20080414

Um ponto da situação

Ora vejamos:

1. 8 de Março – duas semanas antes três movimentos sem expressão saíam à rua, mas a novidade dava-lhes um impacto que eles próprios duvidavam poder ter.

a. O SPRC e outros sindicatos da FENPROF pegaram na ideia e deram-lhe conteúdo – deixou de ser apenas uma manifestação de protesto para passar a ser um movimento de afirmação de posições claras

b. Em duas semanas tínhamos 3000 em Aveiro e em Coimbra, 2000 em Viseu, Leiria e Castelo Branco e 1500 na Guarda. Como lemos isto quando as concentrações não tinham, antes, mais de 400 ou 500 participantes, sendo organizadas por movimentos incógnitos, levavam muitos olheiros, para ver o que dava. O SPRC pôs na rua 13500 professores (na região há 30.000 professores ao todo) por uma escola pública de qualidade e pelo direito a uma profissão digna e valorizada

2. Veio o 8 de Março, mesmo – o crescendo de contestação amadureceu o pensamento e a Resolução foi aclamada, tomada por manual e assumida como arma que dispara numa direcção – o governo e o ministério da educação

3. O poder tremeu: Sócrates perdeu nas sondagens, o discurso apareceu mais conciliatório para a opinião pública, mas MLR mantinha-se firme na sua convicção de que o que estava a fazer era o melhor. Alguns chamam-lhe engenheira social (Raul Iturra) outros teimosa.

4. Certo, certo é que MLR tinha pela frente uma barreira intransponível – ou vencia pelo cansaço da oposição ou mudava o rumo – limpando a sua imagem, tentando não dar uma imagem de fraqueza.

5. 11 de Abril, um mês depois – forçada a reunir com os sindicatos 3 vezes depois de 3 anos sem o fazer, verificou a sua impotência para manter esta avaliação e foi direita à Resolução: Avaliação (ver site do SPRC) o que é se não a suspensão? O que diz a Resolução para a acção imediata? Veja-se: “suspender o processo de avaliação até final do ano lectivo, sem que daí resulte qualquer prejuízo para a carreira dos docentes”. E a Gestão? Texto da Resolução: “garantir a não aplicação às escolas, até final do ano, de qualquer procedimento que decorra do regime de gestão escolar aprovado em Conselho de Ministros e ainda não publicado”. Ganhámos ou não esta? Não queríamos isto? Então porque o aprovámos em Lisboa?

6. E o resto para agora? Horários - veja-se a situação dos professores – no 2º e3º CEB: 22H+5H+8H. Agora vão ter, em vez de 8 horas para a componente individual, 10 ou 11 horas, conforme o número de alunos. E descontar o tempo de formação contínua na componente não lectiva de estabelecimento? Finalmente consideram a FC como formação profissional. Finalmente!

4 comentários:

JP disse...

Oi,
o ponto de partida foi o Plenário no Cinema Batalha no Porto, onde a moção aprovada tinha todas as propostas de luta que se seguiram.Aí tudo começou e logo se percebeu que estavamos perante algo de novo, com a presença de gente que nunca era vista nestas coisas. O tempo foi passando e a onda crescendo, mas sempre com os sindicatos - os nossos verdadeiros representantes - presentes, porque o que se viu de movimentos que por aí foram aparecendo, foram quase sempre tiros no pé.
Já agora, perante as negociações com o ME, sugeriam o quê?
JP

Moriae disse...

Caro JP,

agora é tarde para sugerir. no entanto, se as moções foram aí definidas então os professores não têm grandes argumentos. Eu não estive presente e não me lembro de ter lido o texto que saiu desse encontro mas ele existe, não existe? Será que me pode dar o link ou enviar por e-mail?
cumprimentos,
M.

JP disse...

Boas,
aqui fica o texto a que me refiro:
http://www.spn.pt/?aba=27&cat=5&doc=2063&mid=115
JP

Moriae disse...

JP,

obrigada. Mas, há um texto de moção aprovada?

E independentemente de tudo, força para amanhã. Será certamente um dia marcante para os professores portugueses.

abraço,
M.