20080413

Vocês decidem!

Imagem do Kaos integrada no post Puro veneno . Penso que deve ser lido.

"Às três da manhã do dia 12 de Abril surgiram os sinais do “ entendimento”! De lá até agora, li centenas de comentários e ouvi nas televisões e rádios várias intervenções de professores, de políticos, de pais, de comentadores pagos para dar opinião. A sua e a daqueles a quem servem! Governo e Maria de Lurdes Rodrigues cantam vitória! Não houve cedências, não houve recuos, “ a soma é nula”! A Plataforma Sindical considera o dito cujo como uma vitória dos professores! Dos professores que têm lutado sem descanso contra a actual política do Ministério da Educação. E os professores dividem-se nas opiniões, enquanto tentam descobrir o melhor caminho! É natural e salutar! As cicatrizes são muitas e profundas! Os estragos de MLR ficaram, para sempre, gravados a negro na alma de cada um de nós! Não parece justo que a compensação pelas horas roubadas ao sono seja um “ entendimento”! Não é fácil aceitar um “ entendimento” que, para José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues, é considerado como mais uma vitória da determinação e da capacidade de negociar da Senhora Ministra! Da mesma que ao longo de três anos nos virou as costas e substituiu as negociações com os professores e os seus representantes por pseudo - representantes com os quais é fácil entender-se! Não é fácil aceitar um entendimento que não entende que sem a alteração do ECD não é possível qualquer entendimento! Não é fácil perceber um entendimento que deixa em aberto a possibilidade dos professores contratados poderem recorrer aos tribunais quer sejam avaliados com simplex ou complex! E tudo porque, neste momento, para os mais informados, os dois são possíveis! Dia 17 de Abril, na próxima 5ª Feira, será dia de ratificar o “ entendimento”! Antes disso, há o dia 15, o dia D, o dia dos professores confirmarem se o desejam ratificar ou não! Aquilo que a Plataforma conseguiu foi um entendimento e não um acordo! Foi um entendimento possível que exigiu, como todos os entendimentos, algumas cedências de parte a parte! E, da parte do Ministério, muito menos do que seria desejável! Foi um entendimento que possibilita, no entanto, a curto prazo, forçar o Ministério a outros entendimentos! Foi um entendimento e os professores, no dia 15, poderão sempre fazer outro! Poderão dizer exactamente o que querem e exigem! E deverão, ao fazê-lo, estar conscientes de que só em uníssono será possível revogar aquilo que querem ver revogado! Os professores têm de decidir se confiam na Plataforma ou no Conselho de Escolas! Se confiam na Plataforma ou se acham que conseguem atingir os seus objectivos sozinhos! Os professores têm de decidir no dia 15 o que querem fazer e com quem! Nas últimas semanas, os professores sentiam que havia quem começasse a desmobilizar! Hoje os ânimos acordaram e a vontade de agir voltou a fazer-se sentir! Só por isso já valeu a pena o “ entendimento”. Agora, a sua ratificação não será feita novamente no CNE! Será feita nas escolas ou nas ruas! Será feita onde e como os professores quiserem! Será feita com a certeza de que o Ministério vergará, se ninguém desistir! Se cada um chamar mais um! Dia 15 decidam! Reajam, façam, lutem! A Avaliação, o ECD, a Gestão, o Ensino Especial, o Estatuto do Aluno, a Escola! Tudo nas vossas mãos, basta que acordem!" (JL, recebido por e-mail)

10 comentários:

Anónimo disse...

Não estou a perceber, então dia 15 é para discutir formas de luta ou transformar todas as escolas numa espécie de "prós e contra".
Por este andar, não tarda que daqui a um ano estaremos todos unidos contra aquela maldita direita que tão mal tem feito à escola pública. Não faltará a mão amiga de Manuel Alegre e de Mário Nogueira para os grandes combates contra a direita. O falso engenheiro poderá, nessa altura, voltar a sorrir.

" A esquerda unida, jamais será vencida"!

Anónimo disse...

Dificilmente alguém se disponibilizará para fazer o papel de Fátima Campos Ferreira, portanto será dia, com certeza, de definir estratégias e traçar o caminho a seguir!

Anónimo disse...

Qual seria a alternativa? Agora, os professores sabem podem fazer recuar o ME e que, se estiverem unidos, conseguem ganhar. A luta vai continuar pela alteração do ECD e do Dec Regul 2/2008. Está tudo em aberto. Não se pense que os professores conseguem ganhar o que quer quer seja sem os sindicatos. Sem a união dos sindicatos, os professres são um grupo dividido em pequenos grupos sem estratégia comum. Vamos continuar a lutar?
Ramiro

Isabel disse...

A marcha dos 100 000 não teria sido possível se os movimentos dos professores, bloguistas ou não, não tivessem pressionado os sindicatos. É que, mais do que a ministra, foram os sindicatos que se sentiram ameaçados - daí o apoio do PC. Lembram-se que os sindicatos não deixaram falar ninguém dos movimentos na Praça do Comércio? Ficaram com os louros, que era o que eles queriam... e nós UNIDOS à espera dos seus acordos. Acham que foi uma vitória? Alguém se lembra da greve às avaliações de 90 ou por aí? O que é que eles nos fizeram? Com amigos destes, quem quer inimigos? É verdade que precisamos deles mas eles sem nós o que são? Há que continuar a exigir que apresentem as NOSSAS propostas e, para já, só poderemos fazê-lo no dia 15! E a resposta á pergunta do Ramiro é: "SIM, continuar a lutar!"

Anónimo disse...

Caros colegas: sinceramente não consigo entender os argumentos dos que defendem este “entendimento” pelos motivos que passo a expôr

1.salvaram-se aspectos muito pouco significativos da avaliação dos contratados ( alguém imagina que com este “clima” se iria dar insuf/regular a um contratado mesmo se avaliado na versão complex? );

2. adiou-se por 3 meses a implementação do novo modelo de gestão com alterações de última hora - Director pode ser bacharel, não titular, sem curso de administração e gestão - feitas à medida para alguns PCE´s poderem concorrer e presidir aos CP´s sendo o único professor desse órgão que não é titular (seja lá isto o que for…);

3. os sindicatos ganharam o estatuto de parceiro “pedagógico” - só lhes faltou um lugarzinho no CCAP para darem uns palpites sobre as celebérrimas orientações;

4.o modelo do 2/2008 mantém-se inalterável para o próximo ano lectivo, com todos aqueles parâmetros aberrantes e esquizofrénicos, a loucura das fichas e dos indicadores de medida surrealistas feitos à medida do ego de iluminados do CP após acordo nas costas dos professores com o PCE.

5. positivo a uniformização das 8/11 horas da componente individual que penso já existir na esmagadora maioria das escolas - as que tinham 4 Horas , os profs talvez merecessem…por serem medrosos;

6. as benesses para avaliadores e PCE´s , o 11º escalão são a cenoura na ponta do pauzinho… eu sou avaliador e não me vendo por tão pouco, demito-me! ;

7. a componente não lectiva ser usada na formação é um direito, não uma cedência;

8. o resto…enfim , parece-me muito pouco e mal articulado, a não ser que o “entendimento” contenha aspectos de estratégia ou secretos que ainda ningém me soube explicar.

Acham mesmo que isto foi uma “vitória” ou mesmo sequer um entendimento que nos é útil?

Expliquem então isso melhor.

António

Isabel disse...

Anónimo das 13.02
Ainda bem que estás de acordo que não foi uma vitória. O que eu acho é que foi uma vitória do ME! Por isso acho importante que no dia 15 pressionemos os sindicatos no sentido de não assinarem o acordo no dia 17 e que apresentem as nossas propostas. Que mais podemos fazer nesse dia?

Pata Negra disse...

No dia D todos terão oportunidade de dizer a sua palavra. Vou orientar uma reunião, vou registar, nos suportes que tenho em mão, as opiniões; vou fazê-los chegar aos nossos representantes, os nossos representantes não vão poder lê-los todos porque serão muitos; estamos a viver momentos difíceis; os nossos representantes têm em mão altas responsabilidades. Estamos todos condenados a lutar por um longo e tortuoso caminho - serei o último a desertar!
Um abraço sem condições

Anónimo disse...

Agora quem domina aqui é o MRPP?!! Já não estamos em 75. O PCP é cordato...Não sejam irresponsáveis!

Peixoto disse...

Depois de uma série de rondas negociais que deveriam ter ocorrido antes da publicação do decreto n.º 2/2008, eis que, em simultâneo, Ministério da Educação e Plataforma de Sindicatos sorriem para as televisões e "cantam" vitória. Uma vitória de Pirro, muito provavelmente... Só faltou mesmo a foto em conjunto com ambos os intervenientes a darem palmadinhas nas costas entre si!
O Ministério consegue que as manifestações e greves deixem de ter sentido de se realizarem, fazendo com que se esfume, por completo, a força emanada pelo descontentamento dos professores. Os tão badalados plenários a realizar na próxima 3º feira terão, muito provavelmente, uma adesão diminuta.
Os sindicatos pensam ter conseguido passar uma imagem de credibilidade, assumindo uma posição não dogmático. Conseguem minimizar os efeitos da avaliação para os docentes contratados, mas nada inviabiliza que a complexidade do decreto n.º 2/2008 seja para manter no próximo ano lectivo.
De facto, o que continua a ter força de lei é a "monstruosidade" em vigor pelo decreto nº 2/2008. Muito água irá ainda correr debaixo da ponte. As minhas espectativas não são as mais optimistas. Mas, não tenhamos dúvida que toda uma força de contestação se esfumou...

Ana Costa disse...

Meus caros professores não são assim tão ingenuos para perceber que as lutas e os protestos obedecem aos interesses das agendas partidárias.Qual foi o 1º partido a cantar vitória,pois é,foi o do Mário Nogueira.A seguir vieram todos os outros a reclamar a paternidade do apoio á luta dos professores,como disse o Vitorino do PS,habituem-se...