
20090106
"Escola: mais do mesmo" por Daniel Sampaio
"No início de 2009, nada de novo ou estimulante existe na escola portuguesa.Terminou o ano com mais do mesmo: falta de entendimento entre professores e Ministério da Educação (ME), alunos sem participação activa no quotidiano escolar, pais desinteressados da escola e só raramente integrados em associações de encarregados de educação. Uma iniciativa correcta do ME - a atribuição do Prémio ao melhor Professor do ano - não suscitou qualquer interesse na opinião publicada ou pública, arriscando tornar-se em mais uma operação rotineira sem qualquer impacte na vida da escola.Os acontecimentos de uma escola do Porto, em que um aluno apontou um revólver de plástico a uma professora, foram de imediato desvalorizados por dirigentes do ME e classificados de "brincadeira de mau gosto". Parece que o facto de ser uma arma a brincar tranquilizou a tutela, na linha de outras declarações oficiais em que a indisciplina é sempre vista separada da violência e como tal considerada de menor importância. O risco é evidente: se não valorizarmos o pequeno incidente de indisciplina, se não respondermos de imediato com medidas correctivas de responsabilização, a desordem cresce dia após dia. Sabe-se hoje que a degradação do clima na escola progride por estádios, desde a recusa de regras na turma e pouco trabalho, até actos graves de delinquência (agressão a professores, destruição de material escolar), com etapas intermédias de pequenos delitos, comportamentos provocatórios e desafios à autoridade que denunciam uma violência latente. Ora a pistola de plástico insere-se num estádio intermédio de provocação que prenuncia momentos em que as regras podem passar a ser a dos grupos violentos e intimidatórios, em vez de serem construídas na sala de aula, a partir de um regulamento da escola organizado com a participação de todos.O ME deveria criar as condições mínimas de funcionamento das salas de aula, dando aos professores força para combater a indisciplina, através da co-responsabilização de docentes, alunos e pais. Para isso o professor, amparado nas estruturas da escola (com particular realce para o Conselho de Turma), deveria ter poder para, de imediato, conseguir actuar no controlo disciplinar. Se o comportamento causador de perturbação for cedo diagnosticado, a medida correctora impõe-se com coerência e será apoiada pela maioria dos alunos e seus pais.Concretizando: se a escola trabalhar o mais possível com a família, se os professores formarem um grupo coeso - a partir de acções de formação dirigidas à prática pedagógica com turmas heterogéneas e na consequência do trabalho no Conselho de Turma - se os alunos forem ouvidos com respeito sobre o funcionamento desejável na sala de aula, se o comportamento mínimo de indisciplina for logo detectado e respondido com medidas definidas previamente para aquele comportamento, o clima escolar poderá melhorar. Se, pelo contrário, tudo for remetido para o burocrático e aborrecido "Estatuto do Aluno" ou para o Ministério Público (não se vislumbra, até agora, qualquer sucesso na prometida e muito propagandeada acção desta estrutura), nada poderá melhorar.Noutra perspectiva, interessa sempre a história relacional do incidente. Não é por acaso que aquela turma e aquele aluno escolheram o momento: todo o comportamento indisciplinado tem atrás de si a construção/destruição de uma relação pedagógica, só possível de compreender através de uma análise detalhada do que se passou com os diversos intervenientes. Por que razão as coisas correm mais ou menos bem com uns docentes e decorrem em catástrofe com outros? Por que motivo alguns professores sinalizam certos alunos como problemáticos em termos disciplinares e outros não concordam? Pela razão de que os mestres com sucesso ganharam tempo, no início do ano, a construir uma relação de respeito recíproco com os seus alunos.Em derradeira análise, o episódio da pistola de plástico é mais um exemplo de como este ME se concentrou no acessório: enquanto se discutem grelhas de avaliação tornadas cada vez menos exigentes pela pressão dos protestos, os professores são deixados sozinhos e sem meios perante a indisciplina crescente. Ficará para a história da educação em Portugal esta oportunidade desperdiçada e este arrastar da degradação até... às próximas eleições. "
20090105
O regime totalitarista nas vésperas do encontro dos CEs em Santarém
Devo ter interpretado mal :/"A este director encontra-se reservada actualmente a gestão administrativa, financeira e pedagógica da escola, o que justifica que assuma igualmente a presidência do Conselho Pedagógico e que lhe caiba a designação dos responsáveis pelos departamentos curriculares, enquanto principais estruturas de coordenação e supervisão pedagógica das escolas", destaca o diploma.
Cabe ainda ao director "proceder à designação dos coordenadores de estabelecimento de educação pré-escolar ou de escola integrada num agrupamento, enquanto seus representantes nos estabelecimentos de educação ou nas escolas situadas fora da sede do agrupamento".(...)" (Público online)
Moção aprovada por maioria na Assembleia Municipal de Matosinhos em solidariedade com a luta dos professores
Hoje, nas escolas, reina a burocracia, e a qualidade que os nossos jovens vão tendo garantida no ensino deve-se ao enorme esforço que os professores têm feito para não os afectarem, apesar dos graves problemas que enfrentam, para o que trabalham muitas horas para lá do seu horário, sacrificam o seu tempo livre, o seu convívio com a família e até a sua saúde.
Assistimos à reforma antecipada de um elevado número de professores, os mais velhos e mais experientes, aqueles que sempre lhe deram tudo, mas que não querem pactuar com a desumanização crescente das escolas, em que os alunos são vistos como números e em que o sucesso é fabricado para se transformar em estatísticas positivas para a imagem nacional, em detrimento de uma verdadeira formação de qualidade.
Quando vamos às escolas, como encarregados de educação ou no nosso papel institucional de elementos de Associações de Pais, de Conselhos Pedagógicos ou de Conselhos Gerais Transitórios, podemos verificar o estado de desgaste físico e emocional de muitos professores que, não obstante, continuam a desempenhar as suas funções com sentido de responsabilidade, tendo sempre em vista os seus alunos, nossos filhos e jovens da nossa sociedade.
Alguns factos comprovam esta realidade:
- 100 mil professores manifestaram-se em 8 de Março contra esta política educativa, particularmente contra o Estatuto da Carreira Docente (que divide os professores em duas categorias sem justificação de formação diferenciada para exercício de funções que tal o requeressem) e contra o modelo de avaliação vigente (que acarreta uma enorme sobrecarga de trabalho e de burocracia)
- Oito meses depois, a 8 de Novembro o número de manifestantes aumentou para 120 mil, uma unidade jamais vista em Portugal, numa classe com cerca de 140 mil profissionais. Essa unidade viria a ser confirmada com a elevadíssima percentagem de adesão à greve de 3 de Dezembro. Estes números obrigam, no mínimo, a uma reflexão cuidada. Não pode toda uma classe estar unida apenas por interesses corporativistas.
- Segundo dados da Caixa Geral de Aposentações, mais de 5100 professores pediram a aposentação no presente ano, registando-se um aumento de 35% relativamente ao ano de 2007. Muitos destes docentes pediram a reforma antecipada, o que implica um significativa penalização (Jornal Público, 16/12/2008).
- Na revista Saúde Mental, foi publicado, em Setembro, um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, que, tendo por base um universo constituído por docentes de Lisboa, concluiu que, entre eles, existe um número muito maior de indivíduos sofrendo de depressão do que sucede com a restante população (42,4% contra 29,8%). Um número significativo (24%) dos docentes incluídos neste estudo consome psicofármacos, continuando, muitos deles, a apresentar sintomas depressivos.
- Aqueles que melhor conhecem o dia-a-dia das escolas sabem que elas se encontram submersas numa enorme burocracia, que obriga os professores a manterem-se na escola em tarefas burocráticas e em reuniões que ultrapassam o seu horário, acrescendo ainda o trabalho de preparação de aulas e outros a fazer em casa. Muitos deles não aguentam esta sobrecarga que os impede de se dedicarem como gostariam àquilo que fizeram toda a sua vida: o ensino, a relação pessoal e pedagógica com os alunos. Assim surgem as depressões e os pedidos de reforma, muitas vezes antecipada, com o prejuízo que esta instabilidade causa nas condições de ensino-aprendizagem e na imagem da escola pública.
- Tendo a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, sido a primeira do ranking nacional, os seus órgãos dirigentes consideram como uma das causas desse sucesso a estabilidade do corpo docente. A Presidente do Conselho Executivo e os encarregados de educação afirmaram já publicamente preocupação pelo facto de o corpo docente se encontrar neste momento numa situação de instabilidade, devido ao número de docentes que se reformou recentemente ou com pedido de aposentação em curso, o que os faz temer a perda do lugar cimeiro que têm conseguido nos resultados nacionais.
Nada deve ser mais importante nem mais desejável do que preservar a boa disposição dos professores. É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas. Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações. [In Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesu (século XVI)]
Vários séculos nos separam deste prospecto da educação jesuíta, que mostra o carácter das inovações pedagógicas introduzidas no séc. XVI, considerado um século revolucionário para a pedagogia, em cujo centro estiveram os jesuítas. A valorização que nele se atribui aos professores e à sua forma de estar e de sentir não é hoje secundada pelos nossos governantes, que têm denegrido a imagem destes profissionais.
A Assembleia Municipal de Matosinhos, reunida a 18 de Dezembro de 2008: Mostra reconhecimento pelo trabalho social prestado por estes profissionais; pela sua dedicação e empenho apesar das adversidades; e pela unidade que tão persistentemente têm vindo a demonstrar na defesa das condições de trabalho e de qualidade da escola pública.
A enviar: Assembleia da República, Presidente da República, Primeiro Ministro, Ministério da Educação, Imprensa
Matosinhos, 18 de Dezembro de 2008
Um Ótimo 2009, seguido de Alguns Conselhos para Meninas Delicadas conseguirem atravessar o Ano em segurança
(Estrela dos Três Reis Magos, no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", no "KLANDESTINO", e em "The Braganza Mothers")
20090104
20090103
As vindimas de Março...

Escolas tecnológicas correm risco de fechar devido à "instabilidade do financiamento."
Estas são as escolas de sucesso, as escolas tecnológicas que conseguem antecipar as vindimas para Março, pois seria nesse mês que haveria dinheiro… Possivelmente para levar os alunos para o Chile ou outro qualquer país do hemisfério Sul, já que não consigo imaginar alguém a vindimar o que ainda não existe. Bem sei que não sou um especialista nesta área, contudo, a ideia que tenho é que as vindimas se fazem, em Portugal, lá para Setembro e Outubro, pelo que não consigo compreender esta antecipação de meio ano… Será que são tão bons assim? Da mesma forma, devem conseguir fazer omeletas antes das galinhas porem os ovos e, nesse caso, merecem que lhes seja conferida, igualmente, a certificação em magia ou feitiçaria…
Quanto à ANQ, continuo sem perceber qual a sua ligação com o Ministério da Educação, que raio de confusão se gerou neste país para se misturarem estruturas deste tipo mas creio que, no futuro, terá que haver dois ministros, um da educação e outro da qualificação, certificação ou lá o que isso for… Perceba quem puder.
Já no que respeita à falta de dinheiro, este é um tema que parece não distinguir qualificação, certificação ou educação. Não há dinheiro, logo não se pode gastar, logo aldraba-se tudo para parecer que se fez o que não fez. Nisto não há distinções, são as vindimas de Março e as omeletas sem ovos…
Os erros da ministra: perspectiva de André Freire [politólogo]
20090102
'Outro ensaio sobre a cegueira...Irra!'
20090101
... E FOI TUDO...
O aumento do número de alunos no ensino secundário e superior e a redução do insucesso e do abandono escolares são sinais positivos do ano que terminou.
Sei, também, que há mais escolas em que a qualidade do ensino é uma realidade efectiva.
Mas temos ainda muito a fazer para reduzir o atraso de qualificação dos nossos jovens, em comparação com a maioria dos países da União Europeia.
Para termos sucesso é preciso unir esforços, melhorar o clima de confiança entre todos os intervenientes no processo educativo.
É preciso assegurar o empenho e a dedicação dos professores, exigir uma participação mais activa dos pais na educação dos filhos, mobilizar as comunidades locais. E não podemos dispensar a exigência para com os alunos."























