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20090504

' ... acreditem, da maneira que vai …vai piorar'

Imagem em : www.f1bolao.com.br/
"Os escritores devem escrever. Qualquer pessoa tem a obrigação de pensar e o direito de expressar-se. Claro que isto não acontece num país de analfabetos, onde não se tem interesse em que o povo pense: um povo informado escolheria outros líderes, não ficaria calado quando pisam a sua honra, expulsaria dos seus cargos os pseudo-líderes e tentaria recompor as instituições aviltadas. Mas nós não fazemos nada disso: parecemos analfabetos e apáticos, uma manada de tolos assistindo às loucuras que se cometem contra nós, contra cada um de nós.

E eu, que desde criança fui ensinada que cabeça não foi feita só para separar as orelhas, mas para pensar, questionar – e também para ser feliz –, neste momento, não sei o que pensar. Muito menos o que responder quando me perguntam interminavelmente o que é que eu acho, como me sinto.

Estou a ficar pessimista. Não na minha vida pessoal, mas em relação ao país. Ou melhor: aos seus governantes, autoridades, homens públicos, políticos. Mal consigo acreditar no que se passa. A cada dia um espanto, a cada dia uma decepção, a cada dia um desânimo e uma indignação.

Este é o país dos tolos, que pagam impostos altíssimos e quase nada recebem em troca; o país dos tolos, que não distinguem um homem honrado dum patife, uma acção para o bem geral, de uma manobra para encher os bolsos ou galgar mais um degrauzinho no poder a qualquer custo; o país dos mistérios, onde quem é responsável absoluto não sabe de nada, ou finge ver outra realidade, que não a nossa. Hoje, somos o país dos sem-vergonha. A falta de pudor e o cinismo imperam. Entre os políticos, (com cargos ou não) impera um corporativismo repulsivo – ou temos todos rabinhos de palha? Nós, povo que se deixa enganar tão facilmente, que pouco se informa e questiona, vamo-nos tornando da mesma laia? Seremos também, concreta ou moralmente, vendidos? Quando eu era uma menina de escola, às vezes os rapazes insultavam-se a gritar “vendido!”, não me lembro bem por quê. Deviam ser questões desportivas. Um ponto não marcado, um golo roubado. Era um grave insulto. Hoje, parece que ninguém liga aos insultos, leves ou pesados – nada pega, tudo é água em penas de pato, escorre e acabou-se. Um povo “antiaderente”. Vemos líderes que se vendem em troca de comodidades, cargos, poderes, dinheiro, impunidade, preservação de algum sórdido segredo, ou simplesmente a covardia protegida. Quem nos deve representar foi pelo ralo abaixo. Quem nos deve orientar transformou-se em marioneta. Quem nos deve servir de modelo chafurda na lama. E nós, povo, arrastamo-nos na tristeza. Reagimos? Como reagimos? Pintamos a cara e saímos às ruas aos milhares, aos milhões? Paramos o país, pacificamente que seja? Tentamos mudar a máquina apodrecida? Não! Aqui e ali um tímido protesto, nada mais.

Surgem deputados que votam às escondidas porque não têm honra suficiente para enfrentar quem os elegeu; os deputados pouco confiáveis e duvidosos ministros, de onde surgiram? De nós! Nós é que os pusemos lá, nós votámos, nós permitimos que lá estejam e continuem – nós, através das mãos dos ditos representantes, instituímos a vergonha nacional que em muitas décadas será lembrada como um tempo de opróbrio.

Com pressentimentos nada bons, faço (embora sem grande esperança) um pedido: tolerância zero com tudo o que nos desmoraliza e humilha, perseguição implacável ao cinismo, mudança total nas futuras eleições, limpeza na assembleia, e câmaras, renovação positiva do país. Tomada de consciência urgente, pois, acreditem, da maneira que vai …vai piorar." (VM)

20090127

'Assunto: o falso relatório da ocde sobre educação... escandaloso!!!!!!'

"Isto é absolutamente escandaloso!!!!!

'o vigarista primeiro-ministro voltou, mais uma vez, a tentar enganar os cidadãos...o relatório não é da ocde e foi feito por "peritos" pagos com dinheiro dos contribuintes... para dizerem bem...divulguem...para que as vigarices do sócrates não possam continuar!!!!'

Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

O "alegado" estudo da OCDE sobre a Educação

Ontem foi dia de festa.

''José Sócrates agendou a apresentação do "alegado" relatório da OCDE, realizado por peritos independentes que elogiava as políticas do Ministério da Educação e a coragem dos Governantes. Esperava-se pois um relatório exaustivo, reunindo um conjunto de pareceres de parceiros locais/nacionais, com base numa amostra que desse provas de isenção.
Sucede que nem o relatório é da OCDE, como diz Sócrates e a sua caixa de ressonância (
RTP), nem todos os peritos me parecem "independentes" e a base bibliográfica do "alegado estudo da OCDE" resume-se a um conjunto de publicações do próprio Ministério.
Por outro lado, denota-se o especial cuidado tido na selecção de entidades e parceiros com os quais os peritos foram levados a reunir.'' (Carlos Nunes Lopes,
via 31 da armada)

20081228

"Porque é que os professores lutam contra o Estatuto da Carreira Docente (ECD) imposto por Sócrates?"

Imagem do Kaos, obviamente ....

"1- Porque é uma lei errada, que serve para falsificar as estatísticas escolares e para poupar dinheiro. As pessoas devem esforçar-se sempre por corrigir e melhorar o que está errado. É por isso que os professores lutam contra este ECD. As leis devem estar ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço das leis.


2- A aplicação desta lei piora assustadoramente o ensino em Portugal e destrói a escola pública, o que os professores, com honestidade e responsabilidade, não podem aceitar, de modo nenhum.


3- O ECD imposto por Sócrates destrói completamente a base da relação pedagógica, que é o estatuto que os professores devem ter perante os alunos e a sociedade. Fazendo dos professores referências de que a cultura escolar não dá estatuto nenhum, nem social nem financeiro, o sistema de ensino fica destruído pela base. É esta a grande causa do aumento da indisciplina, da violência e do insucesso escolares.


4- Este ECD é um monstro de burocracias e de contradições, destinado a impedir a progressão. É melhor recusar aplicá-lo, do que tentar aplicá-lo e não conseguir progredir!


5- Este ECD é uma obsessão doentia da máquina partidária de Sócrates. Todos os outros partidos e muitos socialistas estão contra. Sócrates, pelo contrário, prefere persistir no erro, só para «não dar parte de fraco»!


6- Os sistemas de avaliação impostos por Sócrates (SIADAP e ECD) fazem parte de uma política que consiste em «dividir para reinar», criando e consolidando divisões e lutas entre as pessoas. Este tipo de política é o que de mais errado se pode fazer, principalmente em tempos de crise.


7- Estes sistemas de avaliação são meros instrumentos de escravização dos trabalhadores e de reforço do clientelismo partidário. Se as pessoas se deixarem enganar pela máquina partidária de Sócrates e não lutarem contra este tipo de política, em breve teremos consolidada a ditadura! Libertemo-nos, enquanto é tempo!


8- Para impor certas leis aos trabalhadores, não basta ter autoridade política: também é preciso ter autoridade moral! O exemplo deve vir de cima!...

20081214

Sugestões de um colega

“Os professores poderão não conseguir, por falta de tempo, atribuir as notas a todos os alunos nas reuniões de avaliação. Assim, se as reuniões de avaliação tiverem a duração de 120 minutos, numa turma de trinta alunos, com dez professores a avaliar, se cada professor demorar 10 minutos a dissecar cada caso, serão dadas notas apenas a 10 alunos por reunião. O tempo restante será para fazer a acta, com todos os professores presentes, como é de lei.
A acta e as pautas ao serem entregues ao C. E., com as notas dos 10 alunos avaliados, este terão de convocar outra reunião para 48 horas depois.
No período de Natal, será muito difícil fazer três reuniões por turma. As reuniões de avaliação restantes passarão para Janeiro e terão de ser feitas às quartas-feiras à tarde.
Esta situação, ao verificar-se no primeiro período, poderá repetir-se nos restantes períodos. Logo, os exames poderão só ocorrer em Novembro.
Esta conjuntura não agradará a nenhuma das partes (professores, alunos, pais e ministério) e poderá levar a tutela a criar condições para resolver o impasse.

Já agora...divulgue por favor também isto:

Devíamos fazer alguma coisa em memória do professor que morreu sem assistência médica dentro da Escola (e possivelmente com o contributo da situação escolar).

Sugestão: reuniões gerais nas escolas para estudar a forma de acção durante a avaliação. Outras acções que fossem feitas poderiam ter o nome do colega falecido. Não podemos calar a morte de um colega,

abraço” (*****)

20081129

Sugestão de um colega

"Colegas,
É nosso dever continuarmos unidos para resistir e ganhar esta batalha, pois será o melhor investimento que podemos fazer em prol da EDUCAÇÃO e da ESCOLA PÚBLICA. É o futuro de Portugal que está em causa!
Por isso há que imaginar novas formas de luta. A greve por tempo indeterminado seria uma hipótese se não fosse tão dispendiosa. Contudo, pensei numa alternativa que pode ser eficaz e custa muito menos dinheiro: GREVE, 1 HORA POR DIA (entre as 10H 30M e as 11H e 30M, por exemplo), DURANTE UMA SEMANA. Ainda no 1º Período. E depois logo se verá...
Se os trabalhadores dos transportes públicos adoptam esta estratégia, porque não havemos de fazer o mesmo?
Julgo que a ideia poderá ter sucesso. Temos de a fazer chegar a todos os colegas e aos nossos representantes (Plataforma Sindical). Como não sou sindicalizado, a melhor via para o fazermos será através dos blogues. Até a ministra vai ter conhecimento, antes de qualquer comunicação oficial.

Cumprimentos.
******"

20081127

Polémica no Conselho de Escolas!

«… Entretanto, ontem gerou polémica um comunicado do Conselho das Escolas, órgão consultivo do Governo que representa os conselhos executivos, no qual os conselheiros concordaram, de uma forma geral, com as medidas de simplificação que lhes foram transmitidas anteontem num encontro com a ministra. O comunicado corrobora declarações do secretário de Estado Jorge Pedreira, que afirmou que "a larguíssima maioria dos conselheiros" concordou com as medidas.

O conselheiro José Eduardo Lemos garante não ter havido “nenhuma deliberação”, mantendo-se a decisão tomada no dia 17 por 30 dos 53 conselheiros, que defenderam a suspensão da avaliação. Essa deliberação não foi entregue à ministra pelo presidente Álvaro Almeida dos Santos, o que levou Lemos a exigir a sua demissão. Ontem, manteve a exigência. Lemos frisou ainda que não foi marcada nova reunião pelo presidente, que ontem esteve incontactável.»

20081014

'Traídos 1…Traídos 2…Traídos…'

Normalmente, sentimos que estamos a ser traídos, mas quase nunca temos provas efectivas do acto ilícito. Quando a Plataforma assinou um tal de Entendimento que 100Mil Professores, de facto, não entendeu, não quisemos crer que fosse traição, pelo menos consciente e assumida! Deu-nos jeito pensar que eles eram ingénuos e que MLR lhes tinha conseguido dar a volta. Lá engolimos em seco, uns com mais dificuldade do que outros, e continuámos, serenamente, mas de olhos abertos, a tentar perceber as conquistas alcançadas com a união de toda uma classe social, a dos Professores! Conquistas que, diga-se, nunca chegaram! As injustiças mantiveram-se, a complexidade dos documentos raia o limite da loucura, o excesso de trabalho burocrático não é mensurável! Com a raiva nos dentes, vamo-nos arrastando, diariamente, para a escola na esperança de que alguém nos defenda, altere tanta asneira produzida em três anos e nos deixe trabalhar, voltando a olhar para os nossos alunos como a grande força que nos move. Só que, afinal, da primeira vez, a traição tinha sido mesmo traição! Assumida bem nas nossas barbas! Os interesses do país, dos nossos filhos, dos nossos jovens, não se coadunam com os timings políticos da FENPROF e, por sua vez, da Plataforma que dirige! O Entendimento não foi assinado ingenuamente! Foi, propositadamente! Como é possível? E não é que vão mantê-lo mesmo CONTRA a grande maioria dos professores? É assim que a 2ª traição vem a caminho! Desta vez, inequivocamente! A Plataforma está contra a manifestação dos professores! Vão assumi-lo, não tivéssemos nós dúvidas, oficialmente, amanhã, dia 15 de Outubro, pelas 17H, quando a Plataforma Sindical anunciar ao país que a SUA manifestação é dia 7 de Novembro, ou sei lá quando, e que não subscreve a nossa, já convocada legalmente, a do dia 15 de Novembro! Traídos uma vez…traídos segunda…alguém vai esperar para assistir à terceira?! Se nas escolas, os grelhados já não se aguentam, o cheiro a esturro desta Plataforma é inqualificável! É nestas alturas que se percebe (parte, apenas parte…) dos interesses daqueles a quem, mesmo em época de crise, pagamos religiosamente as nossas quotas… E a FENPROF até cobra à percentagem! Permitiria Mário Nogueira um lugar que não fosse na primeira fila?! Ele é o Protagonista! Ele é que sabe! Pior…ele é que controla a classe docente! Como poderia participar numa manifestação convocada por outros, ainda que esses outros sejam aqueles que diz representar? E os outros sindicatos? Todos contra a manifestação, porquê?! Ao longo dos anos, fui assistindo à irritação da FENPROF sempre que surgia um novo sindicato de professores que, de alguma maneira, se afirmava contra as políticas educativas defendidas sob o lema “ Carreira Igual, Salário Igual”! Mas foram surgindo e são catorze, dizem! Dividiram-se, roubaram sócios uns aos outros, criticaram as formas de agir de uns e de outros, até surgir o milagre conhecido de MLR que deu origem a uma Plataforma Sindical capaz de reunir sindicatos com os objectivos mais díspares entre si! Aqueles que lutaram, anos a fio, contra a FENPROF acabam por eleger a própria FENPROF como seu porta-voz! Muito bem, ou muito mal, aconteceu! O momento era, e é, de união e não houve alternativa! Mas, afinal, por que se demarcam agora catorze sindicatos de professores de uma manifestação marcada por Professores? Há um denominador comum a todos eles: têm medo! Estão com medo! Medo de perder o protagonismo e, sobretudo, medo que novos sindicatos venham a caminho! E, possivelmente, até vêm! E se tiverem mérito serão bem-vindos! E se defenderem os interesses dos professores serão bem-vindos! E se conseguirem reunir 143Mil professores, melhor ainda! E então, se forem capazes de não trair os professores, será ouro sobre azul! Dia 15 de Novembro, os professores devem tocar a reunir e marchar, novamente, até Lisboa! De carro, de autocarro, de comboio…a pé, se preciso for! Alguém precisa da Plataforma para ir até Lisboa?! Por favor, organizem-se! Na escola, com os amigos, os filhos, a família, os vizinhos! Mas vão! E não para se manifestarem contra a Plataforma! Esqueçam-nos! Vão, sobretudo, para mostrar uma coisa que, na minha opinião, é muito importante: mostrar à Senhora Ministra que já não basta que mande a FENPROF mandar nos Professores! Já não basta que os sindicatos se juntem todos numa Plataforma Amiga para calar os professores e controlá-los! Os professores já não se deixam mais controlar! E querem que o país inteiro, no dia 15 de Novembro, o perceba claramente! Dia 15, por nós e por Portugal, diremos Não à política educativa do governo e aos interesses sindicais daqueles que são sindicalistas, mas não são, com certeza, Professores! Os Professores, mesmo que sindicalistas, esses, certamente, estarão lá!

Vasco Luís (pseudónimo de autor devidamente identificado)

20080922

Solidariedade para com os professores de Educação Especial

PROTESTO MARCADO PROFESSORES ED. ESPECIAL EXCLUÍDOS DIA 30/9 3ª FEIRA ÀS 15 HORAS EM FRENTE AO ME- DIVULGA!! REENCAMINHA!!

"Colegas
O protesto dos Professores de Ed. Especial excluídos está marcado para dia 30/9 (terça-feira) às 15 horas. Já entregámos a comunicação ao Governo Civil de Lisboa!
A presença de cada um de nós é fundamental! Contamos com a solidariedade de todos os colegas também!
Passem a palavra!
Obrigada!"

20080917

Subject: Exma. Senhora Ministra da Educação

"Amigos!

Aqui vai a 'prosa' de uma colega nossa, que espelha o pensamento de cada um de nós. Por favor, passem ao maior número de pessoas possíveis. A esperança de que as coisas mudem, deve ser a última coisa a morrer...

É de Viana...claro..."


"Subject: Exma. Senhora Ministra da Educação

Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.

Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.

Sim, a minha nova categoria, professora!

Que Querida! Obrigada!

E o que é que fui até agora?

Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida. Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana.

Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria ensinar! Era nova, tinha sonhos...

O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço-te desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!

Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos, fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os pais consultavam-me. E eu era feliz. Saia de casa para trabalhar onde gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!

Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir 35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes.

Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que enquanto um 'burro' mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para a cuspirem no chão do Pavilhão. E aqueles que se recusam a deita-la fora porque ainda não perdeu o sabor? (Coitados, afinal acabaram de gastar o dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?

Falta disciplinar?

Desculpe, não marco!

O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o estalo na hora certa?

Desculpe mas não me parece!

Pois eu agradeço todos os que levei!

Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda a certeza, o seu caso.

Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC. Uma hora! E eu não precisava de ter escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma. Como a médica de família, que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar agradecida porque há quem nem médico de família tenha - outro assunto) entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo chamar!·
Lamento profundamente a verdade!

Ana Luísa Esperança

Viana do Castelo

PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa"

20080916

"Carta aberta aos dirigentes da FENPROF"


"Carta aberta aos dirigentes da FENPROF"
"(...) Esta carta começou agora a recolher assinaturas nas escolas e será, em seguida, enviada ao Secretariado Nacional da FENPROF e às direcções dos seus sindicatos.
Sugerimos que a subscreva e a mostre aos seus colegas para que estes também o façam, enviando-a aos dirigentes da FENPROF (e_mail: fenprof@fenprof.pt) e/ou do seu sindicato, reenviando-nos o nome dos subscritores para esta caixa de mail.(...)"

20080829

'Carta já enviada ao Presidente da República'

Transcrevo um excerto particularmente comovente de uma carta aberta dirigida ao sr. Presidente da República que - esperamos - responda, brevemente!

"E como não se pode deixar nada em falso, aqui vai:
(...)

Carta já enviada ao Presidente da República

(...)

Por tudo o que lhe é mais precioso, peço a V.ª Ex.ª para que faça alguma coisa para defender os professores portugueses, cuja vida é tão difícil neste país!... Não podemos qualificar de civilizado um país que trata as pessoas desta maneira.

Os meus mais respeitosos cumprimentos, confiante em qualquer atitude de apreço que V. Ex.ª venha a ter pelos professores e pela melhoria do ensino português, que chegou mesmo ao fundo do abismo!"

20080827

MENSAGEM URGENTE AOS PROFESSORES

Caros professores,

No ano lectivo de 2008/09, a avaliação de desempenho será para cumprir integralmente, conforme o monstruoso ECD do ME e a respectiva regulamentação, salvaguardando, apenas, o facto de ser experimental. Quem não foi avaliado no ano lectivo de 2007/08, será avaliado agora em relação aos 2 anos lectivos.

É clarividente que estas leis têm como objectivo favorecer as falsas estatísticas e destruir os professores, para obter votos da população a qualquer preço e para poupar dinheiro. São medidas do mais descarado populismo!

O maior azar seria este ano lectivo decorrer com tranquilidade, o que iria consolidar estas leis! Quanto mais turbulência houver, melhor é para os professores! Não devem procurar soluções aparentes e duvidosas, mas denunciar o que está mal. Leis inexequíveis não se podem cumprir; leis erradas não se devem cumprir!

Não restam dúvidas de que o Governo não vai olhar a meios para destruir ainda mais os professores, perante a opinião pública. Com estas medidas, perdeu os professores, mas já ganhou a população, visto que a maior parte do povo sente grande felicidade com o mal dos outros e quer ter diplomas sem esforço!! Por isso, os professores têm de ser firmes heroicamente até ao fim e defenderem-se por todos os meios dignos. É com evidências que se combatem as mentiras.

É necessário denunciar TODAS as situações e reacções inconvenientes causadas por estas novas leis, para se confirmar quanto elas são más e quanto precisam de ser revogadas. Devem ser comunicadas por escrito (pode ser por «e-mail»), para os sindicatos, para os partidos da Oposição, para o Presidente da República e, se possível, para os meios de comunicação social. Convém juntar todo o tipo de elementos úteis, como fotocópias. No caso de se tratar de violência verbal ou física, deve-se, ainda, apresentar queixa à Procuradoria-Geral da República e à Associação Nacional de Professores. Não se pode deixar passar nada em falso!

É preciso recorrer a todos os meios lícitos, para levar estas leis ao total descrédito, desmentir as estatísticas do Governo e fazer tudo para que se perceba quanto os alunos perderão com estas leis (embora muitos deles fiquem contentes no imediato), já que os ditadores querem cidadãos ignorantes, para serem mais fáceis de domar!!

A luta vai ser dura e vai haver muitas intimidações, mas temos de resistir até ao fim. Já estando o ensino a apodrecer no fundo do poço, a única medida alternativa é voltar para trás, para cima!

Os melhores votos de boas lutas! A sorte ajuda os audazes!


É favor fazer chegar esta mensagem ao maior número possível de professores. Cuidado com os bufos!


(autor sob anonimato)