qualidade que todos desejamos.

escolapublicablog@gmail.com

Contactem-nos e retratem as vossas inquietações acerca do momento actual da escola e onde as novas políticas do ensino a podem conduzir. Que opções tomar? Podem fazê-lo em nome próprio ou referindo apenas a profissão ou qualidade que exercem. A união é essencial.


20070907

As cores da ministra

Não sei se deram por isso mas a revista Visão de hoje na sua rúbrica

"mais & menos
QUEM GANHOU COR E QUEM A PERDEU ESTA SEMANA"

(pág. 22)

pintou a ministra desta forma:

"Maria de Lurdes Rodrigues inicia mais um ano lectivo sem problemas e com uma grande «fezada» (sic!) no incremento dos cursos de via profissionalizante."


Das duas três:

-- ou os responsáveis por esta rúbrica são uns grandessíssimos troca-tintas pois os professores com quem tenho falado nunca viram o futuro da Educação tão negro nem se lembram de uma ministra tão cinzenta e passam as noites em branco a ver se encontram uma saída para as medidas absurdas que continuam a ser tomadas;


-- ou os jornalistas são já obrigados a escrever em código, querendo «fezada» referir-se a "fezes" e podendo-se assim ler nas entrelinhas que muita merda continua a ser feita no Ensino;


-- ou este tipo de jornalismo aligeirado feito à maneira da Caras (quem está in; quem está out) não tem outro fim senão vender gato por lebre: é que me conste o ano lectivo ainda não começou e para muitos professores que ficaram no desemprego os problemas já começaram e não devem ser poucos; além disso este louvor aos "cursos de via profissionalizante" resulta completamente gratuito pois não há jornalista que nos mostre que a realidade é que não têm outro objectivo que o de gerar rapidamente uma massa de gente ignorante que facilmente servirá de carne para canhão a um sistema que se alimenta de empregos precários e mal remunerados que só convêm a quem procura mão de obra barata e desqualificada.