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20090124

Amiguinhos Bilderberg e a PERSEGUIÇÃO AOS PROFESSORES


Entrevista a Daniel Estulin

A técnica do Clube Bilderberg consiste em submeter a população e levar a sociedade a uma forte situação de insegurança, angústia e terror, de maneira que as pessoas cheguem a sentir-se tão exaltadas que peçam, aos gritos, uma solução, qualquer que seja. Essa técnica tem sido aplicada aos gangues de rua, às crises financeiras, às drogas e ao actual sistema educacional e prisional. Em relação ao sistema educacional é necessário dar a conhecer que os estudos realizados pelo Clube Bilderberg demonstram que conseguiram diminuir o coeficiente intelectual médio da população. Para conseguir isso não só manipulam as escolas e as empresas, mas também têm se apoiado na arma mais letal que possuem: a televisão e seus programas de baixo nível, para afastar a população de situações estimulantes e conseguir assim entorpecê-la. (in livro Clube Bilderberg, Os Senhores do Mundo. Edição Brasileira)

Página oficial do autor


Página Oficial de Daniel Estulin

Excelente página da American Free Express, onde saltam nomes de Portugueses, além de Pinto Balsemão (presente desde 1988)

Pedro M. Santana Lopes, José Sócrates em 2004

Augusto Santos Silva, presente na reunião de 2006

Leonor Beleza, em 2007

António Costa e Rui Rio, presentes na última reunião Bilderberg, em 2008

e uma tentativa de não publicação do Livro em Portugal, em 2006

Páginas Internacionais

Bilderberg Org

Bilderberg Group (wiki)

Se isto não é preocupante...

Se isto não se vê reflectido em relação à perseguição que os Professores Portugueses (digno de uma Revolução Cultural Maoísta- só falta enforcar-nos ou deixarmos que se instale o terror entre Colegas, formados, licenciados em Educação!) têm sido submetidos, à péssima qualidade de serviços públicos televisivos, ao crescimento em massa de escândalos (quase parecem fabricados?) Casapianos, Freeport, Alqueva, BPN, etc...tanto para um país pequeno, quando uma enorme massa de jovens sem a Porta 65, a recibos verdes, bolseiros, adultos com 5o anos reformados compulsivamente...tantos precários??? ...e não querer relacionar com as reuniões e
actores dessas reuniões Bilderberg.?

Na publicação Portuguesa , Daniel Estulin dedica-se a Portugal no capítulo 4 Amiguinhos de Bilderberg e estabelece os acontecimentos no nosso país consequências das reuniões do Clube em 2004: um Pedro Santana Lopes flutuante, um Ferro Rodrigues saltitante (mas encenadas, de acordo com o Autor) e as eleições (muito estranhas ) de Barroso e depois Sócrates em 2005 (ler pág. 55).

Porquê tanto silenciamento disto nos mass media?
Colegas, não aceitem os objectivos mínimos, não aceitem nada deste ECD.

Aos que entregarem, revoltem-se, peçam o documento de volta.
A nossa domesticação é um meio para o fim: controlar, cortar as nossas asas.

As medidas têm que ser mais fortes
.

Pela nossa dignidade. Pelos nossos filhos e Alunos.


DIVULGAR É DENUNCIAR... É AFIRMAR: PROFESSOR VIVO e CONSCIENTE!
PAI CONSCIENTE!

20090114

No dia 19 diz no ao medo


Porquê a greve no dia 19 de Janeiro, a uma segunda-feira? Foi no dia 19 de Janeiro de 2007 que foi publicado o novo e famigerado Estatuto da Carreira Docente (ECD), que nos dividiu, que trouxe um clima de enorme desconforto nas Escolas, porque todos sabemos que os requisitos para concorrer a Professor Titular não são justos, nem visam o mérito entre professores. Este ECD trucidou, subverteu todo o Ensino em Portugal e vamos muito a tempo de o revogar. 2008 foi um ano de intensa labuta pela dignificação Docente e Defesa da Escola Pública.A Plataforma e os movimentos dos professores mantêm-se firmes,com mais negociações e novas medidas. Cabe a nós cumprir mais um dia de luta. É um dia simbólico e psicossocial. Não tenhamos medo, Colegas.A luta tem que continuar!

20081211

Outra querida ... Zita e Soares, a traição é sempre dos outros ...

Imagem do IOL Diário em Zita Seabra explica porque faltou à votação (desconheço o nome do fotógrafo)

"A deputada do PSD Zita Seabra explicou que saiu da sala na sexta-feira, no momento da votação do projecto do CDS-PP que recomendava a suspensão da avaliação de professores, por não querer votar a favor.
(...)
Sublinhando que é «completamente a favor da avaliação dos professores», Zita Seabra disse que estava presente nas votações de sexta-feira, que saiu quando o projecto do CDS-PP foi a votos «para não votar esse ponto» e que depois voltou a entrar. (...)" (IOL Diário)

A 'malta' até já apreciava imenso a senhora que se tem revelado persistente, fiel, cordata, de confiança, fiel, com valores, de confiança, etc. A cobardia nunca lhe assentou bem e muito menos a estupidez. Mas ... lá terá os seus trunfos ou não contava com estes anos de instalação total e quase completa.

20081204

Escola Secundária Alves Martins (Viseu): professores e alunos aderem à greve

Fonte: A Associação de Estudantes (Secundária Alves Martins) em Cidadão Repórter (JN, 2008-12-01)

Parabéns, aos alunos, aos professores e a Viseu!

A greve dos professores nesta Escola (Secundária Alves Martins) foi inédita! 98% dos professores demonstraram o seu descontentamento e não compareceram ontem ao serviço! E hoje, novo marco histórico - pela acção dos alunos - já que, contribuíram para que uma escola se mantivesse em protesto, de portões fechados, durante dois dias seguidos.

A história faz-se através da acção dos corajosos e audazes. Há que continuar a lutar pela educação, formação, cultura, humanidade e dignidade.

20081203

Notícias da greve

» Greve em Viseu e Castelo Branco
Fonte: IOL Diário

20081101

'Plataforma quer manter o Entendimento com MLR'

Imagem: SPLEU

"Plataforma mantém o Entendimento com MLR! Os Movimentos não! As duas manifestações mantêm-se! Dia 8, a convite dos sindicatos! Dia 15, por exigência dos Professores! Plataforma separou as águas e ficou claro que não quer misturas! Mário Nogueira, ao Correio da Manhã, já o tinha dito de uma forma inequívoca, quando referiu “A nossa manifestação é dia 8 e quem quiser vir, venha que faz falta. ‘(...)". Está tudo dito! Os Professores pediam mais aos seus legítimos representantes, eleitos por eles, a quem pagam as suas quotas! Mas não! Do alto do seu poder, sentindo-se ameaçados com a força dos Movimentos, não pensaram nos Professores e não se esforçaram por encontrar objectivos de luta comuns, capazes de reunir, numa só manifestação, 140 mil professores! Mas, a verdade, é que eles também não nos querem lá a todos! No fundo, apenas pretendem contar mais cabeças que no dia 15 de Novembro! É para isso que servimos! Somos números ordenados para a contagem final! Os Movimentos, esses, deram prova de bom senso, não fazendo campanha contra o dia 8, mas apelando à participação de TODOS no dia 15! Fizeram-no, porque sabem o que custa estar na escola dia e noite, operacionalizar o impossível de operacionalizar, preencher grelhas, planificações, avaliações, aulas, materiais, actividades e um sem número de tarefas que nos mantêm concentrados em nós próprios e, cada vez menos, nos nossos alunos! Os Movimentos mostraram quais os objectivos da luta que travam! Agora nós, que somos, simplesmente, Professores, temos de fazer uma opção: ou vamos às duas ou optamos por uma delas! Na manifestação do dia 8, seremos apenas um número que servirá, exclusivamente, para encher o ego dos sindicatos e, mais importante, para LEGITIMAR O ENTENDIMENTO ASSINADO ENTRE MLR E A PLATAFORMA SINDICAL! A Senhora Ministra não precisará ficar preocupada! E nem está! Tem, calmamente, referido para quem ainda a consegue ouvir, que os Sindicatos assinaram um acordo e que, portanto, NADA será alterado até Julho de 2008! E alguém duvida de que a avaliação será feita se dermos força à Plataforma? Só com uma manifestação independente que reúna os Professores que na escola, de facto, estão atolados em papéis sem nexo, poderemos mostrar que sem nós, não há avaliação absurda capaz de ser implementada! É a nossa voz que forçará MLR! Nunca a voz da Plataforma, tal como está provado ao longo destes três anos! Podemos até ir a oito! Podemos até novamente ser 100 mil ou mais! Estejam certos que, depois, NADA voltará a acontecerá! Por isso, me sinto violentado quando os sindicatos, mesmo assim, não hesitam em me chamar para me manifestar e dizer “ sim, senhor…continuem…aqui estou eu a contribuir para a vossa representatividade”! É como se sentisse a espinha a vergar, devagarinho! Com a minha cabeça, eles não contarão! Dia 15, sim! Estarei lá, de cabeça erguida, soltando gritos de revolta contida contra MLR, contra a sua política educativa! Agora, cada Professor terá de fazer a sua escolha! De forma lúcida e bem consciente! De forma a ficar de consciência tranquila! De forma a contribuir, de facto, para a manifestação de repúdio pelo sistema caótico instalado nas escolas e para a sua rápida alteração.

Olhem que depois de 15 não há mais nenhuma manifestação marcada… Só grelhas! Só aulas assistidas! Só objectivos! Só…e só! Agora, decidam!

Se pensas estar presente no dia 15, tens um papel importante a desempenhar na tua escola, junto dos teus amigos e colegas! Informa-os! Imprime todos os textos que consideres importantes e divulga-os! Manda-os por correio electrónico! Organiza a viagem! De carro, de autocarro, de comboio! Mobiliza! Motiva! Fá-lo por ti e por todos nós! Os sindicatos já vimos o que são capazes de fazer! E nós? Seremos nós capazes de agir de forma livre e independente? Dia 15 de Novembro, sem sombra de dúvida!" (Autor devidamente identificado)

20081010

O'15 de Novembro' continua em debate!

15/11: Concentrações distritais ou marcha em Lisboa? Qual a opção mais certa?

Qual é a tua opinião? Reenvia este post por email. Divulga-o! A opção tem de ser tomada com brevidade.(Ramiro Marques, no blogue ProfAvaliação)

20081002

Às vezes, resistir é vencer!



«Não de deixem matar nem desgastar em limites preocupantes. O defeito não está em nós, mas no sistema»

«Professores que sofrem»: a escola como fobia (Por Filipe Caetanoemailmais artigos deste autor, Portugal Diário)



Fotos da Margarida

20080925

OS PROFESSORES QUEIXAM-SE EXACTAMENTE DO MESMO

Imagem do Kaos

"Associações de pais contra contagem de faltas justificadas por doença" Notícia TSF
Sua eminência, o sô Albino Almeida, um dos lambe-botas de Milu, terá afirmado «estas escolas demonstram uma «manifesta falta de capacidade de interpretação de um documento que não pretende ser um regulamento interno para todas as escolas».
Pois é, sô Albino, estamos todos à espera que o sô Albino nos venha ensinar a interpretar "o documento". Que somos nós sem vós?
O sô Albino lá sabe o que andou a cozinhar no caldeirão de Milu...
Mas já agora explique lá o que quer dizer "o documento" no artigo 22, ponto 2, quando diz "...independentemente da natureza das faltas..."
Ter-lhe-á escapado alguma coisa no cozinhado do caldeirão?
E, já agora, aproveito para dizer que aos professores vai acontecer exactamente o mesmo, serão punidos pelas faltas que derem, independentemente das razões que os levaram a faltar (aqui cabe tudo, desde a viagem à Patagónia ou à Conchinchina, até à doença de que sofra, à morte do pai, da mãe ou DO FILHO!)
Para além disso, poderão sempre contar com as críticas que serão feitas em casa dos alunos simplesmente porque faltaram... INDEPENDENTEMENTE DAS RAZÕES QUE OS LEVARAM A FALTAR!... (É QUE OS PROFESSORES SÃO OUTRO TIPO DE GENTE... TRATADA ABAIXO DE CÃO!)

20080630

Selecção de Licenciados para o ano escolar de 2008/2009 - PALOP's / TIMOR LESTE

...
Imagem: PrtSc parcial do portal da DGRHE (com sublinhado meu)

Nota: Se estiver interessado em concorrer para os PALOP's / TIMOR LESTE dirija-se ao endereço http://www.dgrhe.min-edu.pt/Portal/ e clique no sinal de + (na imagem à esquerda rodeado por um sinal a vermelho). Irá dar ao seguinte site: http://www.dgrhe.min-edu.pt/Portal/Webforms/Docentes/Recrutamento_PALOP_TL.aspx de onde se transcrevem as seguintes indicações:


*****
Nota pessoal:
A todos os interessados, desde já os meus votos sinceros de BOA-SORTE, força e coragem pois todos imaginamos o que poderá representar a deslocação para um lugar distante, por um ano. Se animar alguém, afirmo que seria para mim uma prenda enorme se a vida me permitisse estar neste momento a pensar em partir - no meu caso - para Timor-Leste.
A todos um enorme bem-haja e dêem o vosso melhor!!!
*****
Publicação em simultâneo nos blogues UMA LULIK e A Sinistra Ministra

20080612

Primeiro foram os Professores, depois os Pescadores e agora ... os Camionistas

Imagem: Copyright © 2008 www.iol.pt


O que vale é que em todos os grupos, os 'dissidentes' não são carneiros mal-mortos ... A esses, um enorme bem-haja! A LUTA CONTINUA e às vezes, RESISTIR É VENCER.

«Adiou-se a paralisação por mais 48 horas e o que ganhamos? A morte de uma pessoa e camiões vandalizados», desabafou Jorge Lemos, um dos elementos eleitos da comissão que negociou com o Governo o pacote de medidas e que foi apresentado como uma conquista negocial. (...)" (IOL Portugal Diário)

NOTA: Post inserido na sequência de Do I need to say more??? (ASHA), no contexto Notícas & Posts - PARALIZAÇÃO DOS CAMIONISTAS e, apesar de detestar poluição sonora, a favor do BuziNão - 17 de junho e de outras formas de acção que vão surgir (ainda no SEGREDO DOS DEUSES)

20080518

Visões, pesadelos e alegorias do 17 de Maio em Portugal (2008)

Imagem do Kaos (que me perdoe por ter cortado as letras ...)

INFORMAÇÃO SOBRE O DIA 17 DE MAIO

Pode-se ler no Público (Portugal Diário, etc.) que a manifestação de professores no Porto com reduzida participação (“ pouco mais de 300 pessoas”), tal como em Coimbra (ler aqui) Évora, Lisboa.

REACÇÕES

Enquanto uns se mostraram delirantes [“FNE diz que não há resignação”], algumas centenas de professores, manifestaram-se em jeito de gato molhado. E o que disseram seus representantes?

O Sr. João Dias da Silva disse que:

  • “ «Esta manifestação pretende dizer claramente que o protocolo de entendimento não significa que os professores estão resignados» (…)” (Público)
  • «Os professores (…) têm a garantia dos sindicatos de que não vão ceder (…)” (IOL Portugal Diário)

COMENTÁRIO 1: não teria sido melhor ter estado caladinho? Ou terá tentado contar uma anedota?

Já o Mário Nogueira, talvez por não querer sujeitar-se a mais vergonhas públicas, afirmou que “«Este é o encerrar do ciclo das lutas que decorrem da marcha da indignação de 8 de Março (...)” (IOL Portugal Diário)

COMENTÁRIO 2: Para quem precisasse de provas, esta foi a derradeira … Os sindicatos traíram-nos e nós não gostámos. Alguns, como eu, mandaram os sindicatos à outra margem, outros ainda se mantêm inscritos. Até quando?

Repisando a questão: contem-se os delegados e dirigentes sindicais e compare-se o número com o dos presentes nestas tristes passeatas. Feeling …

20080415

Protestos às segundas-feiras - 14 de Abril de 2008



SIC Notícias 07:01
  • Braga, 14 Abr (Lusa) - Um grupo de mil professores do Distrito juntou-se, hoje, em Braga, para avisar a ministra da Educação de que "a luta continua" e de que o entendimento conseguido não significa que "haja acordo quanto ao sistema de avaliação". [Braga: Professores juntaram-se para avisar Ministério de que "a luta continua", 14 de Abril de 2008, 23:43]
  • IAOL Diário - Cerca de 600 professores concentraram-se esta segunda-feira, ao final da tarde, na Praça da Liberdade, para aquilo que seria um protesto conjunto entre os sindicatos da região Norte com manifestações idênticas em Braga, Bragança, Viana do Castelo e Vila Real. No entanto, o protesto transformou-se num esclarecimento sobre o entendimento entre sindicatos e ministério.
  • FENPROF - Imagens da Manifestação no Porto
  • ...
  • ... [em actualização]

20080401

Os atestados médicos. Uma vergonha nacional

Imagine o meu caro que é professor, que é dia de exame do 12º ano e, vai ter de fazer uma vigilância.
Continue a imaginar.
O despertador avariou durante a noite. Ou fica preso elevador. Ou o seu filho, já à porta do infantário, vomitou o quente, pastoso, húmido e fétido pequeno-almoço em cima da sua imaculada camisa.
Teve, portanto, de faltar à vigilância. Tem falta.
Ora esta coisa de um professor ficar com faltas injustificadas é complicada, por isso convém justificá-la. A questão agora é: como justificá-la? Passemos então à parte divertida.
A única justificação para o facto de ficar preso no elevador, do despertador avariar ou de não poder ir para uma sala do exame com a camisa vomitada, ababalhada e malcheirosa, é um atestado médico.
Qualquer pessoa com um pouco de bom senso percebe que quem precisa aqui do atestado médico será o despertador ou o elevador. Mas não. Só uma doença poderá justificar a sua ausência na sala do exame.
Vai ao médico. E, a partir deste momento, a situação deixa de ser divertida para passar a ser hilariante. Chega-se ao médico com o ar mais saudável deste mundo. Enfim, com o sorriso de Jorge Gabriel misturado com o ar rosado do Gabriel Alves e a felicidade do padre Melícias.
A partir deste momento mágico, gera-se um fenómeno que só pode ser explicado através de noções básicas da psicopatologia da vida quotidiana. Os mesmos que explicam uma hipnose colectiva em Felgueiras, o holocausto nazi ou o sucesso dos programas de faca e alguidar.
O professor sabe que não está doente. O médico sabe que ele não está doente. O presidente do executivo sabe que ele não está doente. O director regional sabe que ele não está doente. O Ministério da Educação sabe que ele não está doente. O próprio legislador, que manda a um professor que fica preso no elevador apresentar um atestado médico, também sabe que o professor não está doente.
Ora, num país em que isto acontece, para além do despertador que não toca, do elevador parado e da camisa vomitada, é o próprio país que está doente.
Um país assim, onde a mentira é legislada, só pode mesmo ser um país doente.
Vamos lá ver, a mentira em si não é patológica. Até pode ser racional, útil e eficaz em certas ocasiões. O que já será patológico é o desejo que temos de sermos enganados ou a capacidade para fingirmos que a mentira é verdade.
Lá nesse aspecto somos um bom exemplo do que dizia Goebbels: uma mentira várias vezes repetida transforma-se numa verdade. Já Aristóteles percebia uma coisa muito engraçada: quando vamos ao teatro, vamos com o desejo e uma predisposição para sermos enganados. Mas isso é normal. Sabemos bem, depois de termos chorado baba e ranho a ver o "ET", que este é um boneco e que temos de poupar a baba e o ranho para outras ocasiões.
O problema é que em Portugal a ficção se confunde com a realidade. Portugal é ele próprio uma produção fictícia, provavelmente mesmo desde D. Afonso Henriques, que Deus me perdoe. A começar pela política. Os nossos políticos são descaradamente mentirosos. Só que ninguém leva a mal porque já estamos habituados. Aliás, em Portugal é-se penalizado por falar verdade, mesmo que seja por boas razões, o que significa que em Portugal não há boas razões para falar verdade.
Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida. Se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eusei.
Nós, portugueses, adoramos viver enganados, iludidos e achamos normal que assim seja. Por exemplo, lemos revistas sociais e ficamos derretidos (não falo do cérebro, mas de um plano emocional) ao vermos casais felicíssimos e com vidas de sonho. Pronto, sabemos que aquilo é tudo mentira, que muitos deles divorciam-se ao fim de três meses e que outros vivem um alcoolismo disfarçado. Mas adoramos fingir que aquilo é tudo verdade.
Somos pobres, mas vivemos como os alemães e os franceses. Somos ignorantes e culturalmente miseráveis, mas somos doutores e engenheiros. Fazemos malabarismos e contorcionismos financeiros, mas vamos passar férias a Fortaleza. Fazemos estádios caríssimos para dois ou três jogos em 15 dias, temos auto-estradas modernas e europeias, mas para ver passar, a seu lado, entulho lixo, mato por limpar, eucaliptos, floresta queimada, barracões com chapas de zinco, casas horríveis e fábricas desactivadas.
Portugal mente compulsivamente. Mente perante si próprio e mente perante o mundo.Claro que não é um professor que falta à vigilância de um exame por ficar preso no elevador que precisa de um atestado médico.
É Portugal que precisa, antes que comece a vomitar sobre si próprio.
Fonte: Texto escrito por um professor de filosofia (única fonte disponível)

20080325

Quem os escolheria para professores?


:
As semelhanças entre ser professor e ser treinador de futebol são maiores do que poderia parecer à primeira vista. Não raro início ano lectivo por demonstrar aos meus alunos essas semelhanças. Para aprender precisamos de espírito de equipa, de motivação, sacrifício, disciplina. Teremos êxitos e desaires, conflitos dentro e fora da equipa mas, o que interessa realmente é jogar (aprender) e chegar ao final do ano mais rico de conhecimentos (isto é, levar a taça para casa).
Não tinha pensado ainda que tal como no futebol existem inúmeros treinadores de bancada dispostos a alvitrar sobre a melhor forma de treinar a equipa, isto é, de ensinar. De facto, quando se trata de ensinar dificilmente recorreríamos a um jornalista, um político ou a um taxista. Ensinar é um trabalho que requer especialização. Muitos dos que têm opinado, incessantemente, nos últimos tempos sobre Educação nunca estiveram no lugar de professor e, se estiveram foi há muito tempo numa época em que ser professor era uma solução de recurso (temporária) para muitos, quando a necessidade destes profissionais era tamanha que se dispensavam requisitos pedagógicos que hoje são indispensáveis.
Os professores, hoje mais do que nunca, são profissionais qualificados e no entanto, continuamos a ouvir falar da escola do passado. Da escola elitista dos anos sessenta ou da escola “para todos” dos anos setenta e oitenta, época em que o sistema rebentou pelas costuras e em que os nossos preclaros comentadores da educação passaram pelo sistema ora como alunos, ora como professores … passaram mas não ficaram, nem acompanharam e, agora, permitem-se opinar sobre o tema dando-se ares de entendidos na matéria quando de facto, só muito superficialmente conhecem a realidade.
Quem escolheria estes comentadores de circunstância para professores dos seus filhos? Que sabem eles, sobre educação?
Se a equipa não ganha o campeonato a culpa é do treinador. Venha a chicotada psicológica. Se os alunos estão abaixo dos padrões da OCDE em literacia e numeracia a culpa só pode ser dos professores, venha a avaliação e outros papões para os pôr na ordem. E esquecem, esquecem que as escolas não têm verdadeira autonomia, que os alunos nem sempre têm uma atitude positiva em relação à escola, que os encarregados de educação nem sempre são cooperativos, que as salas de aula são frias e desconfortáveis, que para muitos alunos a única refeição quente é tomada no refeitório da escola… esquecem estes, e outros pequenos nadas, que fazem toda a diferença. E esquecem-se ainda de mencionar que ser professores é estar sujeito a uma enorme exposição pública, em que a avaliação, por parte dos alunos, dos encarregados de educação e por parte dos próprios colegas, é constante e não se mede somente, pelas simplísticas tabelas (rankings) internacionais.
_____
Esta é uma tendência que vem de longe... ver aqui.
Na imagem a equipa das Escolinhas do União Desportiva de Leiria.

Abandono escolar dos pais não abona a favor dos filhos

Na escola dos meus filhos existe um professor que vai ser avaliado porque ele é contratado e a senhora ministra determinou que os contratados começariam este ano logo a ser sujeitos ao novo modelo de avaliação, aquela coisa complicada que para aí apareceu cuja estrutura já foi comparada aos mapas das linhas dos metropolitanos.

O professor é ainda novo e empenhado em apresentar um bom trabalho, além de que este projecto que ele fez, é o projecto em que ele está a trabalhar no seu seminário lá da faculdade.

O tema do projecto tem a ver com segurança na Internet e procura chegar a resultados partindo de inquéritos feitos aos alunos das turmas e aos seus encarregados de educação. Imagine-se um professor que para saber o que os jovens hoje procuram na Internet e também o que eles lá encontram, se traveste virtualmente numa menininha pré-adolescente. Criando uma nova identidade verosímil ele entra nos chats, nos Hi5s, estabelecendo contactos com outras pessoas. Logo o professor chega à conclusão que uma menina daquelas é uma presa fácil, recebendo convites para encontros nada virtuais e sendo assediada por meio de linguagens ou mesmo imagens obscenas.

Entretanto, o mesmo professor ouve um seu aluno falar-lhe de sites onde se ensina a fazer todo o tipo de explosivos caseiros e de um outro onde se ensina a cometer suicídio. O professor fica inseguro, alarmado, receando pelo equílibrio desse seu aluno, porque se preocupa com ele.

No seu projecto está previsto fazer também inquéritos aos pais. Afinal o resultado do estudo é para eles, são eles os principais interessados em salvaguardar e orientar os seus filhos. Mas o que acontece na realidade é que os pais não aparecem para preencher os inquéritos: estes estão disponíveis até na Internet ou mesmo na escola, mas os pais não os solicitam. O resultado é que agora o professor tem mais inquéritos de alunos do que de encarregados de educação. O interessante seria ter a correspondência entre o que uns fazem e entre o que os outros pensam que os seus filhos fazem, quando estão na Internet. Os dados saem pois desequilibrados, sobrando filhos para tão poucos pais. No entanto o professor prossegue o seu trabalho, adaptando-o às circunstâncias: em cada 5 alunos inquiridos, 1 admite já ter tido encontros com pessoas que conheceu através da Internet. Resultados dos pais: nenhum pai ou encarregado de educação tem conhecimento que os seus filhos já se tenham encontrado com pessoas que conheceram via Internet!

Estamos nitidamente perante um grave caso de falta de comunicação entre as gerações. O que é incentivado pelo local onde são colocados em casa os computadores: muitos destes jovens usam a Internet dentro dos seus quartos, sozinhos, sem a presença ou o interesse de qualquer familiar.

Também os professores se sentem sozinhos, abandonados à sua sorte nesta difícil tarefa de ensinar. Procuram a ajuda dos pais mas estes estão alheados, demasiado ocupados pelas suas próprias vidas, com muito pouco tempo para disponibilizar com educação dos seus filhos, com diminuta disponibilidade, grande cansaço e muita falta de atenção e de paciência. O facto dos filhos passarem tempo ocupados na Internet é para eles um descanso: como eles estão em casa, no quarto, pensam que estão quietos, a salvo, e que ali nada lhes poderá acontecer.

Entretanto o professor não sabe mais como alertar os pais para os perigos da Internet. Faz sessões de esclarecimento, apresenta os resultados mas ninguém o ouve, ou apenas muito poucos. Esses lhe agradecem o seu empenho e louvam o seu desempenho, mas são demasiadamente poucos os que o fazem. A maioria nem quer saber. Alguns preferem mesmo nem saber.