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20081214

'Contributo para desbloquear uma situação' por António Brotas

"Penso que para desbloquear no curso deste ano a situação de confronto existente entre o Ministério da Educação e os sindicatos dos professores será necessário pensar em medidas do tipo:

1-O Ministério deve manter, com algumas eventuais pequenas alterações a acordar com os sindicatos, o regime democrático da eleição das Direcções das Escolas, mas com a exigência adicional das Direcções eleitas terem de ter a aprovação mínima de 50 % das Assembleias Eleitorais. No caso de numa primeira votação a lista mais votada não atingir os 50 %, seria feita uma segunda votação com a exclusão das outras listas, com a alternativa de, no caso dos 50 % não serem atingidos, o Ministério nomear um director por um período de 2 anos. Findos estes, a escola poderia optar por voltar ao regime da eleição da Direcção. As Assembleias saberiam, claramente, em que é que votavam.
Uma vantagem será o Ministério ter só de nomear directores para as escolas que o queiram e ter adicionalmente a possibilidade de avaliar o desempenho dos directores.

2- Como melhorar os programas ? Copiando programas estrangeiros? Confiando a sua elaboração a iluminados que no interior do Ministério decidam sobre os programas de todas as escolas? E como escolher esses iluminados que têm tendência a mudar constantemente os programas? Os professores deviam dedicar só 2/3 das aulas a ensinar a matéria dos programas elaborados pelo Ministério, para a qual haveria exames nacionais. No outro terço, teriam a liberdade para ensinar as matérias que entendessem. Um professor de Geografia do Porto, por exemplo, poderia ensinar a geografia do Norte e da Galiza. Um de Lisboa, poderia usar as suas aulas para estudar em conjunto com os alunos os transportes na Área Metropolitana de Lisboa. A avaliação da matéria destas aulas seria feita pelos professores, como entendessem, e contaria para um terço da média. Penso que devemos ter confiança na capacidade criativa dos professores. A prazo, os programas dos professores influenciariam os programas nacionais. Esta medida revolucionaria o ensino português e alteraria radicalmente a condição dos professores do
secundário, hoje reduzidos a simples transmissores de conhecimento.. Será que os professores a desejam?

3- O Ministério iniciaria este ano uma primeira fase da avaliação dos professores, mas seria claro que se tratava só de uma primeira fase. Aproveitando uma ideia dos sindicatos, esta primeira fase poderia consistir no envio para o Ministério, por todos os professores, das respostas a um questionário convenientemente elaborado e com uma larga margem para os professores falarem das iniciativas em que gostariam de se empenhar. O Ministério não tentaria escolher este ano os professores “Excelentes”, mas iniciaria uma sondagem junto das direcções das escolas, dos outros professores, dos pais, dos antigos e actuais alunos e da sociedade em geral, para estabelecer uma primeira listagem de potenciais professores “Excelentes” . As respostas dadas ao inquérito, seriam um elemento a considerar para estabelecer esta listagem. De igual modo, o Ministério estaria atento a informações sobre eventuais “maus” professores que, poderiam ser contactados já este ano, mas numa óptica de lhes ser dado apoio e dando-lhes garantias de que nenhuma decisão sobre eles seria tomada sem lhes serem dadas amplas possibilidades de defesa e recurso..

4- Atenuada a tensão com os sindicatos, o Ministério devia, no que lhe resta deste ano lectivo, tentar abordar os gravíssimos problemas do desemprego e da formação em excesso de novos professores, nem sempre com uma qualidade assegurada. Seria conveniente promover um seminário sobre estes assuntos.
Há algumas decisões relativas ao início do ano lectivo 2009/2010 que têm de ser tomadas agora , mas devemos ter presente que as grandes medidas relativas Educação vão ser tomadas depois das eleições legislativas. Não devemos, por isso, tentar impor ao futuro Ministro o quadro em que terá de actuar. O importante, agora, é que os diferentes partidos dêm uma muito grande atenção aos problemas da Educação nos seus programas eleitorais."

António Brotas

Professor Catedrático Jubilado do IST
Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Científica do VI Governo Provisório

20080909

"Há na sociedade portuguesa um deficit de debates que faz com que, a par de assuntos exaustiva e frequentemente mal tratados, quase sempre pelas ...

«Lisboa, 9 de Setembro de 2008
Caro António Vitorino,
Faço votos de que a muito curto prazo a Fundação Respública divulgue um email para onde os cidadão, e muito em particular os militantes e apoiantes do PS, possam enviar, opiniões, sugestões e críticas.
Espero, obviamente, que estes contributos não caiam em saco roto.
Há na sociedade portuguesa um deficit de debates que faz com que, a par de assuntos exaustiva e frequentemente mal tratados, quase sempre pelas mesmas pessoas, haja outros, fundamentais para o País, em que se estabeleceram verdadeiros mantos de silêncio com a exclusão dos que para eles poderiam dar contributos válidos.
A Fundação Respública será muito bem vinda, se conseguir iniciar debates abertos e construtivos nestes domínios.
Sugiro-lhe que esteja atento à informação e opiniões que circulam nos blogues e são enviados por email. Esta informação, que complementa a da Comunicação Social, é um fenómeno novo cuja importância não pode ainda ser inteiramente avaliada mas é, certamente, muito grande.
Haverá, sem dúvida, que fazer uma triagem. O problema é o de separar o joio e saber utilizar o trigo. Será o modo como irá exercer este poder que permitirá amanhã avaliar o papel da Fundação.
Aproveitando os meios hoje existentes, adquiri o hábito, quase diário, de enviar por email textos com comentários, sugestões e críticas para algumas centenas de endereços que tenho numa agenda electrónica. Nela incluirei os endereços da Fundação e dos seus responsáveis, logo que os tenha.

Reenviarei já hoje, neste caso a si, um texto que me chegou ontem com um comentário meu.
Com as minhas melhores saudações
António Brotas»

Notícia relacionada no site da RTP:
PS lança "Fundação Res Publica"

20080720

A EDUCAÇÃO E OS CRÍTICOS por António Brotas

O Problema da Educação em Portugal não está só nos erros e insuficiências de quem governa mas, também, na quase absoluta falta de propostas (e muitas vezes ignorância) dos seus habituais e quase direi encartados críticos.

Tomemos o exemplo do crescimento anómalo este ano das notas de Matemática do Secundário em que o Ministério quis ver o resultado das medidas que recentemente tomou para melhorar o ensino da disciplina. Um senhor permitiu-se mesmo aparecer na Televisão a dizer que os pontos tinham sido elaborados segundo critérios científicos. Contra esta risível opinião a Doutora Filomena Mónica emitiu uma violentíssima critica largamente referida na Comunicação Social , em que afirmou que para melhorar o ensino da Matemática era necessário formar professores e melhorar o ambiente das escolas.

FM teve, certamente. razão no que disse, mas ignorou que temos actualmente (e sempre tivemos) muitos professores capazes de ensinar bem Matemática. O problema da melhoria do nosso ensino da Matemática não é, assim, um problema a resolver a prazo. É, fundamentalmente, o problema de sermos capazes de utilizar os nossos melhores professores (do Secundário e do Superior) para definirem os programas, elaborarem os pontos, reciclarem os maus professores e, naturalmente, formarem científica e pedagogicamente os professores do futuro.

Tivemos, no inicio dos anos 70, uma excepcional experiência em termos europeus de ensino da Matemática: a das turmas experimentais do 11º ano orientada pelo Professor Sebastião e Silva, que, infelizmente, morreu pouco depois e não pôde dar continuidade a este seu trabalho, que deveria ter influenciado todo o ensino português. Da experiência dos anos 70 ficou um Compêndio policopiado que, depois do 25 de Abril, o Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério editou em livro, em tiragens de 20.000 exemplares, conjuntamente com um Guia para os professores. Estes livros não se encontram hoje à venda em parte alguma.

O Ministério daria um imediato e grande contributo para o ensino da Matemática se reeditasse este Guia de autoria do Professor Sebastião e Silva e o fizesse distribuir a todos os professores do Secundário. Muito em particular, eles podem nele encontrar conselhos muito úteis e oportunos sobre o tipo de perguntas que se devem fazer nos exames. (13/07/08)

António Brotas
Antigo Director do GEP do Ministério da Educação e Professor Jubilado do IST

20080406

Convite para o lançamento [Bertrand] de "Três Informadores da PIDE" de António Brotas

«..."Um relato em tom desprendido que se pretende fique “in memoriam” raivoso de um regime e dos seus métodos"...
Este não é um livro de memórias, mas de recordações, que são o que fica quando a memória se começa a esvair, e reaparecem quando um estímulo as desperta. Neste caso, os estímulos foram três textos que comecei a escrever sobre três informadores da pide. Durante décadas, os portugueses viveram num mundo que tinha como fundo a pide e os seus informadores. Para os cidadãos comuns, os pides eram seres longínquos e os informadores seres muito próximos, mas que não se sabia quem eram.»

«Mais informações sobre o lançamento do livro "três informadores da pide" podem ser encontradas no site da Bertrand www.bertrand.pt, entrando na secção e eventos"» (António Brotas)
Imagem: António Brotas Homepage
[Nota: A informação, à hora deste post, não estava actualizada no site da Bertrand. No entanto, passo a referenciar outro livro do autor igualmente publicado pela editora:Essencial sobre a teoria da relatividade (O)]

20080310

A AVALIAÇÃO NA BÉLGICA

«É importante que o Ministério da Educação, antes de tentar impor uma reforma global que pode estar radicalmente errada, se procure informar sobre as formas de avaliação dos professores adoptadas noutros países da Europa, que parecem serem razoavelmente aceites pelos seus professores. A Comunicação Social pode dar, neste assunto, uma importante ajuda. No Sábado passado, vi na televisão, num curto programa, um professor explicar que, quando na Bélgica, o director de uma escola recebe a indicação de um professor não estar a desempenhar convenientemente as suas funções, pede ao Ministério para nomear uma comissão para o avaliar. Penso que uma medida deste género, desde que convenientemente negociada, pode ser aceite pelos Sindicatos e Comissões de Pais portugueses. Os maus e muito maus professores são poucos, mas existem, e há que proteger os estudantes de a eles estarem sujeitos.

O ensino português pode melhorar com simples medidas de bom senso. No caso citado, o Ministério, em vez de procurar avaliar simultaneamente 140.000 professores, tem, simplesmente, de promover a criação de órgãos especializados para avaliar a competência dos relativamente poucos professores suspeitos de não serem competentes. A estes, devem ser dadas todas as garantias como, por exemplo, a de poderem designar dois elementos para integrarem a comissão encarregue de os avaliar.

O Ministério deve, também, criar órgãos vocacionados para detectar os muito bons professores, que são o património mais valioso de um sistema educativo, e que devem, depois, ser utilizados pelo Ministério como motores da melhoria do nosso sistema de ensino. Numa avaliação global, simultânea e esquemática, estes melhores professores correm o sério risco de não serem considerados aptos para serem professores titulares, e serem assim impedidos de influenciar o evoluir das próprias escolas. E corremos um outro risco: o de alguns dos piores professores se tornarem “especialistas em serem avaliados” sendo assim seleccionados para professores titulares e passando a influenciar fortemente o futuro do nosso ensino.

António Brotas,

Antigo Secretário de Estado e Director do Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação. »