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20090126

A Educação não é um Outlet - há imensas razões para resistir

Todo o texto e fotos in IOL Portugal Diário



1. Lista actualizada de 168 escolas e agrupamentos com moções aprovadas em Janeiro


2. CONFLITO DE INTERESSES NO SIMPLEX 2 (Advogado Mário Sousa Mendes)

1. Há conflito(s) de interesses entre os professores todos de uma escola e alguém que sendo seu/sua actual avaliador/a - Presidente do Conselho Executivo - seja candidato/a a Director/a para um próximo mandato.

2. Há ainda outro conflito (da mesma natureza) entre o/a candidato/a a Director/a Executivo/a, na condição de avaliador, e os membros do Conselho Geral de Escola que terão que o/a eleger, sabendo que estão/vão ser avaliados por esse/a candidato/a.

3. Há mais um conflito que deriva do facto de o/a candidato/a a Director/a ser o/a avaliador/a dos "futuros/as escolhidos/as" da sua Equipa e dos/as Coordenadores/as, etc.

Mas, na hipótese de não se verificarem os anteriores conflitos, há este problema:

4. Em algumas escolas, no final do ano, os PCE's não serão os Directores eleitos para o próximo mandato. Nesses casos, o Director apanhará o processo de avaliação na fase final e terá de avaliar professores que ele ou ela não acompanhou ou nem sequer conhece o que torna este processo inoperacional.


3.Educação Especial- será mesmo uma reforma?

Numa nota à imprensa secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, na apresentação do projecto de avaliação e acompanhamento da reforma na educação especial disse que havia freguesias inteiras, e ainda há casos, em que todas as crianças de etnia cigana estavam no Ensino Especial. Numa escola democrática isto não se pode conceber, é uma aberração. (...)
Nesta notícia refere-se ainda mais adiante: a nova forma de sinalização de crianças com necessidades especiais, com base na Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), tem gerado polémica por reduzir o número dos que têm apoio. Para Lemos, isso não é preocupante porque "o objectivo não é ter cada vez mais crianças, mas sim respostas adequadas a cada uma". E deu o exemplo das crianças de etnia cigana.

Em 2007 o Professor CatedráticoLuís de Miranda Correia, do Instituto de Estudos da Criança,Universidade do Minhoescreve um artigo no Educare, bem fundamentado, contestando as CIF.


4. Porque é que estão a destruir a Escola Pública?

4.1. Hoje o ME vem fazer campanha nacional exibindo orgulhosamente um relatório onde aplaude o fechamento de pequenas e ineficazes escolas do primeiro ciclo

Curiosamente elementos da mesma equipa da OCDE visitou Portugal há cerca de um ano atrás, desta feita a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES)


4.2. Porque é tão desconhecido um importante estudo da própria OCDE, de 2008 (!) elogiando a Escola da Ponte e outras semelhantes?
4.3. Porque não se fala em Ensino Doméstico (ler artigo muito bom no wikipedia).

O DL n.º 553/80 (Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo) define ensino doméstico, mas não o regulamenta. A Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei 46/86, DR 1.ª série, n.º 237, de 14.10.1986, ficha, PDF) não se refere ao ensino doméstico.



20090122

Avaliação a Augusto Santos Silva - chumbado


6 anos antes
Acção Socialista - 6.2.2003

A verdade, a pura verdade é que o actual Ministério da Educação não tem dimensão pedagógica. O menos que se pode dizer da secretária de Estado que tutela as questões pedagógicas é que não tem manifestamente nem preparação, nem perfil para o cargo. O ministro enreda-se em discursos fáceis, dirigidos ao senso comum e a uma certa opinião publicada que nunca esqueceu a sua hostilidade à democratização da escola, mas descura a acção e paralisa, de facto, o sistema educativo, deixando professores e escolas sem apoio, orientação e incentivo.
Na educação, como em muitas outras áreas, mas na educação com especial gravidade, a lógica da direita no poder é: paralisia, desinvestimento, contra-reforma.



6 anos depois


PS mobiliza deputados para chumbar diploma
Por sua vez, o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, recusou-se a considerar que o Governo esteja a dramatizar a votação de sexta-feira, mas adiantou que o executivo considera a avaliação dos professores uma reforma emblemática e uma questão crítica para o cumprimento do programa do Governo. Caso o Governo não tivesse condições para prosseguir com a avaliação dos professores, também não teria condições para prosseguir com um dos eixos fundamentais da sua agenda reformista. Mas não antecipo nada para sexta-feira que não seja o Parlamento continuar a acompanhar o Governo nesta reforma que para nós é decisiva, declarou.

Ai,compreendi, muito bem.O deputado apenas quer proteger o Governo e em especial Sócrates.Não conhece outras metodologias em sociologia que não seja a opressão? Pois está chumbado a Sociologia por 120.000.professores deste país!

Caro Deputado, 6 anos é muito pouco e basta mudar de cor política e substituir o seu texto de 2003 de não apenas uma secretária de estado mas DOIS secretários de estado e que onde se lê na educação, como em muitas outras áreas, mas na educação com especial gravidade, a lógica da direita no poder é: paralisia, desinvestimento, contra-reforma, substitua-se direita por socialista e é o que vemos: paralisia, desinvestimento, contra-reforma.

Mais informações

Caixa de correio de Augusto Santos Silva no Parlamento.

20090118

Carta aos Deputados do PS, professores, que votaram não à suspensão deste modelo de avaliação

Estimada(o) Deputada(o)
Não compreendo a sua orientação de voto, enquanto Professor(a).
Foram mesmo justos os critérios e premiou-se os melhores professores, com a criação da figura do Professor Titular?
Acha ou considera ou está mesmo firme que este modelo proposto é justo, premeia o mérito?
Considera realmente operacional as cartas educativas, com um desordenamento do território tão evidente?
Acha democrático a existência do Director, sem eleição democrática?
Teremos melhor escola pública transformando os docentes em delegados comerciais de uma escola-empresa? Desvirtuando e subvertendo toda a Deontologia em ser Professor!
Em A Pedagogia da Autonomia, para Paulo Freire educar é construir, é libertar o ser humano das cadeias do determinismo neoliberal, reconhecendo que a História é um tempo de possibilidades.
Chegou a possibilidade de V.Exa. rever a sua posição.
Pela suspensão deste modelo de avaliação, fim da divisão da carreira docente e fim do modelo escola-empresa.
Com os melhores cumprimentos

20090116

Marchas de silêncio e silêncio nas escolas: o dom do silêncio

Colegas
Organizem-se, juntem-se e no dia 19,dirijam-se a meio da manhã para o centro das vossas cidades e vivam a nossa presença e a vossa cidade, mas em silêncio.
9. Os membros dos órgãos de gestão podem aderir à Greve não comparecendo na escola?- SIM! A forma de aderir à Greve por parte dos membros dos órgãos de gestão é a mesma que foi referida para qualquer outro docente.
Dirijo-me aos indecisos, dirijo-me aos conformados, dirijo-me aos que Acreditam!!!
Hoje, sábado e domingo. Reflictam um pouco mais...creio que é uma chance única.
É chegada a hora!!! Não deixem de sonhar...
Colegas: vamos aceitar a divisão da carreira...uma avaliação com base nas quotas?
O silêncio por vezes é intenso e reactivo, tão duro ou mais que o aço da humilhação a que jamais temos assistido em toda a nossa vivência enquanto professores.
Como a Marcha do Sal de Gandhi...agora faríamos a marcha do Silêncio. Não percam a Esperança e vamos para a rua, mostrar a nossa indignação. Divulguem por TODOS os professores!

20090114

No dia 19 diz no ao medo


Porquê a greve no dia 19 de Janeiro, a uma segunda-feira? Foi no dia 19 de Janeiro de 2007 que foi publicado o novo e famigerado Estatuto da Carreira Docente (ECD), que nos dividiu, que trouxe um clima de enorme desconforto nas Escolas, porque todos sabemos que os requisitos para concorrer a Professor Titular não são justos, nem visam o mérito entre professores. Este ECD trucidou, subverteu todo o Ensino em Portugal e vamos muito a tempo de o revogar. 2008 foi um ano de intensa labuta pela dignificação Docente e Defesa da Escola Pública.A Plataforma e os movimentos dos professores mantêm-se firmes,com mais negociações e novas medidas. Cabe a nós cumprir mais um dia de luta. É um dia simbólico e psicossocial. Não tenhamos medo, Colegas.A luta tem que continuar!

20090113

Avaliação simplificada da Equipa da Educação

Imagem do KAOS
Caso não tenham reparado, o Governo de Portugal encontra-se numa unidade de cuidados intensivos. Não, não esfreguem as mãos, por razões várias, muitos de nós fomos responsáveis, com o nosso voto, pela sua existência, e depois, coisa bem mais grave, não é o Governo de Portugal que está nos Cuidados Intensivos, somos todos nós, que à vez, iremos perceber que também já estamos com uma senha de vez, na mão.
Sou cidadão português, adulto, com a minha saudável dose de taras e manias, e um perigoso sentido de análise da Realidade. Pelo gosto, sou bastante exclusivo, e reconheço, a quilómetros, quando uma coisa cheira mal. Há, para casos como o meu, uma alínea constitucional, que me salvaguarda o direito de, ao sentir que há mau cheiro no canal, não ser forçado a aproximar-me mais do que quero. Ora sucede que, neste decorrer dos meses, apesar de cada vez gritar mais alto que NÃO QUERO, há uma máquina torpe, medíocre e teimosa que me diz, "não queres, mas has de comer..."
Não como.
Vamos tratar os bois pelos nomes, e voltamos ao Flagelo da Educação. A Educação, em Portugal, está neste momento reduzida a trincheiras onde se faz tudo menos educar. De um lado, um grupo limitado de pessoas, com percursos humanos, académicos e políticos altamente duvidosos, que, mercê das circunstâncias, se tornaram tão públicos, tão batidos e tão escandalosos que não há uma só pessoa interessada que não os conheça, e pelas piores razões. Do ponto de vista do pietismo, Lurdes Rodrigues e Valter Lemos, por exemplo, esticaram de tal modo a corda, até ao ponto do não-retorno, que se esqueceram de que, de um dia para o outro, poderiam voltar a ser banais cidadãos, com direito a privacidade pessoal e ao direito de circulação e anonimato, mas que, pelos seus comportamentos anómalos, passarão a ter, para sempre, a sua integridade em risco.
Numa leitura de Aldeia Global, abdicaram, no futuro, do Direito à Indiferença.
Não há paralelos, mas há imagens que marcam: detesto duas, a de Mussolini e da amante Claretta Petacci, pendurados pelos pés, e a de Ceausecu e da mulher, mal caídos juntos de um muro, olhos abertos, e vítimas de fuzilamento sumário. Em quadrantes diversos, eram as imagens de horror de dois regimes onde o ódio tinha sido extremado.
Do outro lado da barricada, temos os cidadãos com habilitações mais elevadas da Sociedade Portuguesa, coisa que se tornará ainda mais evidente, quando esta guerra se estender ao Ensino Superior -- e está iminente -- e, portanto, desabituada a tratamentos de feira, de peixaria ou de zaragatas entre rameiras e chulos. De um dia para o outro, todavia, descobriram que estavam a lidar com gente politicamente incompetente, academicamente filha do só-deus-sabe, com intervenções na sociedade totalmente anómalas, e com problemas existenciais do foro clínico, mas tornadas em jogos de opressão do Outro. Esse foi o primeiro 1 a 0 dessa corja, o usar armas sujas, com pessoas que estavam habituadas a corredores de pelica e a discussões de patamar intelectual superior. Foi o primeiro, mas já acabou. Neste momento, não haverá na elite portuguesa quem ainda não tenha percebido que essas pessoas não prestam, de qualquer que seja a perspetiva em que sejam abordadas. De aí deriva, como imediata consequência, que qualquer que seja o método que queiram adotar, já perderam qualquer credibilidade na "avaliação" de quem quem quer que seja, porque avaliar pressupõe, pelo próprio valor axiológico do termo, uma superioridade nascida do reconhecimento, e nem a Dona Lurdes, nem o Senhor Valter e o Pedrosa dispõem de qualquer idoneidade para o fazerem. Tornaram-se demasiado conhecidos, e por aqui acaba qualquer diálogo. Aceitar qualquer proposta de avaliação provinda desta corja equivaleria àquela terrível situação que Oscar Wilde descrevia como "a tirania do mais fraco sobre o mais forte".
Não queremos.
O problema, todavia, como sabem, é mais vasto, e vem de um Governo cujo Primeiro-Ministro sofreu a mesma descredibilização Política, Social, Académica e Humana, desde o Caso do Diploma. Há quase dois anos que José Sócrates perdeu qualquer tipo de idoneidade para governar um País Civilizado. Talvez fosse bom para fazer companhia ao seu amigo Mugabe, que preferiu receber, na mesma altura em que virava as costas ao Dalai-Lama, por exemplo. É um oportunista, perverso, filho de uma má-consciência e capaz de tudo para se perpetuar no Poder. Move-o a Vaidade, a fonte de energia mais inesgotável e infinita do Universo, mas nós estamos cá para lhe provar que ele não tem motivo nenhum para vaidade: é um subproduto de um subúrbio europeu, e só consegue singrar porque a quase generalidade da população está mergulhada numa passividade, insensibilidade e níveis de ignorância tais que não conseguem ver que o rei está nu, e essa é a verdadeira Crise da Educação: a incompetência da Opinião Pública.
O "Sol", e agora o "Público", começaram a desenterrar o "menino" que estava em coma induzido. O blogue de Joana Morais é exemplar, e faz a estranha "linkagem", em que temos vindo a insistir, entre as coisas duvidosas do "Caso Maddie" e uma estranha ocorrência, a meter Sócrates e a mãe (!) -- Freud sempre tinha razão... -- os advogados e autarcas do costume, e o usual varrer para debaixo do tapete. A coisa não era nova, e também já tinha circulado pelo "Diário de Notícias" e pelo "Expresso", e anda agora pelas mãos de Cândida Almeida, que até é capaz de ser uma excelente pessoa, mas que, perante os ouvidos incrédulos dos Portugueses, mandou, um dia, arquivar o Caso do Diploma (!)
Quem arquiva um diploma mais facilmente arquiva um "Freeport", mas isso é-me indiferente, porque já não conto com a Justiça Portuguesa para nada, exceto para os desânimos e as anedotas de corredor. No fim, já todos sabemos, haverá sempre um Bibi e um Vale e Azevedo que serão sempre os culpados, e o resto continuará paisagem e gente de mente suja a lançar suspeitas sobre cidadãos honestos.
A porca torce o rabo a ser iminente a Justiça Britânica estar a desenterrar o "Freeport", o que viria ferir de morte Sócrates e os seus ridículos penduricalhos governamentais. Aliás, suponho que esta escalada de tensão entre Poderes Nacionais é já prenúncio de que os senhores se sentem perdidos. Em caso de desespero total, tentarão uma "berlusconização" do Regime, uma antecipação de Eleições, e uma coisa com a qual vocês nunca sonharam, mas a Itália já tem em vigor, que seria um Sócrates, imunizado, por uma Segunda Maioria Absoluta, e colocado acima de qualquer Lei da República.
Não, não se riam: esse é o filme a que poderemos assistir em 2009, e está nas vossas mãos evitá-lo.
Na Blogosfera, ergue-se um movimento que intenta utilizar o voto como arma de protesto, destruindo as massas eleitorais, e entregando os resultados a estranhas derivas, que poderão conduzir a combinatórias parlamentares inesperadas (Pode ler AQUI).
A luta pela Cidadania, todavia, tem de se tornar mais certeira e minuciosa: caso vos interesse, voltei a relembrar o papel do maçónico Jorge Sampaio no 1º Golpe de Estado do Regime Constitucional Português. Todos nós assistimos, e não percebemos o que era, mas já então era.
Há, igualmente, pela Blogosfera, um rumor crescente de que é necessário desmascarar as Sociedades Secretas que governam Portugal. As mais conhecidas são, como é sabido, as diferentes tonalidades da Maçonaria e da Opus Dei, mas não são as únicas, e vamos já a uma verdade de La Palisse: sendo o Supremo Magistrado da República maçónico, e não sendo o Grão-Mestre dessa... coisa, sucede, por silogismo simples, que ocupa uma posição inferior na sua Loja, ou seja, acima do Presidente da República existirá alguém a quem ele deva OBEDIÊNCIA, ou, seja ainda, por transitividade, haverá alguém, na Sombra, que manda em si, cidadão, porque manda no SEU Presidente da República.
Vire o disco, e onde escrevi Maçonaria, escreva agora Opus Dei, ou qualquer coisa afim que lhe venha à testa.
Uma coisa destas é incompatível com DEMOCRACIA, e, ou se clarifica, ou vamos ter de agarrar em chuços e acabar com ela, à força.
Talvez este parágrafo lhe torne mais claro o que aconteceu com Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues, Sanatana Lopes, Paulo Portas, José Sócrates, e uma estranha dissolução da Assembleia da República, a pretexto de um Governo que não fez nem a centésima parte do que esta corja tem feito.
Mais do mesmo vem, e torna claro os sorrisos e impunidades de Fátima Felgueira e Armando Vara, quando nos revelam que foram, em idos de 90 sócios fundadores de uma porcaria chamada "SOVENCO" -- depois, obviamente, falida -- com o Sr. Sócrates. Se não acredita, leia aqui, pesquise no "Google", e far-se-lhe-á imediatamente luz sobre muita coisa.
São os Ovos de Colombo da Situação.
Vamos voltar à base: a vaidade de Sócrates não suporta viver sob pressão. A Justiça Britânica, a ser verdade que o está a investigar, e suponho que isso deverá ser a fotonovela das próximas semanas do "SOL", irá pô-lo numa situação igual, ou pior, àquela em que já deveria ter sido colocado, no "Caso do Diploma", porque a Justiça Inglesa não vai lá com telefonemas, gritos histéricos e ameaças. Mais, uma visão atmosférica de toda esta porcaria só me dá vontade de aplicar aqui a mesma bitola do tão criticado Sistema Americano: peneirar, até à exaustão, todo o passado pessoal, politico e quejando dos candidatos a voos políticos. Uma vez descoberta a mácula, afasta-se, e ponto final.
Uma tremenda frente de batalha é a dos Professores: este mês vai ser decisivo para combater um inimigo torpe, desclassificado, e que a História já avaliou como um dos piores períodos políticos da nossa existência, enquanto Nação. Pode parecer que estamos num impasse. Não estamos: até pode suceder que, depois de conquistado o terreno, entre as ruínas, e chegados à porta onde julgamos estar a terrível fera inimiga já só encontremos, depois de um pontapé de arrombamento da porta, três corpos mortos no chão, e já em adiantado estado de putrefação. Até lá, toda a UNIDADE e imaginação serão fundamentais.
Boa Noite.
(Pentágono de resistência, no "Arrebenta-SOL", no "A Sinistra Ministra", no "Democracia em Portugal", "Klandestino" e "The Braganza Mothers")

20090105

Moção aprovada por maioria na Assembleia Municipal de Matosinhos em solidariedade com a luta dos professores

A Assembleia Municipal de Matosinhos manifesta a sua solidariedade com a luta dos professores, que se batem pela melhoria da qualidade do ensino e das suas condições de trabalho e pela escola pública.
Hoje, nas escolas, reina a burocracia, e a qualidade que os nossos jovens vão tendo garantida no ensino deve-se ao enorme esforço que os professores têm feito para não os afectarem, apesar dos graves problemas que enfrentam, para o que trabalham muitas horas para lá do seu horário, sacrificam o seu tempo livre, o seu convívio com a família e até a sua saúde.
Assistimos à reforma antecipada de um elevado número de professores, os mais velhos e mais experientes, aqueles que sempre lhe deram tudo, mas que não querem pactuar com a desumanização crescente das escolas, em que os alunos são vistos como números e em que o sucesso é fabricado para se transformar em estatísticas positivas para a imagem nacional, em detrimento de uma verdadeira formação de qualidade.
Quando vamos às escolas, como encarregados de educação ou no nosso papel institucional de elementos de Associações de Pais, de Conselhos Pedagógicos ou de Conselhos Gerais Transitórios, podemos verificar o estado de desgaste físico e emocional de muitos professores que, não obstante, continuam a desempenhar as suas funções com sentido de responsabilidade, tendo sempre em vista os seus alunos, nossos filhos e jovens da nossa sociedade.

Alguns factos comprovam esta realidade:

- 100 mil professores manifestaram-se em 8 de Março contra esta política educativa, particularmente contra o Estatuto da Carreira Docente (que divide os professores em duas categorias sem justificação de formação diferenciada para exercício de funções que tal o requeressem) e contra o modelo de avaliação vigente (que acarreta uma enorme sobrecarga de trabalho e de burocracia)
- Oito meses depois, a 8 de Novembro o número de manifestantes aumentou para 120 mil, uma unidade jamais vista em Portugal, numa classe com cerca de 140 mil profissionais. Essa unidade viria a ser confirmada com a elevadíssima percentagem de adesão à greve de 3 de Dezembro. Estes números obrigam, no mínimo, a uma reflexão cuidada. Não pode toda uma classe estar unida apenas por interesses corporativistas.
- Segundo dados da Caixa Geral de Aposentações, mais de 5100 professores pediram a aposentação no presente ano, registando-se um aumento de 35% relativamente ao ano de 2007. Muitos destes docentes pediram a reforma antecipada, o que implica um significativa penalização (Jornal Público, 16/12/2008).
- Na revista Saúde Mental, foi publicado, em Setembro, um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, que, tendo por base um universo constituído por docentes de Lisboa, concluiu que, entre eles, existe um número muito maior de indivíduos sofrendo de depressão do que sucede com a restante população (42,4% contra 29,8%). Um número significativo (24%) dos docentes incluídos neste estudo consome psicofármacos, continuando, muitos deles, a apresentar sintomas depressivos.
- Aqueles que melhor conhecem o dia-a-dia das escolas sabem que elas se encontram submersas numa enorme burocracia, que obriga os professores a manterem-se na escola em tarefas burocráticas e em reuniões que ultrapassam o seu horário, acrescendo ainda o trabalho de preparação de aulas e outros a fazer em casa. Muitos deles não aguentam esta sobrecarga que os impede de se dedicarem como gostariam àquilo que fizeram toda a sua vida: o ensino, a relação pessoal e pedagógica com os alunos. Assim surgem as depressões e os pedidos de reforma, muitas vezes antecipada, com o prejuízo que esta instabilidade causa nas condições de ensino-aprendizagem e na imagem da escola pública.
- Tendo a Escola Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, sido a primeira do ranking nacional, os seus órgãos dirigentes consideram como uma das causas desse sucesso a estabilidade do corpo docente. A Presidente do Conselho Executivo e os encarregados de educação afirmaram já publicamente preocupação pelo facto de o corpo docente se encontrar neste momento numa situação de instabilidade, devido ao número de docentes que se reformou recentemente ou com pedido de aposentação em curso, o que os faz temer a perda do lugar cimeiro que têm conseguido nos resultados nacionais.

Nada deve ser mais importante nem mais desejável do que preservar a boa disposição dos professores. É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas. Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações. [In Ratio atque Institutio Studiorum Societatis Jesu (século XVI)]

Vários séculos nos separam deste prospecto da educação jesuíta, que mostra o carácter das inovações pedagógicas introduzidas no séc. XVI, considerado um século revolucionário para a pedagogia, em cujo centro estiveram os jesuítas. A valorização que nele se atribui aos professores e à sua forma de estar e de sentir não é hoje secundada pelos nossos governantes, que têm denegrido a imagem destes profissionais.

A Assembleia Municipal de Matosinhos, reunida a 18 de Dezembro de 2008: Mostra reconhecimento pelo trabalho social prestado por estes profissionais; pela sua dedicação e empenho apesar das adversidades; e pela unidade que tão persistentemente têm vindo a demonstrar na defesa das condições de trabalho e de qualidade da escola pública.
A enviar: Assembleia da República, Presidente da República, Primeiro Ministro, Ministério da Educação, Imprensa

Matosinhos, 18 de Dezembro de 2008

20081214

Direitos Humanos em Portugal não existem


Retirado do blogue de Francisco Trindade

Nesta semana passaram-se 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Contudo em Portugal vamos fechar quase 2008 com os mais graves atentados aos Direitos constituídos nessa Declaração.
O Governo quer silenciar e domesticar 150.000 docentes e quer por força da lei destruir o bem público (os rios, a agricultura e alimentação, a escola pública, os serviços nacionais de saúde, a biodiversidade e atentados na paisagem e ordenamento do território).

1. O Ministério da Educação deu hoje como encerradas as negociações sobre o modelo de avaliação dos professores para este ano, estando apenas em aberto alterações para os próximos anos lectivos.

2. Escolas pobres e professores a custearem os materiais de ensino

3. ASAE não isenta em relação aos OGM
ASAE de braço dado com a indústria dos transgénicos

4. Jornalistas da propaganda socrática
Olhem que não, stôres (de Fernanda Câncio, DN)
Estimada Fernanda Câncio
Além de uma escolha triste do olhe que não- um pregão iditota de um Dias Loureiro, aconselho-a a visitar algumas páginas e blogues de professores e de escolas, exibindo o trabalho criativo e empenhado de muitos docentes neste País. O resto do seu texto é triste, árido e felizmente inconsequente.Quanto aos os stores creio que ficou com alguma adolescência mal resolvida. Não o demonstre publicamente. Guarde-a para si ou vá falar com os professores que eventualmente a prejudicaram na sua carreira ou progressão ou foi mártir.


5. Assembleia da República obesa e enferma
Está na altura de encolher a Assembleia da República

6. Os PIN (Projecto de Interesse Nacional) ou VIN (Vergonhoso Investimento Nacional-como baptizou Isabel Torres de Noronha)

Mais um PIN: duas mil camas e golfe junto à praia Verde

7. BPN Gate
Bem descrito por António Balbino Caldeira

8. RTP e o combinado- Ministra da Saúde protagoniza um episódio de censura
O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só se pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem

10. O Lamaçal,por Sanatana Castilho

11. E não há deputados de substituição?

Assim, pela mentira, uso de engenharia política, temendo e salvando milionários corruptos da miséria, obrigando os trabalhadores do estado a baixo poder de compra e à pobreza, durante 2008, em Portugal anula-se o ordenamento do território, a participação cívica, o debate e orçamento participativo, anula-se a biodiversidade, anula-se a qualidade de vida e anula-se a sustentabilidade.

Não, não vivemos numa democracia. Mas ainda restam alternativas. Não sou obrigado a escolher este caminho. Podemos fazer um partido novo. Ainda há escolhas. Ou utópicamente uma sociedade fraterna, sem donos. Há mais vida , há mais políticas para além dos cavaquistas, soaristas, socretistas, barrosistas, centristas, guterristas, sampaístas e santanistas.

20080605

Ah, grandes colegas!!!

Mais uma escola a dar uma lição a um PCE com veleidades a directorzinho!
Sei, de fonte segura, que numa escola do Alentejo a Assembleia de Escola assumiu o seu papel enquanto órgão soberano legítimamente eleito. Quando o PCE apareceu com lista, calendarização e uma imensa vontade de pôr em prática mais esta aberração boa para aspirantes a ditadorzinhos, eis senão quando a AE em bloco rejeita as propostas de tão diligente chefinho e adia todo o processo de eleição do CG para o final de Setembro!!!
Ah, grandes COLEGAS!!!
(recebida por mail)

20080528

PARA GRANDES MALES; GRANDES REMÉDIOS!


Esta é a mensagem que o pessoal docente da Escola Secundária de Pacific Palisades (Califórnia) aprovou unanimemente que deveria ser gravada no atendedor de chamadas da escola. Foi o resultado de a escola ter implementado medidas que exigiam aos alunos e aos pais que fossem responsáveis pelas faltas dos estudantes e pelas faltas de trabalho de casa. A escola e os professores estão a ser processados por pais que querem que as notas que levam ao chumbo dos seus filhos sejam alteradas para notas que os passem - ainda que esses miúdos tenham faltado 15 a 30 vezes num semestre e não tenho realizado trabalhos escolares suficientes para poderem ter positiva.
AQUI VAI A MENSAGEM GRAVADA:
Olá! Foi direccionado para o atendedor automático da escola. De forma a podermos ajudá-lo a falar com a pessoa certa, por favor ouça todas as opções antes de fazer a sua selecção:
- Para mentir sobre a justificação das faltas do seu filho, pressione a tecla 1 - Para inventar uma desculpa sobre porque é que o seu filho não fez o seu trabalho, tecla 2 - Para se queixar sobre o que nós fazemos, tecla 3 - Para insultar os professores, tecla 4 - Para saber por que razão não recebeu determinada informação que já estava referida no boletim informativo ou em diversos documentos que lhe enviámos, tecla 5 - Se quiser que lhe criemos a sua criança, tecla 6 - Se quiser agarrar, tocar, esbofetear ou agredir alguém, tecla 7 - Para pedir um professor novo, pela terceira vez este ano, tecla 8 - Para se queixar dos transportes escolares, tecla 9 - Para se queixar dos almoços fornecidos pela escola, tecla 0 - Se já compreendeu que este é o mundo real e que a sua criança deve ser responsabilizada e responsável pelo seu comportamento, pelo seu trabalho na aula, pelos seus tpcs, e que a culpa da falta de esforço do seu filho não é culpa do professor, desligue e tenha um bom dia!
(recebida por mail)

Declaração do Departamento de Matemática da E S de Tomás Cabreira, Faro

---------------------------------------------- DECLARAÇÃO ----------------------------------------------------------------- Relativamente às recentes declarações da Senhora Ministra da Educação, em que se mostrou preocupada com o insucesso escolar, afirmando que "os chumbos é que são facilitismo", os professores do Departamento de Matemática da Escola Secundária de Tomás Cabreira, reunidos em 30 de Abril de 2008, declaram o seguinte: --------------------------------------- Denunciamos a distorção do conceito correspondente ao termo "facilitismo", tendo em conta a realidade e a vivência concreta na maioria das escolas portuguesas, onde os professores são constantemente pressionados para passarem alunos que não atingem os objectivos mínimos das respectivas disciplinas. ----------------------------------------------------------- Sublinhamos a explicitação, por parte da tutela, das verdadeiras razões que sustentam a preocupação com o insucesso, razões, quer de ordem economicista – chegando a argumentar com o preço de 3000 euros a que fica cada "chumbo" –, quer de ordem estatística – pretendendo comparar níveis de sucesso de países com realidades sociais que não são comparáveis; ---------------------------------------------------------------------------------------------------- Não obstante não enjeitarmos a responsabilidade que nos cabe na parte em que a Senhora Ministra afirma que não é com "chumbos", mas com mais trabalho dos professores que se atinge o sucesso, não deixamos de lamentar que a tutela continue a enviar a falsa mensagem aos alunos e respectivas famílias de que os professores trabalham pouco, em vez do apelo, que vem tardando, de estudo, rigor, trabalho e disciplina nas aulas para a maioria dos alunos e maior acompanhamento e exigência, por parte de muitas famílias, no sentido de cumprirem plenamente o papel que lhes cabe na educação dos filhos; ----------------------------------------------- Atendendo ao momento em que foram proferidas – perto do final de ano lectivo –, classificamos de irresponsáveis as declarações da Senhora Ministra da Educação, pela pretensão de condicionamento dos professores no processo de avaliações que se avizinha. --------- Mais declaramos que a mensagem de desresponsabilização dos alunos e respectivas famílias, essa sim, hipoteca o futuro dos nossos jovens e do País num mundo global cada vez mais exigente. --------------------------------------------------------------------------------------------------- Depois de discutida, a declaração foi aprovada, por unanimidade, pelos professores do Departamento. -----------------------------------------------------------------

20080316

Experiências de Unidade em Defesa da Escola Pública

Marcha da Indignação, Lisboa 8/Março
(100 000 cidadãos unidos)


«Quando podemos encontrar-nos com os pais e explicar-lhes como funcionam as coisas, as relações são em geral boas e sentimo-los prontos a agir de acordo connosco», diz Odile Dauphin, professor de história e geografia. Há dois anos, estava eu no Henri-IV, aquando da reforma Allègre do ensino secundário. Com o SNES (Sindicato Nacional do Ensino Secundário) e o SNFOCL (Sindicato Nacional Força Operária das Escolas Básicas e Secundárias), conseguimos juntar mais de duzentos pais para os informar do que estava a ameaçar os seus filhos e o ensino em geral. «A reunião, realizada num sábado de manhã, correu bem, foi aprovado um apelo comum, e aquando da nossa greve, que durou três semanas, contámos com o apoio, e por vezes mesmo com a participação, de pais em muitas manifestações, apesar de tudo isto ter levado à desorganização do ensino. Aliás muitos pais fizeram a ligação com o que se passava ao nível do seu trabalho (hospital, correios...) e se não pudemos propriamente criar um "soviete Henri-IV", soprou nesse ano um vento de revolta no cruzamento da Rua Clovis com a Rua Clotilde, muito solidário com o que então se passava nas famosas escolas secundárias dos subúrbios.»

(in Maurice T. Maschino, Pais Contra Professores, França, 2002, Ed. Campo das Letras)