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20090316

'Era o que eu pensava... as atrocidades continuam!'

Acerca de "Professora com cancro luta para ter reforma" (post MAIS UM CASO TRISTE) TVI 24 A VERDADE ACIMA DE TUDO disse...

Era o que eu pensava... as atrocidades continuam!
Teresa Silva (filha de Manuela Estanqueiro, falecida de leucemia)

Estou totalmente solidária com todas as pessoas que de forma aberta denunciam a sua situação e este respeito, bem como com todos os que por medo de retaliações não o fazem.
Todos se devem lembram do caso da minha mãe (Manuela Estanqueiro, obrigada a ir para a escola dar aulas com uma leucemia aguda, praticamente até ser internada e morrer).
Pois é, bem me lembro do 1º Ministro, dizer que estava "chocado" com a situação, pois é, mas depois apareceu mais um caso, e mais outro e outro e ..., depois de toda aquela escandaleira e diversão política dizendo que iam (o governo) mandar averiguar o que se passou! Pois é, dessa averiguação não saiu nenhum culpado e como eu pensava, tudo caiu no esquecimento mais uma vez e outras pessoas estão a sofrer com estas medidas economicistas. Não tenho dúvidas nenhumas neste momento, que os políticos que nos governam sabem e compactuam e dão ordens para que tudo isto se esteja a passar.
Peço ajuda a toda a comunicação social para vasculharem a fundo o que os nossos gestores políticos estão a fazer com as pessoas que trabalharam uma vida e tiveram o azar de ter uma doença muito grave.
Continuo com o meu espírito revoltado, até porque só esta semana o advogado do SPZC me ligou para ter uma reunião e finalmente mandar o processo para tribunal. Como pode ser isto? Em que país estamos?
Sou franca e sincera, neste momento,não confio nos hospitais, não confio nos nossos políticos, e não confio nos sindicatos.
Os PORTUGUESES estão sozinhos nesta nau das tormentas.
Sinto-me impotente perante tanta "miséria e podridão política", que as únicas preocupações deles são de agressão mútua, para ver quem ganha a batalha nas próximas eleições.
Desculpem este desabafo.
Divulguem todas estas situações por favor e desmascarem o que se anda a passar neste país!
Teresa Silva (filha de Manuela Estanqueiro)

16 de Março de 2009, MAIS UM CASO TRISTE, em 'a sinistra ministra'

20080124

Apelo

«Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Ajudem-nos!

Este é um espaço de excelência para que a verdade possa surgir. As injustiças vão-se revelando, pois os portugueses começam a perceber que a intimidação que tem invadido este país,por parte do grande poder político já não resulta. Os PORTUGUESES já não têm medo de represálias, pois o que está em jogo em todos estes casos, é a vida ou a morte. Quem se queixa, quem já não aguenta mais este sistema e esta engrenagem de injustiças, está finalmente a ter coragem e a ultrapassar estes medos e estas fobias. Quantos mais casos forem denunciados, mais pessoas terão a coragem de o fazer. Que este espaço do PD sirva para ajudar nos grandes problemas sociais, uma vez que da parte política tudo parece estar sempre muito bem resolvido ou que vivemos no país das maravilhas. Quando divulguei o 1ºcaso desta sequência, a minha mãe (Manuela Estanqueiro, professora), ex doente de leucemia, falecida em Junho de 2007,não era fingimento quando se queixava. Quando denunciamos a 1ªvez,estava a minha mãe viva, ninguém ligou...Foi preciso a minha mãe morrer, para este país acordar. Não me arrependo desta luta em que me envolvi. Posso ainda vir a ter alguns dissabores, mesmo assim não tenho medo. Divulgarei tudo de relevante que tenha conhecimento neste âmbito. Quanto à classe política,... é uma desilusão. Ainda estou a aguardar as promessas do Dr. Pedro Mota Soares (CDS-PP), para organizar uma audição pública, com debate aberto desta temática, para discutir, sem tabus, esta problemática.
Esta professora teve a coragem que ainda muita gente não teve.
Que se levantem todas as vozes que se sentem injustiçadas.
Foi criado um BLOG de ajuda à divulgação deste tipo de situações que já começa a dar frutos.

www.averdadeacimadetudo.blogspot.com

(...)

Publicada por A VERDADE ACIMA DE TUDO em 10:34 1 comentários »

20071028

Porque, Milu, nós não esquecemos!

«Os escravos

Inicio de bloco de aspas.

*Os escravos morriam a trabalhar*

Morreu há dias a Profª Manuela Estanqueiro com 61 anos, a quem havia sido diagnosticada uma leucemia.

O caso ficaria por aqui não fora a violentíssima história em que se embrulhou, espelho feroz dos tempos ferozes em que vivemos.

A professora em Novembro de 2006 foi a uma junta médica e pediu a reforma.

Tinha mais de 30 anos de serviço, um cansaço imenso a persegui-la e uma leucemia invasora que sem piedade lhe encurtava os dias.

Com olhares de abundante reprovação e uma prosápia empanturrada de saber e de poder, a junta médica considerou que a professora estava apta para o desempenho das suas funções, sendo que deveria regressar ao serviço, sob pena de perder o vencimento.

A docente regressou durante 31 dias à sala de aula.

Vómitos, desmaios frequentes, a morte a espreitar em cada segundo que corria escandalosamente penoso, pontuaram a enormidade dos 31 dias, findos os quais entrou no Hospital donde não mais saiu até morrer.

Eram os colegas que a alimentavam na escola porque não tinha força para pegar nos talheres. Eram os colegas que a apoiavam nas turmas porque não tinha já capacidade para dar uma só aula.

A reforma chegar-lhe-ia por fim, uma semana antes da morte.

Quem foram os médicos que atestaram sobre a capacidade da professora para o exercício de funções?

Que instruções lhes foram dadas pelo sistema para agirem desta forma?

Que avaro e desgraçado país é este, que nega displicentemente um tempo mínimo de paz antes da morte a quem trabalhou a vida inteira e com a mesma criminosa displicência concede, ainda na força da vida, reformas
milionárias, aos que, como pequenos chefes de turma obsequiosos e concisos prepararam, elaboraram e prescreveram o discurso da crise, do apertar do cinto, do défice, da contenção salarial, do congelamento das carreiras...?

Esta gente confortavelmente reformada e impante, vai depois continuar a ser consumidora de poder e de poderes, colocando-se e recolocando-se nos píncaros da hierarquia de todos os cargos. Vai continuar a arengar sobre a necessidade de baixos salários, apontando a navalha certeira ao coração do Estado Previdência.

Com uma loquacidade técnica, e um linguajar hermético, prova-nos a nós, preto no branco que devemos continuar a trabalhar até morrer, que os aumentos salariais não são aconselháveis, que os despedimentos ainda não são suficientes e que só atingiremos o paraíso quando a flexisegurança borboletear à nossa volta, na renovada Primavera do patronato.

E dizem tudo isto convictos e convincentes, fervorosos e despudorados.

Tempos houve, no Portugal da guerra colonial, em que os mancebos quando iam à inspecção militar eram todos apurados independentemente do seu estado de saúde. Contava-se que mesmo quando estavam a morrer, não ficavam isentos da tropa, ficando apenas "adiados".

O neoliberalismo que coloniza as nossas vidas age como os médicos cegos que preparavam a carne para canhão.

Era professora e tinha uma leucemia. Negaram-lhe a reforma que só chegaria oito dias antes de morrer.

Fim do bloco de aspas»